Cap. 8 / 25

O Rival Amado II

Capítulo 8 — A Arte da Tentação e o Jogo do Desejo

por Davi Correia

Capítulo 8 — A Arte da Tentação e o Jogo do Desejo

O Rio de Janeiro pulsava sob o calor implacável, mas no atelier de Thiago, uma outra forma de calor se instalava, mais sutil, porém não menos intensa. A visita de Rafael havia deixado um rastro de incerteza e desejo, e Thiago se encontrava em um estado de perpétua inquietação. Ele tentava pintar, mas as imagens que surgiam em sua mente não eram as paisagens urbanas que antes o inspiravam, e sim os olhos de Rafael, o toque de suas mãos, a voz que o desarmava.

A cada pincelada, ele sentia a presença de Rafael, como se o ar ao redor estivesse carregado com a sua essência. Ele se lembrava daquele dia no bar da Lapa, da provocação, da atração magnética. E agora, Rafael estava ali, batendo em sua porta, exigindo respostas, reacendendo chamas que ele jurava ter apagado.

Naquela noite, enquanto a cidade se iluminava com as luzes noturnas, o celular de Thiago tocou. Era Rafael.

"Oi", a voz dele soou calma, mas com uma sugestão de impaciência que Thiago conhecia bem.

"Rafael. O que você quer?", Thiago respondeu, a voz mais tensa do que pretendia.

"Eu não consigo parar de pensar em você, Thiago", Rafael disse, sem rodeios. "Na nossa conversa. Naquilo que ficou no ar. E eu acho que você também não consegue."

Thiago se virou, olhando para a janela, para a vastidão escura da noite. "Eu estou ocupado. Tenho trabalho."

"Eu sei que você está. E eu admiro o seu trabalho. Mas eu também sei que o seu trabalho, às vezes, é uma forma de você se esconder. E eu não quero que você se esconda de mim."

Thiago franziu a testa. "Você não tem o direito de me dizer o que fazer ou onde me esconder."

"Eu não estou te dizendo. Estou te convidando. Convidando você a olhar para o que está acontecendo entre nós. O que está acontecendo em você." Rafael fez uma pausa, e Thiago pôde sentir a intensidade de seu olhar, mesmo que não pudesse vê-lo. "Eu estou na Lapa agora. No mesmo bar de sempre. Se você quiser conversar de verdade, sem máscaras, eu estarei lá."

O silêncio se estendeu, pesado. Thiago podia sentir o puxão, a tentação. A Lapa, o bar, Rafael. Era um convite para reviver o passado, mas de uma forma diferente, mais crua, mais honesta. Ele sabia que deveria dizer não, que deveria se proteger. Mas a voz de Rafael, tão cheia de convicção, o desarmava.

"Eu não sei, Rafael", Thiago murmurou, a incerteza pesando em sua voz.

"Eu sei que você sabe", Rafael retrucou, um tom suave de confiança em sua voz. "Eu sei que você sabe que quer vir. E eu estarei esperando."

A ligação caiu, deixando Thiago em um silêncio ensurdecedor. Ele olhou para seus pincéis, para suas telas, como se buscassem orientação. Mas a única imagem que preenchia sua mente era o rosto de Rafael, a promessa de uma conversa honesta, de uma conexão que ele ansiava, mas temia.

Horas depois, Thiago se viu andando pelas ruas da Lapa. O calor da noite parecia abraçá-lo, e o som do samba ecoava de bares e casas noturnas, uma trilha sonora para a sua indecisão. Ele sabia que estava se arriscando, que estava abrindo uma porta que poderia trazer mais dor. Mas algo nele o impelia a ir em frente, uma força maior que o medo.

Ao chegar ao bar, o ambiente era vibrante, cheio de pessoas dançando, rindo, bebendo. Ele procurou por Rafael, o coração batendo descompassado. E então, ele o viu. Sentado em um canto, um copo na mão, olhando para a porta, como se o esperasse. A luz fraca do bar realçava a beleza de seu rosto, a forma como seus olhos brilhavam.

Thiago hesitou por um instante, mas Rafael o viu e sorriu, um sorriso genuíno que fez o peito de Thiago apertar. Ele caminhou até a mesa, sentando-se em frente a Rafael, o barulho ao redor parecendo diminuir.

"Você veio", Rafael disse, a voz baixa, mas clara. Havia um tom de satisfação em sua voz que fez Thiago se sentir simultaneamente exposto e aceito.

"Eu disse que talvez viesse", Thiago respondeu, tentando manter a compostura.

"Mas você veio", Rafael repetiu, e estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a mão de Thiago. O toque era firme, quente, e Thiago sentiu um arrepio percorrer seu corpo. "Isso é um começo."

Os olhos de Thiago encontraram os de Rafael. Não havia mais máscaras, nem defensas. Apenas a verdade crua, a atração mútua que desafiava anos de silêncio e mágoa.

"O que você quer de mim, Rafael?", Thiago perguntou, a voz um sussurro rouco.

"Eu quero você, Thiago", Rafael respondeu, a confissão direta, sem rodeios. "Eu quero você de volta. Quero o nosso amor de volta. Quero a nossa história de volta."

Thiago olhou para Rafael, a intensidade em seu olhar o desarmando completamente. Ele sentiu o impulso de fugir, de se proteger, mas as palavras de Rafael ecoavam em sua alma. "Eu não sei se isso é possível. O que aconteceu... foi muito."

"Eu sei que foi", Rafael concordou, apertando levemente a mão de Thiago. "Mas o que sentimos foi mais forte. E essa força, Thiago, nunca desapareceu. Ela apenas ficou adormecida."

A música parecia envolver os dois, criando uma bolha de intimidade no meio da multidão. Rafael se inclinou para mais perto, sua respiração quente no rosto de Thiago. "Você se lembra daquela noite, Thiago? Na praia? Quando você disse que eu era o seu rival amado?"

Thiago engoliu em seco, a memória vívida. Ele se lembrava daquela noite, da paixão avassaladora, da vulnerabilidade. "Lembro."

"Você era o meu também", Rafael sussurrou, seus olhos fixos nos de Thiago. "E eu nunca deixei de amar você, Thiago. Mesmo quando você se afastou. Mesmo quando você me machucou."

As lágrimas começaram a brotar nos olhos de Thiago. A dor de anos, o anseio reprimido, tudo começou a vir à tona. "Por que agora, Rafael? Por que você voltou agora?"

"Porque eu percebi que a vida é muito curta para viver sem o que nos faz sentir vivos. E você, Thiago, sempre me fez sentir vivo." Rafael inclinou a cabeça, seu rosto a centímetros do de Thiago. "Eu te amo. Eu te amo mais do que a minha própria arte. Mais do que a minha própria vida."

Thiago sentiu o coração disparar. As palavras de Rafael o atingiram com a força de uma tempestade. Ele olhou para o rosto dele, para a sinceridade em seus olhos, e pela primeira vez em anos, sentiu a esperança florescer em seu peito.

"Eu também te amo, Rafael", Thiago sussurrou, a confissão libertadora. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas não eram mais de dor, e sim de alívio e de um amor reencontrado.

Rafael sorriu, um sorriso radiante que iluminou todo o seu rosto. Ele se inclinou um pouco mais e, lentamente, uniu seus lábios aos de Thiago. O beijo começou suave, hesitante, como se testasse as águas. Mas a paixão reprimida logo tomou conta, transformando o beijo em algo intenso, avassalador.

Era um beijo que falava de anos de saudade, de desejo guardado, de um amor que sobreviveu ao tempo e à distância. As mãos de Thiago subiram para o rosto de Rafael, acariciando sua pele, sentindo a familiaridade que ele tanto sentira falta. As mãos de Rafael desceram para a cintura de Thiago, puxando-o para mais perto, como se quisesse fundir seus corpos.

No meio do bar barulhento, eles se perderam em seu próprio mundo, um mundo de amor reavivado, de paixão reacendida. A arte da tentação havia sido bem-sucedida, e o jogo do desejo havia levado os dois a um ponto sem retorno. O rival amado não era mais um rival, mas sim o amor que Thiago sempre buscou, e que agora, finalmente, ele se permitia abraçar.

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