Amor entre Homens

Capítulo 6

por Enzo Cavalcante

Absolutamente! Prepare-se para mergulhar fundo na paixão, nos conflitos e nas reviravoltas que só uma boa novela brasileira pode oferecer. Vamos dar vida a "Amor entre Homens" com toda a intensidade que o tema pede.

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Capítulo 6 — O Eco da Ausência e a Chama que Persiste

Lisboa, uma cidade de luzes suaves e história sussurrante, parecia abraçar Pedro com um manto de melancolia. Os dias se arrastavam como um rio lento, cada instante carregado com o peso da distância que o separava de Rafael. Cada esquina, cada aroma de café recém-passado, cada tom de azul no céu parecia gritar o nome dele, um eco constante na vastidão da sua saudade.

Ele se via caminhando sem rumo pelas ruas de paralelepípedos da Alfama, buscando nos labirintos estreitos um consolo que não encontrava. A fotografia de Rafael, guardada cuidadosamente na carteira, tornara-se seu amuleto, um lembrete tangível de um amor que, por mais que a razão tentasse deslegitimar, a alma se recusava a esquecer. Os olhos profundos e o sorriso genuíno de Rafael, capturados em um momento de pura felicidade, eram um bálsamo e uma tortura. Bálsamo por trazer de volta a lembrança vívida daquele tempo, tortura por acentuar a dor da ausência.

Noites em claro eram companheiras assíduas. O apartamento alugado, por mais aconchegante que fosse, parecia frio e impessoal. Pedro tentava preencher o vazio com trabalho, mergulhando em projetos que antes o entusiasmavam, mas agora sentia como se estivesse apenas arranhando a superfície. As ideias, antes fluídas e criativas, pareciam secar, deixando-o com uma sensação de impotência. O sucesso profissional, que um dia fora tão importante, agora se resumia a uma corrida vazia. A verdadeira conquista, ele percebia com uma clareza dolorosa, era o coração de Rafael.

Seu celular era um portal para o inferno e para o paraíso. Cada toque, cada notificação, trazia um misto de esperança e apreensão. Será que era Rafael? O que ele diria? A coragem, porém, muitas vezes o abandonava. As palavras trocadas antes da viagem, carregadas de mágoa e decepção, pesavam como pedras em sua garganta. Como pedir perdão depois de ter exposto suas inseguranças de forma tão brutal? Como explicar que a sua reação fora um reflexo do medo, e não da falta de amor?

Certa tarde, enquanto observava o Tejo espelhar o pôr do sol, sentiu um nó na garganta. Lembrou-se de uma conversa com Rafael, em um desses fins de tarde cariocas, onde eles falavam sobre a força das marés, sobre como tudo na vida seguia um ciclo de ir e vir, de perda e reencontro. Naquele momento, Rafael dissera que o amor verdadeiro era como a correnteza, capaz de superar qualquer obstáculo, de moldar até mesmo as rochas mais resistentes. Agora, Pedro sentia a força dessa correnteza puxando-o de volta, implacável.

Decidiu que não podia mais se esconder. O medo era um inimigo que ele precisava enfrentar, assim como enfrentara a sua própria homossexualidade, a sua carreira, a sua família. A decisão, quando finalmente tomou forma, trouxe um alívio inesperado. Ele pegou o celular, os dedos tremendo levemente enquanto discava o número que conhecia de cor.

A chamada chamou uma vez, duas vezes. O coração de Pedro batia descompassado, cada segundo uma eternidade. Quando a voz de Rafael finalmente soou do outro lado, um misto de surpresa e cautela, Pedro sentiu o chão tremer sob seus pés.

"Alô?" A voz de Rafael, um pouco rouca, carregada de um cansaço que Pedro reconhecia, atingiu-o como um raio.

Respirou fundo, tentando controlar a emoção que ameaçava transbordar. "Rafael… sou eu, Pedro."

Houve um silêncio prolongado, pesado. Pedro imaginou Rafael do outro lado da linha, a expressão de surpresa se transformando em algo mais difícil de decifrar. Seria raiva? Tristeza? Indiferença?

"Pedro." A palavra saiu como um suspiro, sem emoção aparente.

"Eu sei que… que eu não deveria estar te ligando. E eu sei que eu te magoei muito. Mas eu não aguento mais. Eu preciso… eu preciso falar com você." A voz de Pedro embargou, a urgência transbordando.

Outro silêncio, mais curto desta vez. Pedro se preparou para a rejeição, para o desligamento abrupto.

"Onde você está, Pedro?" A pergunta de Rafael, embora ainda cautelosa, carregava uma faísca de algo que Pedro não conseguia definir. Esperança? Curiosidade?

"Estou em Lisboa. Por enquanto."

"Lisboa…" Rafael pareceu ponderar. "Você não deveria ter ido."

"Eu sei. E eu sei que a culpa é minha. Mas eu precisava pensar. E agora eu sei que pensar sozinho só me fez sentir mais a sua falta." As palavras saíram em um fluxo contínuo, um desabafo sincero. "Eu não posso perder você, Rafael. Não posso."

O silêncio voltou, mas desta vez era diferente. Parecia carregado de expectativa. Pedro prendeu a respiração.

"Venha para cá, Pedro."

A voz de Rafael, agora, era um pouco mais suave. Havia algo nela que acendeu uma pequena chama de esperança no peito de Pedro.

"O quê?"

"Você disse que precisava falar comigo. Eu estou aqui. Se você quer falar, venha. Mas venha com a verdade. Sem mais joguinhos, sem mais medos escondidos."

Pedro sentiu uma lágrima quente rolar pelo seu rosto. Era a resposta que ele esperava, a chance que ele precisava. "Eu vou. Eu juro que vou."

Desligou o telefone, o corpo tremendo, mas com uma nova determinação. Lisboa, que antes parecia um cenário de desolação, agora se transformava em um ponto de partida. Ele pegou suas malas, o coração acelerado com a perspectiva do reencontro. A jornada de volta seria longa, e o caminho para a reconciliação seria ainda mais árduo. Mas, pela primeira vez em semanas, Pedro sentiu que estava no caminho certo. A chama que persistia em seu peito, mesmo na escuridão, finalmente encontrava um sopro de ar fresco. Ele estava voltando para casa, para o homem que era a sua casa.

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