Paixão Proibida II
Capítulo 12 — A Confrontação Silenciosa e a Rede de Proteção
por Enzo Cavalcante
Capítulo 12 — A Confrontação Silenciosa e a Rede de Proteção
O som do motor do carro, que se afastou lentamente pela rua, deixou um eco perturbador no silêncio do apartamento. Lucas permaneceu imóvel por um instante, o corpo tenso, os sentidos em alerta máximo. Gabriel, percebendo a mudança brusca na atmosfera, aproximou-se dele com cautela.
"Lucas? O que foi? Você parece pálido", perguntou Gabriel, a voz suave, mas com um tom de preocupação que fez o coração de Lucas doer.
Lucas respirou fundo, tentando reconquistar o controle. Ele não podia assustar Gabriel. Não agora. "Nada, amor. Só... acho que vi alguém que pensei conhecer. Um velho conhecido da cidade. Mas deve ter sido impressão minha." Ele forçou um sorriso, tentando parecer o mais natural possível, mas a imagem do Sr. Almeida pairava em sua mente como um mau presságio.
Gabriel o olhou nos olhos, perscrutando cada detalhe em seu rosto. Ele conhecia Lucas bem o suficiente para saber quando algo o incomodava profundamente. "Você tem certeza? Você ficou muito quieto de repente."
"Absoluta", Lucas respondeu, com uma convicção que não sentia. "Devo estar cansado. Muitas entregas hoje." Ele se afastou da janela, tentando afastar o pensamento intruso. "Que tal pedirmos uma pizza? Para relaxar um pouco."
Gabriel assentiu, mas a inquietação em seus olhos não diminuiu. Ele sabia que Lucas estava escondendo algo, mas respeitou a sua necessidade de não compartilhar. Nos últimos meses, eles haviam construído uma confiança inabalável, mas Lucas ainda carregava cicatrizes que o faziam hesitar em expor certas vulnerabilidades.
Enquanto esperavam a pizza, Lucas tentou distrair Gabriel com conversas sobre a universidade, sobre os planos para o fim de semana. Mas sua mente não parava. O Sr. Almeida. O que ele estaria fazendo em São Paulo? Teria ele descoberto onde Gabriel estava? A simples ideia de ter o pai de Gabriel novamente em suas vidas, com toda a sua influência e desaprovação, era suficiente para acender a chama do medo em Lucas.
"Eu pensei em irmos ao parque no sábado", disse Gabriel, quebrando o silêncio pensativo de Lucas. "Para aproveitar o sol antes que o outono chegue com força total."
"Claro, amor. Seria ótimo", respondeu Lucas, tentando focar no presente, no futuro que eles estavam construindo juntos. Mas a sombra daquele carro escuro persistia em sua mente. Ele precisava ter certeza.
Na manhã seguinte, Lucas acordou antes de Gabriel. O sol ainda não havia rompido totalmente o véu da noite, mas a necessidade de verificar era imperativa. Com o coração batendo acelerado, ele se vestiu silenciosamente e saiu do apartamento, deixando um bilhete para Gabriel: "Fui buscar pão fresquinho. Volto logo. Te amo."
Ele caminhou pelas ruas ainda adormecidas de Pinheiros, a cada passo sentindo a tensão aumentar. Chegou ao local onde vira o carro na noite anterior e, para seu alívio e também para seu desespero, o carro não estava mais lá. Mas ele sabia que a sua aparição não era coincidência. O Sr. Almeida não era de desistir facilmente.
De volta ao apartamento, encontrou Gabriel tomando café da manhã, os olhos ainda um pouco sonolentos, mas com um sorriso caloroso ao vê-lo.
"Que surpresa! Pensei que você ainda estivesse dormindo", disse Gabriel, levantando-se para abraçá-lo.
"Não podia esperar para ver você", Lucas respondeu, abraçando-o com força, como se quisesse protegê-lo de tudo.
Durante o dia, Lucas sentiu uma necessidade crescente de ter mais informações. Ele não podia simplesmente esperar que o Sr. Almeida fizesse um novo movimento. Ele precisava agir, ou pelo menos, se preparar. Lembrou-se de uma antiga colega de trabalho de Vila das Pedras, Ana, que tinha parentes em São Paulo e um bom contato com o submundo da cidade. Não era a situação ideal, mas Lucas estava desesperado.
"Gabriel, eu preciso resolver umas coisas com um antigo contato. Algo importante. Acho que vou precisar sair mais cedo hoje", disse Lucas, tentando manter a voz casual.
Gabriel assentiu, preocupado, mas compreensivo. "Tudo bem. Se precisar de alguma coisa, me ligue."
Lucas buscou Ana em um café movimentado na região central. Ana, uma mulher forte e de olhar sagaz, o recebeu com um abraço caloroso.
"Lucas! Que bom te ver! Mas você parece preocupado", disse Ana, notando a tensão no rosto de Lucas.
Lucas explicou a situação, omitindo os detalhes mais íntimos sobre Gabriel, mas deixando claro a importância de encontrar informações sobre um homem influente que poderia estar em São Paulo com intenções nada amigáveis.
Ana ouviu atentamente, seus olhos avaliando cada palavra. "Entendo. Um homem com poder, que pode trazer problemas. São Paulo tem muitas sombras, Lucas. Mas também tem muita gente que pode ajudar, se souber onde procurar."
Ela fez algumas ligações discretas, falando em um dialeto que Lucas não reconhecia, usando códigos e informações que só quem estava inserido naquele mundo entenderia. Lucas sentiu uma pontada de estranheza, mas confiava em Ana. Ela sempre fora uma pessoa de princípios, mesmo que sua rede de contatos fosse um tanto duvidosa.
Depois de uma hora, Ana desligou o telefone, um leve sorriso nos lábios. "Consegui. Um dos meus contatos viu um carro parecido com o que você descreveu em um hotel de luxo na Avenida Paulista. O nome do hóspede... Sr. Antônio Almeida. Ele chegou há dois dias."
O coração de Lucas apertou. Era ele. O Sr. Almeida estava hospedado em um dos hotéis mais caros da cidade. Isso significava que ele tinha recursos e intenções sérias.
"Obrigado, Ana. Você não sabe o quanto isso significa para mim", disse Lucas, sentindo um misto de alívio e apreensão.
"Cuidado, Lucas. Homens como ele são perigosos. Eles não desistem quando querem algo", advertiu Ana, segurando o braço dele com firmeza. "Se precisar de algo mais, de alguém para ficar de olho, ou até mesmo de uma distração, você sabe onde me encontrar."
Ao deixar o café, Lucas sentiu o peso do mundo em seus ombros. Ele sabia que não poderia proteger Gabriel sozinho. Precisava de aliados, de uma rede de apoio. A aparição do Sr. Almeida em São Paulo não era apenas uma ameaça, era um alerta. Ele precisava fortalecer a rede de proteção ao redor de Gabriel, e rápido. As ruas de São Paulo, antes um símbolo de liberdade, agora pareciam um labirinto de perigos potenciais. O juramento de fidelidade que fizera a Gabriel ecoava em sua mente, e ele estava mais determinado do que nunca a cumprir.