Paixão Proibida II

Capítulo 13 — O Despertar da Culpabilidade e o Fio da Esperança

por Enzo Cavalcante

Capítulo 13 — O Despertar da Culpabilidade e o Fio da Esperança

Os dias seguintes foram marcados por uma tensão palpável, um prenúncio de tempestade que pairava sobre o apartamento de Lucas e Gabriel. Lucas, com o conhecimento de que o Sr. Almeida estava na cidade, redobrara seus esforços para manter Gabriel seguro e alheio à ameaça iminente. As noites de estudo de Gabriel eram agora pontuadas por Lucas observando as ruas pela janela, seu olhar varrendo cada carro que passava, cada sombra que se alongava. Gabriel, percebendo a ansiedade crescente de Lucas, tentava conversar, mas Lucas desviava o assunto com uma habilidade cada vez mais preocupante.

"Você tem dormido bem, amor?", perguntou Gabriel em uma noite, enquanto preparava um chá. A preocupação em seus olhos era visível.

Lucas sorriu, um sorriso forçado que não chegava aos seus olhos. "Claro que sim, meu bem. Só estou um pouco cansado. O trabalho tem sido intenso." Ele se aproximou de Gabriel e depositou um beijo em sua têmpora. "Mas a sua companhia sempre me revigora."

Gabriel retribuiu o abraço, sentindo a fragilidade de Lucas. Ele sabia que algo estava errado, mas a confiança que depositava em Lucas o impedia de insistir. Eles tinham passado por tanto, e Lucas sempre fora seu porto seguro. Se ele dizia que estava tudo bem, Gabriel, no fundo do seu coração, queria acreditar.

Enquanto isso, Lucas usava seus contatos recém-reforçados com Ana para obter mais informações. Ele descobriu que o Sr. Almeida estava em São Paulo a negócios, mas rumores sussurravam sobre uma "visita pessoal" e um "assunto inacabado". A cada nova informação, o nó em sua garganta apertava. Ele sabia que o "assunto inacabado" era Gabriel.

Um dia, enquanto Gabriel estava na biblioteca, Lucas recebeu uma ligação de Ana.

"Lucas, o Almeida vai estar em um evento beneficente hoje à noite. Um jantar em um hotel de luxo. É uma boa oportunidade para você vê-lo de perto, talvez até conversar com ele."

Lucas sentiu um arrepio. Confrontar o Sr. Almeida diretamente parecia um passo arriscado, mas talvez necessário. Se ele pudesse, de alguma forma, dissuadir o pai de Gabriel de interferir, talvez pudesse aliviar essa pressão.

"Eu vou. Preciso ir", disse Lucas, a voz firme, mas com um tom de apreensão.

Naquela noite, Lucas vestiu suas melhores roupas, sentindo-se um impostor em meio à alta sociedade paulistana. Ele entrou no salão do hotel, o luxo e a opulência do ambiente quase o sufocando. Pessoas bem vestidas circulavam, conversando animadamente, alheias às batalhas que se travavam nos bastidores. Lucas avistou o Sr. Almeida sentado a uma mesa com um grupo de empresários, sua figura imponente e o olhar frio facilmente reconhecíveis.

Reunindo toda a coragem que possuía, Lucas se aproximou da mesa. O Sr. Almeida, ao ver Lucas, arqueou uma sobrancelha, uma expressão de surpresa misturada com desprezo em seu rosto.

"Quem é você?", perguntou o Sr. Almeida, a voz gélida, ignorando completamente Lucas.

Lucas sentiu o rosto queimar, mas manteve a compostura. "Sou Lucas. O... amigo de Gabriel."

O Sr. Almeida deu uma risada seca e desdenhosa. "Amigo? Interessante. Pensei que ele tivesse bom gosto para escolher suas companhias. Pelo menos, ele aprendeu a se misturar."

As palavras de Sr. Almeida atingiram Lucas como um golpe. A culpa, que ele vinha tentando reprimir, ressurgiu com força. Ele sabia que, para Gabriel, aquela relação era tudo. Mas para o Sr. Almeida, eles eram apenas um erro, uma vergonha.

"Não o use para me atingir", disse Lucas, a voz embargada pela emoção. "Gabriel é uma pessoa maravilhosa. E ele merece ser feliz, sem interferências."

"Felicidade?", o Sr. Almeida riu novamente. "Felicidade é ter uma família decente, um nome respeitado. Não é se esconder nas sombras com... você."

Lucas sentiu um nó na garganta. Ele sabia que discutir ali seria inútil. O Sr. Almeida estava cego pelo preconceito e pela arrogância.

"Eu só quero que você saiba que eu não vou deixar ele ir. Eu o amo", disse Lucas, a voz trêmula, mas cheia de convicção. "E se você tentar machucá-lo, vai ter que passar por mim primeiro."

O Sr. Almeida o encarou por um longo momento, seus olhos frios buscando algo em Lucas. Finalmente, ele deu um aceno de cabeça, como se tivesse absorvido a advertência. "Veremos", disse ele, antes de se virar para os seus convidados, como se Lucas não existisse mais.

Lucas se afastou da mesa, sentindo um misto de raiva e desespero. Ele havia confrontado o Sr. Almeida, mas não obteve nenhuma vitória. A culpa por não poder proteger Gabriel de forma mais eficaz o corroía. Ele se sentia fraco, impotente diante daquele homem poderoso.

Ao voltar para casa, encontrou Gabriel lendo um livro na sala. A expressão de Gabriel se iluminou ao vê-lo.

"Você voltou! Estava começando a ficar preocupado", disse Gabriel, levantando-se para abraçá-lo.

Lucas o abraçou com força, sentindo a necessidade de se agarrar a ele. "Desculpe a demora, amor. Tive um imprevisto." Ele se afastou do abraço, o peso da sua culpa quase insuportável. "Gabriel... eu preciso te contar uma coisa."

Gabriel o olhou, a preocupação voltando em seus olhos. "O quê? O que aconteceu?"

Lucas hesitou. Ele sabia que a verdade poderia machucar Gabriel, mas mantê-la escondida estava se tornando um fardo insuportável. A culpa por ter enfrentado o pai dele sem o conhecimento dele o pesava.

"Eu... eu vi o seu pai hoje", disse Lucas, a voz baixa. "No hotel onde ele está hospedado. E eu... eu conversei com ele."

O rosto de Gabriel empalideceu. A menção do pai, depois de tanto tempo, era como um golpe inesperado. Seus olhos se encheram de surpresa e apreensão. "O quê? Você falou com ele? Por quê?"

"Eu não podia deixar ele interferir. Eu não podia deixar ele te ameaçar sem que eu dissesse alguma coisa. Eu jurei que te protegeria", Lucas explicou, a voz embargada. "Mas ele... ele não me ouviu. Ele é como sempre foi. Cruel."

Gabriel ficou em silêncio por um longo momento, processando a informação. Ele sabia que Lucas estava tentando protegê-lo, mas a ideia de Lucas ter se confrontado com seu pai sozinho, sem o seu conhecimento, o deixou apreensivo.

"Lucas... você não precisava fazer isso sozinho", disse Gabriel, a voz suave, mas cheia de uma emoção que Lucas não conseguia decifrar. Era culpa? Medo?

"Eu sei. Me desculpe. Eu não pensei direito. Eu só... eu só queria que ele soubesse que você é importante para mim. Que eu não vou te deixar", Lucas confessou, sentindo a vulnerabilidade exposta.

Gabriel se aproximou e segurou o rosto de Lucas entre as mãos. Seus olhos encontraram os de Lucas, e ali, Lucas viu um fio de esperança, um lampejo de compreensão.

"Eu sei, amor. Eu sei que você me ama", disse Gabriel, a voz embargada. "E eu também te amo. Mais do que tudo." Ele o puxou para um abraço apertado. "Não se culpe. Você tentou fazer o que achou certo. E eu aprecio isso. Mas a partir de agora, vamos enfrentar isso juntos. Sempre juntos."

Naquele abraço, Lucas sentiu o peso da culpa diminuir um pouco. Ele havia cometido um erro ao agir sozinho, mas a confiança e o amor de Gabriel eram um bálsamo para sua alma. A ameaça do Sr. Almeida ainda pairava, mas agora, eles a enfrentariam lado a lado. O fio da esperança, frágil, mas presente, começava a se tecer entre eles, fortalecendo o laço que os unia contra todas as adversidades.

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