Paixão Proibida II

Capítulo 18 — A Culpabilidade de Sofia e o Planos de Fuga

por Enzo Cavalcante

Capítulo 18 — A Culpabilidade de Sofia e o Planos de Fuga

O apartamento de Sofia, antes um refúgio de paz e tranquilidade, agora parecia um poço de ansiedade e culpa. A carta de Clara, que ela havia recebido horas antes, estava sobre a mesa de centro, amassada em alguns pontos, as bordas desgastadas pelas mãos trêmulas de Sofia. As palavras da mãe de Miguel, detalhando a doença, a decisão de acobertar tudo e a manipulação de sua própria parte no plano, a deixaram em um estado de choque profundo. A fragilidade que ela tanto tentava esconder, a doença que a consumia em silêncio, agora era exposta de forma brutal e incontestável.

Ela se olhou no espelho do banheiro, a pele pálida, as olheiras profundas, um reflexo da batalha interna que travava. A preocupação constante com a doença, o medo de ser um fardo, a solidão em sua luta… tudo isso a havia levado a aceitar o plano de Clara. Acreditava que, com o tempo, a verdade viria à tona, mas nunca imaginou que seria de uma forma tão dolorosa e destrutiva. A revelação que Miguel sentiu a culpa, o peso de ter sido enganado, era algo que a corroía por dentro. Ela havia se tornado, involuntariamente, uma peça no jogo de sua própria saúde, um jogo que a estava consumindo.

Lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Ela se sentia envergonhada de si mesma, da sua fraqueza, da sua passividade. Clara, sua própria mãe, a havia usado como escudo, e ela havia permitido. A dor da doença era cruel, mas a dor da traição e da culpa era ainda pior. O amor que Miguel sentia por ela, um amor que ela correspondia com toda a intensidade de seu coração, agora se tornava um peso insuportável. Como ela poderia corresponder a esse amor, se ela era a fonte de sua dor e de sua confusão?

O toque do celular a tirou de seus devaneios sombrios. Era Miguel. Seu coração disparou. Ela atendeu, a voz embargada pela emoção.

“Oi, Miguel.”

“Sofia… você está bem?”, a voz dele soava distante, carregada de uma tristeza que Sofia reconheceu instantaneamente. Ele também sabia. A verdade havia atingido Miguel com a força de um furacão.

“Eu… eu recebi a carta da Clara”, Sofia sussurrou, incapaz de esconder a sua dor. “Miguel, eu sinto muito. Eu… eu não sei o que dizer.”

“Por que você permitiu isso, Sofia?”, Miguel perguntou, a voz embargada pela mágoa. “Por que você não me contou a verdade? Por que você deixou que minha mãe decidisse por você?”

As palavras de Miguel ecoaram a sua própria culpa. “Eu… eu estava com medo, Miguel. Eu estava com medo de te preocupar. De te sobrecarregar. A doença… ela me deixou tão frágil. Eu achei que… que seria melhor assim. Que você não precisava carregar mais esse fardo.”

“Mas você me negou a verdade, Sofia! Você me negou o direito de saber! E você… você permitiu que Clara me afastasse de você. Que ela me fizesse sentir culpado por algo que eu não tinha controle.” A voz de Miguel se quebrou. “Você não confia em mim, Sofia?”

As lágrimas de Sofia voltaram a cair com mais intensidade. “Não é isso, Miguel. Eu confio em você mais do que em qualquer pessoa. Eu te amo mais do que tudo. Mas a doença… ela me tirou a força. Eu me senti impotente. E Clara… ela soube aproveitar a minha fraqueza. Ela me convenceu de que era o melhor para você. Para nos proteger.”

“Proteger de quê, Sofia? De uma verdade que nos tornaria mais fortes? De uma luta que poderíamos enfrentar juntos?”, Miguel questionou, a voz carregada de desespero. “Eu te amo, Sofia. E eu quero estar ao seu lado. Mas eu preciso da verdade. Eu preciso saber quem você é, e o que você está passando.”

O silêncio se instalou entre eles, um silêncio denso, carregado de dor e de confissões. Sofia sabia que Miguel estava certo. Ela havia se escondido atrás de uma mentira, permitindo que a doença a definisse, e que a afastasse daqueles que a amavam.

“Eu não sou mais a mesma, Miguel”, Sofia sussurrou, a voz fraca. “A doença me mudou. Eu me sinto tão… diferente. Tão longe de tudo o que eu costumava ser.”

“Você é a Sofia que eu amo, Sofia”, Miguel disse, a voz agora mais suave, carregada de uma ternura que fez o coração de Sofia apertar. “E eu quero te ajudar. Eu quero lutar com você. Mas eu preciso que você me deixe entrar. Que você me conte a verdade.”

Sofia respirou fundo, sentindo um pequeno alívio na voz de Miguel. A promessa de que ele a amava, apesar de tudo, era um bálsamo para sua alma ferida. Ela sabia que, de agora em diante, as coisas teriam que ser diferentes. Ela não poderia mais se esconder.

“Eu vou te contar tudo, Miguel”, Sofia disse, a voz firme, apesar das lágrimas. “Eu vou te contar sobre a doença, sobre o que eu estou passando. E sobre o que Clara fez. E sobre como eu permiti.”

Ela sabia que seria doloroso. Sabia que Miguel estaria chocado, talvez magoado. Mas era o único caminho. Um caminho para a cura, para a reconciliação, e para um futuro onde a verdade, por mais dolorosa que fosse, seria a base de tudo.

“E quanto a nós?”, Miguel perguntou, a voz carregada de incerteza. “O que vai acontecer com a gente?”

Sofia fechou os olhos, a imagem de Miguel em sua mente, a lembrança do beijo roubado, a paixão que os unia. “Eu não sei, Miguel. Eu só sei que eu te amo. E que eu quero lutar por nós. Mas eu preciso que você me perdoe. E que você entenda que eu estava apenas tentando te proteger.”

“Eu preciso de tempo, Sofia”, Miguel disse, a voz um pouco mais calma, mas ainda carregada de dor. “Tempo para pensar. Para processar tudo isso. A sua doença… a manipulação da minha mãe… a sua… a sua passividade… é muita coisa.”

Sofia assentiu, compreendendo. Ela também precisava de tempo. Tempo para curar suas feridas, para se reerguer. E, talvez, para descobrir se um amor tão abalado pela verdade poderia sobreviver.

“Eu entendo”, Sofia respondeu, a voz embargada. “Eu te amo, Miguel.”

“Eu também te amo, Sofia”, Miguel disse, e a conexão, mesmo que frágil, se restabeleceu.

Após desligar o telefone, Sofia olhou para a carta de Clara novamente. As palavras, antes tão chocantes, agora pareciam um catalisador. Ela não podia mais se esconder. Ela não podia mais permitir que outros decidissem seu destino. Ela precisava lutar. Por ela mesma, e por Miguel.

Uma nova resolução tomou conta de sua alma. Ela não se deixaria consumir pela doença, nem pela culpa. Ela encontraria uma maneira de lutar, de se curar. E, talvez, de encontrar uma saída para essa paixão proibida, que agora se revelava como uma teia complexa de verdades ocultas e amores verdadeiros. Ela sabia que teria que enfrentar Clara, sua mãe, e a si mesma. E, em meio a toda essa dor, uma pequena semente de esperança começava a brotar. A esperança de que, juntos, ela e Miguel pudessem superar essa tempestade e encontrar um caminho para a felicidade.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%