Paixão Proibida II
Capítulo 19 — A Fúria de Clara e o Desespero de Miguel
por Enzo Cavalcante
Capítulo 19 — A Fúria de Clara e o Desespero de Miguel
A notícia da descoberta da verdade sobre a doença de Sofia, e o subsequente confronto entre Miguel e sua mãe, chegou aos ouvidos de Clara como um tiro certeiro no coração. Ela sabia que o momento chegaria, mas a velocidade e a forma como tudo se desdobrou a pegaram de surpresa, e a fizeram mergulhar em um desespero avassalador. A rede de proteção que ela havia cuidadosamente construído para Miguel, para mantê-lo longe da dor e da culpa, agora ruía em seus pés.
A conversa com sua mãe, Dona Cecília, foi um misto de fúria e desespero. Clara sentia-se traída pela mãe de Miguel, que havia cedido à pressão e revelado a verdade.
“Como você pôde fazer isso, Cecília?”, Clara gritou, a voz rouca de raiva e frustração. Ela estava em seu apartamento luxuoso, andando de um lado para o outro, o telefone na mão, o rosto pálido e contorcido. “Você prometeu! Você jurou que manteríamos isso em segredo! Que protegeríamos o Miguel da dor!”
Dona Cecília, do outro lado da linha, falava em um tom de voz baixo e cansado. “Clara, eu não aguentava mais. Ver o Miguel sofrendo, sem entender o que estava acontecendo… o peso da mentira era insuportável. Eu precisava ser honesta com ele.”
“Honesta?”, Clara riu amargamente. “Você o machucou, Cecília! Você destruiu tudo o que eu tentei construir para ele! Você o jogou de volta na escuridão!” As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. Clara se sentia impotente. A doença de Sofia, a revelação para Miguel, a mágoa de Miguel com Lucas… tudo parecia um emaranhado de problemas que ela não sabia mais como controlar.
“E o Lucas? Você contou a ele sobre o meu plano? Sobre como eu me sacrifiquei por ele?”, a voz de Clara era um misto de fúria e dor. Ela sabia que havia pressionado Lucas, que o havia envolvido em sua teia de mentiras. Ela se sentia culpada por isso, mas, ao mesmo tempo, defendia suas ações como necessárias.
“Eu não contei tudo, Clara. Mas ele percebeu. Ele me disse que sabia. E que ele não ia mais participar disso. Ele está do lado do Miguel agora”, Dona Cecília respondeu, a voz tensa.
A notícia de que Lucas a havia abandonado, de que ele agora estava do lado de Miguel, foi a gota d’água. Clara sentiu um aperto no peito, uma dor aguda que a fez cambalear. O homem que ela amava, o homem que ela acreditava ter sob controle, havia se rebelado.
“Ele… ele me traiu. Ele me abandonou”, Clara sussurrou, as palavras quase inaudíveis. A imagem de Miguel e Lucas juntos, em um momento de cumplicidade, a assombrava. A paixão que unia os dois rapazes, que Clara tentava desesperadamente reprimir, agora parecia mais forte do que nunca.
Desesperada, Clara decidiu confrontar Miguel. Ela precisava desesperadamente tentar reverter a situação, tentar reconquistar seu controle sobre ele. Ela sabia que a verdade sobre a doença de Sofia era um golpe duro, mas ela acreditava que sua manipulação e seu amor por Miguel poderiam, de alguma forma, superar essa crise.
Ela dirigiu até a casa de Miguel, o coração batendo forte no peito. Ao chegar, encontrou Dona Cecília na sala de estar, o semblante preocupado.
“Clara, o que você está fazendo aqui?”, Dona Cecília perguntou, surpresa.
“Eu preciso falar com o Miguel”, Clara disse, a voz firme, mas com um tom de urgência. “Eu preciso explicar tudo a ele.”
Dona Cecília hesitou por um momento, mas a determinação no rosto de Clara a fez ceder. “Ele está no quarto, Clara. Mas eu não sei se ele quer te ver.”
Clara ignorou o aviso e subiu as escadas, os passos firmes em direção ao quarto de Miguel. Ao abrir a porta, encontrou Miguel sentado à beira da cama, o olhar perdido no vazio. Ele parecia ainda mais abatido do que antes, a confusão e a dor ainda estampadas em seu rosto.
“Miguel, meu amor”, Clara disse, a voz suave e sedutora. Ela se aproximou dele, tentando tocar seu braço.
Miguel se afastou bruscamente, o olhar de dor se transformando em raiva. “Não me toque, Clara. Eu não quero mais nada com você.”
“Miguel, você não entende”, Clara insistiu, a voz embargada pela emoção. “Eu fiz tudo isso por você! Para te proteger! Para evitar que você sofresse mais do que já estava sofrendo!”
“Proteger de quê, Clara? De uma verdade que me tornaria mais forte? De uma luta que poderíamos enfrentar juntos? Você me negou isso! Você me tratou como uma criança frágil que não era capaz de lidar com a realidade!” Miguel levantou-se, a voz carregada de mágoa. “E o Lucas? Você o envolveu nisso tudo também? Você o usou para me manter preso a você?”
Clara sentiu um aperto no peito. A menção de Lucas era um ponto sensível. “O Lucas… ele é um bom rapaz. Ele te ama. Mas ele não entende o que está em jogo, Miguel. Não entende o quanto eu me sacrifiquei por você.”
“Sacrifício? Você chama de sacrifício manipular as pessoas, mentir, e afastá-las de quem as ama?”, Miguel retrucou, a fúria crescendo em seus olhos. “Você se tornou a própria sombra que eu tanto temi. Você é a escuridão que eu tentei fugir.”
As palavras de Miguel foram como um golpe para Clara. Ela se sentiu arrasada, impotente. Ela sempre acreditou que seu amor por Miguel era a única força capaz de mantê-lo seguro, mas agora, esse mesmo amor parecia ter se tornado a causa de sua própria ruína.
“Miguel, por favor”, Clara implorou, as lágrimas rolando pelo seu rosto. “Eu te amo mais do que tudo. Não deixe que essa mentira destrua o nosso amor.”
“O amor não pode ser construído sobre mentiras, Clara”, Miguel disse, a voz firme e decidida. “Eu preciso da verdade. Eu preciso de liberdade. E você… você não me dá nenhuma delas.”
Ele se virou e saiu do quarto, deixando Clara sozinha em meio ao desespero e à ruína de seus planos. Ela se sentiu derrotada. A paixão proibida que ela tanto almejava, e que acreditava ter sob controle, agora se escapava por entre seus dedos, deixando-a com um vazio imenso e um coração partido.
Dona Cecília, que ouviu a discussão, aproximou-se de Clara, o rosto marcado pela tristeza. “Clara, eu sinto muito. Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto.”
Clara a encarou, os olhos vermelhos e inchados. “Você não entende, Cecília. Você nunca entendeu o quanto eu amo o seu filho. E o quanto eu estou disposta a fazer por ele.” Uma determinação sombria tomou conta de seus olhos. “Eu não vou desistir dele. Eu vou encontrar uma maneira de tê-lo de volta. Nem que para isso eu tenha que destruir tudo ao meu redor.”
O desespero de Clara, alimentado pela fúria e pela dor da rejeição, a impulsionou a um plano ainda mais perigoso. Ela não podia perder Miguel. E, para isso, ela estava disposta a tudo. A paixão proibida se transformava em uma força destrutiva, capaz de tudo arrasar em seu caminho.