Segredo do Coração III

Capítulo 6

por Enzo Cavalcante

Com certeza! Prepare-se para mergulhar de volta no turbilhão de emoções de "Segredo do Coração III". Aqui estão os capítulos 6 a 10, repletos de paixão, mistério e os dilemas que só um coração brasileiro sabe sentir.

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Capítulo 6 — A Sombra da Desconfiança

O sol de Santa Maria beijava a pele de Rafael com a mesma intensidade com que o nó em seu estômago se apertava. O aroma de café recém-passado, que antes trazia conforto, agora parecia zombar de sua inquietação. Sentado à mesa da cozinha, com uma xícara intocada fumegando à sua frente, ele revivia cada palavra de Mariana na noite anterior. As informações que ela lhe trouxera eram um veneno lento, insinuando-se em cada canto de sua memória, envenenando a serenidade que ele tanto lutara para construir.

"Você tem certeza disso, Ana?", ele perguntou, o nome de Mariana ecoando baixo em sua garganta. Ele ainda não se acostumara a chamá-la pelo nome que ela havia escolhido para si, como se a própria identidade da mulher que ele amava estivesse envolta em um véu de incertezas.

Ana, sentada à sua frente, com os olhos marejados e uma fragilidade que Rafael nunca vira nela antes, assentiu. "Tenho, Rafa. As provas são contundentes. A forma como ele se desviava das perguntas, as inconsistências em suas histórias... E a carta que encontramos no fundo da gaveta dele... A caligrafia é idêntica àquela que você viu nas minhas fotos antigas."

Rafael fechou os olhos, a imagem da carta que Mariana lhe mostrara surgindo vívida em sua mente. Um bilhete antigo, com palavras de amor e desejo, escrito com uma letra elegante, mas carregada de uma urgência que o perturbara desde o primeiro momento. Na época, ele pensara que fosse de algum admirador antigo de Ana, algo do passado, sem importância. Agora, a possibilidade de que fosse de seu próprio pai, dirigida a alguém que não sua mãe, era um soco no estômago. E se essa "alguém" fosse o próprio amor da vida dele, o homem que ele mal conhecia, mas que sentia uma conexão inexplicável? A ideia era quase insuportável.

"Mas por quê?", ele murmurou, mais para si mesmo do que para Ana. "Por que esconder isso? Por que viver uma mentira por tantos anos?"

Ana pegou a mão de Rafael, os dedos frios e trêmulos. "Talvez ele tivesse medo, Rafa. Medo do que diriam, medo de perder tudo. Nossos pais, naquela época... o preconceito era cruel."

"Preconceito?", Rafael repetiu, uma risada amarga escapando de seus lábios. "Ou talvez fosse apenas uma aventura, um segredo sujo para manter a fachada de família perfeita." A crueldade de sua própria fala o chocou, mas a dor e a confusão o estavam consumindo. Ele amava seu pai. Amava a memória de um homem que ele via como honrado, digno. A ideia de que ele pudesse ter traído sua mãe, sua família, de forma tão profunda, era difícil de digerir.

"Não fale assim!", Ana repreendeu, a voz embargada. "Eu não acredito que nosso pai fosse capaz disso. Ele amava a nossa mãe. Amava nós dois. Mas o amor nem sempre é simples, Rafa. E o coração tem seus próprios caminhos."

Os caminhos do coração. Rafael pensou em Lucas. O turbilhão de sentimentos que o envolvia quando estava perto do escultor era algo que ele nunca experimentara antes. Uma atração avassaladora, um desejo que o tirava o fôlego, mas também uma confusão aterradora. E agora, com essa nova informação sobre seu pai, a confusão se multiplicava. E se Lucas fosse, de alguma forma, um reflexo desse segredo familiar? E se a ligação entre eles fosse mais profunda do que ele imaginava, uma herança de desejos ocultos e paixões proibidas?

"E o Lucas?", Rafael perguntou, a voz saindo rouca. Ele não sabia por que mencionara o nome do escultor. Talvez fosse a necessidade de encontrar alguma lógica em meio ao caos, ou talvez fosse a própria verdade que tentava se impor. "Você acha que ele sabia de alguma coisa?"

Ana hesitou, os olhos fixos no nada. "Não sei, Rafa. Ele era muito jovem na época. Mas ele era o confidente do nosso pai. Não seria impossível que ele tivesse algum conhecimento."

O peso da informação era esmagador. A imagem de seu pai, antes um pilar de retidão, agora se desmoronava em sua mente, revelando camadas de complexidade e talvez de hipocrisia que ele não conseguia compreender. E Lucas, o homem misterioso que roubara seus suspiros, agora parecia estar ligado a esse passado sombrio. Seria o amor que sentia por ele uma mera consequência de um segredo familiar, ou seria algo genuíno, algo que transcendia as teias do passado?

"Eu preciso falar com ele", Rafael decidiu, a voz firme, apesar do tremor interno. Ele precisava de respostas. Precisava confrontar a verdade, por mais dolorosa que fosse.

Ana segurou seu braço com mais força. "Rafa, tenha cuidado. Você não sabe o que pode encontrar."

"Eu não posso mais viver com essa incerteza, Ana. Essa sombra está nos sufocando. Eu preciso trazer a luz para isso."

Naquela tarde, Rafael dirigiu em direção ao ateliê de Lucas, o coração batendo descompassado no peito. O ateliê, um casarão antigo e charmoso nos arredores da cidade, sempre exalava uma aura de mistério e arte. Agora, para Rafael, parecia um portal para um passado que ele precisava desvendar.

Ao chegar, encontrou Lucas em meio a suas obras, o corpo suado e concentrado em dar vida a um bloco de mármore. A luz dourada do entardecer banhava o local, realçando os contornos musculosos do escultor, a intensidade em seu olhar. Rafael sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era ali, naquele santuário de beleza bruta, que ele buscaria as respostas que a sua alma clamava.

"Lucas", Rafael chamou, a voz embargada pela emoção e pela tensão.

Lucas ergueu a cabeça, um sorriso que normalmente iluminaria seu rosto agora carregado de uma curiosidade cautelosa. "Rafael. Que surpresa agradável."

Rafael deu alguns passos para frente, os olhos fixos nos de Lucas. Ele viu a beleza, a força, a paixão que o atraíam. Mas agora, uma nova camada de dúvida se sobrepunha a essa admiração.

"Eu preciso te perguntar algo", Rafael começou, a voz mais firme agora, com uma determinação recém-descoberta. "Algo que pode mudar tudo."

Lucas largou o cinzel, o silêncio no ateliê se tornando palpável. "O que é, Rafael?"

Rafael respirou fundo, o cheiro de poeira e pedra impregnando seus pulmões. "Seu pai... Ele tinha um segredo, Lucas. Um segredo que envolvia um amor proibido."

Os olhos de Lucas se estreitaram, uma sombra de algo indecifrável cruzando seu rosto. "O que você está dizendo, Rafael?"

Rafael sentiu um misto de apreensão e esperança. Ele estava no limiar de uma verdade que poderia libertá-lo ou aprisioná-lo ainda mais. A sombra da desconfiança pairava sobre eles, e ele sabia que não haveria mais volta.

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