Cap. 16 / 25

Amor Verdadeiro

Amor Verdadeiro

por Davi Correia

Amor Verdadeiro

Autor: Davi Correia

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Capítulo 16 — A Tensão no Ar

O sol da manhã beijava as janelas do apartamento de Lucas, mas a luz que entrava parecia fria, sem o calor reconfortante que ele tanto ansiava. A noite anterior havia sido um turbilhão de emoções, um redemoinho de medo, alívio e uma paixão avassaladora que o deixara sem fôlego. O toque de Rafael, a maneira como ele o abraçara, a vulnerabilidade em seus olhos… tudo isso ecoava em sua mente, transformando o silêncio em uma sinfonia de lembranças.

Ele se levantou, sentindo o peso do corpo ainda cansado, mas a mente fervilhava. Precisava ver Rafael. Precisava ter certeza de que ele estava bem, de que o pesadelo tinha realmente acabado. O resgate tinha sido ousado, perigoso, mas a coragem de Rafael o inspirara de uma forma que ele nunca pensara ser possível. A imagem do namorado correndo em sua direção, com um misto de desespero e determinação no rosto, estava gravada em sua alma.

Vestiu-se apressadamente, o coração batendo em um ritmo acelerado. Cada segundo de espera parecia uma eternidade. Ao sair do apartamento, encontrou o prédio estranhamente silencioso. Os vizinhos, geralmente animados nas manhãs de sábado, pareciam se esconder em suas casas. Uma sensação incômoda começou a se instalar em seu estômago.

Ao chegar à rua, o ar estava carregado. Não era apenas a umidade típica da cidade, mas uma tensão palpável, como a eletricidade antes de uma tempestade. Lucas olhou ao redor, seus olhos percorrendo cada canto, cada sombra. A preocupação com Rafael se misturava a um pressentimento sombrio. Ele não conseguia afastar a sensação de que algo estava errado.

Rafael, por outro lado, acordara com uma leve dor de cabeça e um sentimento de euforia. A adrenalina da noite anterior ainda corria em suas veias, mas agora dava lugar a uma calma profunda. Olhou para o lado, para o espaço vazio ao seu lado na cama. Lucas não estava ali. Um leve franzir de testa surgiu em seu rosto. Lucas era sempre o primeiro a acordar, a preparar o café, a preencher o silêncio com sua presença radiante.

Ele se levantou, sentindo o cheiro de café fresco vindo da cozinha. Um sorriso surgiu em seus lábios. Lucas já estava lá, como sempre. Entrou na cozinha, pronto para se aninhar aos braços do namorado, mas a cena que encontrou o deixou apreensivo. Lucas estava sentado à mesa, com uma xícara de café intocada à sua frente, o olhar perdido no vazio, uma expressão de preocupação gravada em seu rosto.

"Lucas? Tudo bem?", Rafael perguntou, aproximando-se dele.

Lucas levantou os olhos, e Rafael viu neles um reflexo de sua própria inquietação. "Rafael… eu não sei. Algo não está certo."

"O quê? O que aconteceu?", Rafael sentou-se em frente a ele, a preocupação substituindo a euforia matinal.

"Eu sinto isso no ar. Uma… ameaça. Como se estivéssemos sendo observados. E o silêncio lá fora… é perturbador." Lucas gesticulou vagamente para a janela.

Rafael franziu a testa. Ele também sentira uma leve estranheza ao acordar, mas atribuíra isso ao cansaço e à intensidade da noite anterior. "Você acha que eles voltaram? Depois de ontem?"

"Não sei. Mas meu instinto grita perigo. E o fato de você não estar aqui quando acordei me deixou ainda mais ansioso." Lucas pegou a mão de Rafael, os dedos entrelaçados com força.

Rafael apertou a mão de Lucas em resposta. "Eu saí para ver se você estava bem. Queria te dar um pouco de espaço para se recuperar, mas eu nunca iria te deixar sozinho por muito tempo." A voz de Rafael era suave, reconfortante.

"Eu sei, meu amor. Desculpe. É só que… ontem foi muito. E essa sensação… não vai embora." Lucas encostou a testa na de Rafael, fechando os olhos.

Rafael passou um braço em volta dos ombros de Lucas, puxando-o para perto. "Eu entendo. Mas juntos, nós somos mais fortes. E se houver algum perigo, vamos enfrentá-lo juntos."

De repente, um barulho alto vindo do corredor do prédio quebrou o silêncio. Um grito, seguido por batidas fortes em uma porta. Lucas e Rafael se entreolharam, o medo tingindo seus olhos.

"O que foi isso?", Lucas sussurrou.

Rafael se levantou, indo em direção à porta do apartamento. "Fique aqui. Eu vou ver."

"Não! Vá comigo", Lucas disse, agarrando seu braço.

"Tudo bem", Rafael concordou, a mão apertando o ombro de Lucas. Juntos, eles abriram a porta do apartamento, espiando cautelosamente para o corredor.

Uma mulher, vizinha deles, estava caída no chão, perto de sua porta, com uma expressão de pânico no rosto. Ao lado dela, um homem com um semblante ameaçador, vestido de preto, com uma expressão fria e calculista.

"O que está acontecendo aqui?", Rafael perguntou, a voz firme, apesar do medo.

O homem se virou lentamente, seus olhos encontrando os de Rafael e Lucas. Um sorriso cruel se formou em seus lábios. "Ora, ora. Se não são os heróis da noite passada."

O pânico tomou conta de Lucas. Ele reconheceu aquele olhar, aquela frieza. Era um dos homens que estiveram no cativeiro.

"O que você quer?", Lucas perguntou, tentando manter a voz firme.

"Algo que me pertence", o homem respondeu, seus olhos fixos em Lucas. "E você, meu caro, me custou caro. Mas nada se compara ao preço que você vai pagar."

O homem deu um passo à frente, e Rafael se colocou instintivamente na frente de Lucas. "Você não vai chegar perto dele."

"Acha que pode me impedir, garoto? Eu não estou sozinho." No mesmo instante, outros dois homens surgiram das sombras do corredor, bloqueando a saída.

A situação escalou rapidamente. O homem à frente dos outros dois avançou, e Rafael o empurrou com força. A briga começou. Lucas, apavorado, tentou puxar Rafael para dentro do apartamento, mas o caos tomou conta. Os outros dois homens o agarraram.

"Rafael!", Lucas gritou, lutando para se soltar.

Rafael, imobilizado por um dos agressores, viu Lucas ser arrastado. "Lucas! Não!", ele gritou, a raiva e o desespero tomando conta de si.

O homem que iniciara a agressão sorriu, um sorriso de pura malevolência. "A diversão está apenas começando." Ele se virou para Lucas, que lutava bravamente, mas era inútil. "Venha conosco. Temos um acordo a cumprir."

Lucas sentiu o desespero invadir seu corpo. Estava preso, de novo. Mas desta vez, Rafael estava do outro lado, em perigo. A imagem de Rafael lutando, de seu olhar determinado em protegê-lo, o impulsionou a uma força recém-descoberta.

"Me solta!", Lucas rugiu, desferindo um chute inesperado que fez um dos homens soltar sua mão. Ele aproveitou a oportunidade e correu em direção a Rafael.

O homem que estava lutando com Rafael se virou para Lucas, mas Rafael o empurrou, aproveitando a distração. Os dois homens que estavam com Lucas se aproximaram, mas Rafael, com uma força que parecia vir de um lugar profundo, conseguiu derrubar o homem que o segurava.

"Vamos, Lucas! Agora!", Rafael gritou, estendendo a mão.

Lucas correu até ele, e juntos, os dois se viraram e correram para dentro do apartamento, batendo a porta com força. Eles ouviram os homens batendo na porta, gritando ameaças.

"Não vai adiantar!", um deles vociferou. "Vocês não vão escapar de novo!"

Lucas e Rafael se encostaram na porta, ofegantes, o coração martelando no peito. A tensão no ar havia se transformado em um perigo real e iminente. Eles estavam presos novamente, mas dessa vez, juntos.

Rafael olhou para Lucas, seu rosto pálido de medo, mas seus olhos ainda ardiam com determinação. "Estamos juntos nisso."

Lucas assentiu, o medo ainda presente, mas a presença de Rafael ao seu lado era um bálsamo. "Sempre."

Eles sabiam que a noite anterior não tinha sido o fim, mas apenas o começo de algo mais perigoso. A armadilha se fechava ao redor deles, e a luta pela liberdade e pelo amor verdadeiro estava longe de terminar.

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