Cap. 19 / 25

Amor Verdadeiro

Capítulo 19 — O Legado do Segredo

por Davi Correia

Capítulo 19 — O Legado do Segredo

O ar dentro do túnel era frio e úmido, com um cheiro terroso que pairava como um perfume antigo. A pouca luz que entrava pela abertura recém-fechada revelava um corredor estreito, com paredes de pedra bruta e um chão irregular. Lucas e Rafael avançaram cautelosamente, cada passo ecoando no silêncio, a adrenalina da perseguição ainda vibrando em seus corpos. O som dos homens do SUV do lado de fora foi gradualmente desaparecendo, substituído pelo murmúrio distante de um riacho subterrâneo.

"Você acha que eles vão tentar entrar?", Lucas sussurrou, a voz ainda trêmula.

Rafael parou, o ouvido colado à pedra da entrada. "É difícil dizer. Essa passagem deve ser bem escondida. Mas se eles desconfiam que estamos aqui, vão tentar de tudo." Ele deu um suspiro profundo, um misto de alívio e apreensão. "Vamos. Precisamos continuar. Não podemos ficar parados aqui por muito tempo."

Eles avançaram mais para dentro do túnel. A escuridão se adensava, e a única luz vinha dos celulares que eles ligaram, emitindo feixes fracos que mal conseguiam perfurar a penumbra. Lucas sentia o peso daquele lugar, a atmosfera carregada de segredos e histórias antigas. Era como se a própria terra guardasse os segredos de seu pai, Rafael.

"O que você acha que ele escondeu aqui, Rafa?", Lucas perguntou, a curiosidade misturada ao medo.

Rafael balançou a cabeça, os olhos perdidos no feixe de luz. "Eu não sei. Ele era um homem de muitos segredos, Lucas. Sempre calculista, sempre à frente de tudo. Acho que isso era um último recurso. Um trunfo que ele guardava para si." Uma sombra de dor cruzou seu rosto. "O pior é pensar que ele usou essa rede para me manipular, para chegar até você. Eu nunca pensei que ele fosse capaz de algo assim."

"Ele te usou, mas você o superou, Rafa. Você o enganou. E você me salvou", Lucas disse, pegando a mão dele. "E agora, vamos descobrir o que é isso e acabar com essa história de uma vez por todas."

A fé inabalável de Lucas era o que mantinha Rafael em pé. Eles continuaram avançando, o túnel se abrindo em uma câmara maior, o som do riacho mais audível. No centro da câmara, uma pequena cachoeira despencava em um lago subterrâneo, a água cintilando sob a luz dos celulares. A beleza do lugar era surpreendente, um refúgio secreto em meio à escuridão.

No fundo da câmara, havia uma escada de pedra que levava a uma plataforma elevada. Ao lado da escada, uma porta de madeira antiga, com entalhes elaborados, chamou a atenção de Lucas.

"Ali!", Lucas apontou. "Parece uma porta."

Rafael assentiu, caminhando em direção a ela. Ele empurrou a porta, que rangeu em protesto, revelando um pequeno cômodo. Era um escritório rústico, com uma mesa de madeira antiga, pilhas de documentos empoeirados e um cofre embutido na parede.

O coração de Rafael acelerou. Ele sabia que estava perto. Ele se aproximou da mesa, vasculhando os papéis. Eram contratos, recibos, anotações crípticas. Eram os vestígios do império ilegal de seu pai.

"É tudo aqui", Rafael murmurou, pegando um envelope grosso. Estava lacrado, com o nome dele escrito em uma caligrafia familiar e elegante. "Uma carta para mim."

Com as mãos trêmulas, Rafael abriu o envelope. A carta era longa, e enquanto ele lia, o rosto dele se tornava cada vez mais pálido. Lucas observava, a ansiedade crescendo a cada palavra que Rafael lia em voz alta.

" 'Meu filho, se você está lendo isso, significa que eu falhei. Falhei em te proteger de mim mesmo, e falhei em proteger você dos meus inimigos. Eu me envolvi com a organização que agora te persegue, pois precisei de seus recursos para um projeto… um projeto que me custou minha alma e, agora, me custa a liberdade. Eu escondi aqui não dinheiro, mas provas. Provas do esquema deles, de suas operações, de todos aqueles que estão envolvidos. Cada nome, cada transação, cada crime. Com essas provas, você pode derrubá-los. Você pode trazer justiça, não só para nós, mas para todas as vítimas que eles fizeram. Eu cometi erros terríveis, Rafael. Perdi o rumo. Mas espero que você, com seu coração puro e sua força de vontade, possa usar isso para o bem. Perdoe-me, meu filho. Viva sua vida. Ame. Seja feliz. Seu pai, que um dia te amou mais do que tudo. ' "

As palavras finais de seu pai pairavam no ar, carregadas de arrependimento e uma desesperada súplica por redenção. Rafael sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos, misturadas a uma raiva profunda e a um sentimento avassalador de perda. Ele havia sido manipulado, mas agora, tinha a chave para acabar com tudo.

"Ele… ele sabia", Rafael sussurrou, a voz embargada. "Ele sabia que eles viriam atrás de mim. E ele escondeu as provas aqui. Para que eu pudesse usá-las."

Lucas abraçou Rafael com força, sentindo a dor do namorado. "Você vai conseguir, Rafa. Juntos. Nós vamos expor tudo. Vamos fazer justiça."

Eles voltaram para a mesa e começaram a organizar os documentos. Havia centenas de páginas, todas detalhando a teia criminosa da organização. Era um trabalho árduo, mas a cada documento que analisavam, a convicção de que eles estavam fazendo a coisa certa crescia.

De repente, um barulho veio da entrada do túnel. Alguém estava tentando abrir a passagem secreta.

"Eles nos acharam!", Lucas exclamou, o pânico voltando.

Rafael rapidamente pegou o cofre. "Temos que pegar as provas e sair daqui. Rápido!" Ele forçou a porta do cofre, que se abriu com um clique. Dentro, havia um disco rígido externo e uma pequena pasta de documentos.

"Pegue isso, Lucas. E vá pela saída de emergência que meu pai mencionou", Rafael disse, entregando a pasta e o disco. "Eu vou tentar ganhar tempo."

"Não, Rafa! Não vou te deixar aqui!", Lucas protestou.

"Você tem que ir! Com essas provas, você pode nos salvar a todos. Eu vou segurá-los o máximo que puder. Eu prometo que vou voltar para você!", Rafael implorou, seus olhos encontrando os de Lucas com uma urgência desesperada.

Lucas hesitou por um momento, o medo dilacerando-o. Mas ele viu a determinação nos olhos de Rafael, a promessa em sua voz. Ele assentiu, o coração apertado.

"Eu volto para você, Rafa. Eu prometo", Lucas disse, antes de se virar e correr para a parte de trás do escritório, onde encontrou outra abertura, mais estreita ainda, que levava para fora da caverna.

Rafael observou Lucas desaparecer na escuridão, sentindo um aperto no peito. Ele sabia o risco que estava correndo, mas era a única maneira. Ele se virou para a entrada principal, onde os homens do SUV finalmente conseguiram abrir a passagem.

"Vocês não vão pegar o que é meu", Rafael disse, sua voz firme, a raiva substituindo o medo.

A luta estava prestes a começar, mas desta vez, Rafael não lutava apenas por si mesmo. Ele lutava pela verdade, pela justiça e pelo amor que sentia por Lucas. O legado do segredo de seu pai se tornara seu fardo, mas também sua arma. Ele esperava que Lucas conseguisse. Ele esperava que o amor deles fosse forte o suficiente para superar a escuridão.

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