Cap. 3 / 25

Amor Verdadeiro

Capítulo 3 — O Jantar Que Mudou Tudo

por Davi Correia

Capítulo 3 — O Jantar Que Mudou Tudo

O convite chegou em uma caixa elegante, de veludo azul escuro, com um laço de fita de cetim prateada. Dentro, um cartão de convite dourado, com a caligrafia impecável de Ana, convidando-o para um jantar em sua casa naquela noite. Era um evento importante, um jantar de noivado antecipado, para apresentar oficialmente Rafael à sua família mais próxima e a alguns amigos íntimos. Rafael sentiu um aperto no estômago. Ele sabia que precisava estar lá, manter as aparências, cumprir o seu papel. Mas a imagem de Mateus, com seu sorriso radiante e seus olhos expressivos, não saía de sua cabeça.

Ele passou o dia em seu escritório, tentando se concentrar em plantas e projetos, mas sua mente divagava. Cada decisão que tomava na sua carreira parecia insignificante diante da magnitude dos seus sentimentos por Mateus. Ele se sentia dividido, um navio à deriva entre dois portos completamente opostos. O porto seguro da sociedade, do dever, do casamento com Ana, e o porto desconhecido, perigoso, mas irresistível, de um amor que ele mal ousava nomear.

Ao final da tarde, ele recebeu uma mensagem de Mateus. Um simples: “Espero que a tinta tenha chegado bem no seu destino. Precisamos conversar sobre o que rolou hoje. Te encontro no Café do Forte, às 20h?”

Rafael sentiu um frio na espinha. Conversar? O que poderia sair dessa conversa? Ele sabia que não deveria. Era arriscado. Ana o esperava. A família dela o esperava. Mas o desejo de ver Mateus, de sentir novamente aquela conexão que os unia, era mais forte do que o bom senso.

“Encontro você lá,” ele respondeu, o coração acelerado.

Naquela noite, enquanto se arrumava para o jantar de noivado, Rafael se olhou no espelho. Ele usava um terno impecável, a gravata perfeitamente alinhada. Parecia o noivo perfeito, o homem bem-sucedido que todos esperavam. Mas por dentro, ele se sentia um impostor.

Ana o esperava no salão de festas da sua mansão, em Ipanema. Ela era deslumbrante em um vestido de seda cor de champagne, seus cabelos loiros presos em um coque elegante. Ela o recebeu com um sorriso radiante, que, para Rafael, parecia um pouco forçado.

“Rafael, meu amor! Pensei que não viria mais,” ela disse, abraçando-o. Seu perfume suave envolvia-o, um aroma familiar que, ironicamente, agora lhe trazia uma sensação de desconforto.

“Eu não perderia por nada, Ana,” ele respondeu, forçando um sorriso.

O jantar foi uma sucessão de conversas polidas, brindes e elogios vazios. Os pais de Ana, um casal influente no meio empresarial, o receberam com sorrisos e cumprimentos efusivos. O pai de Ana, Sr. Drummond, um homem de olhar penetrante e postura impecável, apertou sua mão com força.

“Rafael, meu futuro genro! É um prazer tê-lo em nossa família. Tenho certeza que você e Ana formarão um casal admirável. Um casal que representa o que há de melhor em nossa sociedade.”

Rafael sentiu a ironia daquelas palavras. O que havia de melhor? O sucesso, a aparência, a obediência aos desígnios sociais? E quanto à verdade, aos sentimentos genuínos, ao amor que realmente importava?

Enquanto os convidados discutiam negócios e fofocas, Rafael sentia-se cada vez mais distante. Seus pensamentos voavam para o Café do Forte, para o encontro com Mateus. Ele se perguntava se Mateus já estava lá, esperando. Se ele estava tão ansioso quanto ele.

“Rafael? Está tudo bem?” Ana percebeu sua distração.

“Sim, querida. Só pensando no nosso futuro,” ele mentiu, tentando focar no presente.

Mas a tentação era grande demais. Ele precisava sair. Precisava de ar. Precisava de Mateus.

“Ana, eu preciso sair por um instante. Preciso de um pouco de ar fresco.”

Ana o olhou com surpresa. “Mas… nós ainda nem terminamos a sobremesa.”

“Eu volto logo. Prometo.” Ele se levantou, ignorando os olhares de reprovação de Sr. Drummond.

Rafael saiu apressado para a varanda que dava para a praia. A brisa noturna era revigorante. Ele pegou o celular e discou o número de Mateus.

“Oi, Mateus. Sou eu, Rafael.”

“Rafael! Que bom que ligou. Pensei que não viria mais.” A voz de Mateus era animada.

“Eu não pude esperar. Ana está me matando. Mas eu precisava te ver.”

“Eu também precisava te ver.” A voz de Mateus ficou mais baixa, mais íntima. “Onde você está?”

“Estou na casa dela. Em Ipanema. Mas posso ir até aí. Me encontre na rua. Na entrada do Café do Forte.”

“Estou indo.”

Rafael desligou o telefone e correu para o seu carro. Ele dirigiu o mais rápido que pôde, o coração batendo descompassado. Ao chegar ao Café do Forte, viu Mateus parado na calçada, olhando para a entrada, um leve sorriso no rosto.

Rafael estacionou o carro e saiu, correndo em direção a ele. A luz amarelada do café iluminava o rosto de Mateus, realçando seus traços.

“Você veio,” Mateus disse, a voz suave, quase um sussurro.

“Eu disse que viria,” Rafael respondeu, sentindo a necessidade de tocar em Mateus, de sentir a pele dele. Ele hesitou por um instante, consciente do risco. Mas a atração era forte demais. Ele estendeu a mão e tocou o braço de Mateus.

O toque foi como uma corrente elétrica. Mateus não recuou. Em vez disso, ele colocou sua mão sobre a de Rafael. Seus olhares se encontraram, intensos, cheios de uma pergunta silenciosa.

“Rafael, eu não sei o que está acontecendo entre nós,” Mateus começou, a voz embargada. “Mas eu não consigo parar de pensar em você desde ontem.”

“Nem eu em você, Mateus.” A confissão saiu natural, sem esforço. Rafael sentiu um alívio imenso ao ver que Mateus sentia o mesmo. “Eu… eu estou noivo. De uma mulher que… eu não amo.”

Mateus o olhou com surpresa, depois com compaixão. “Eu sinto muito, Rafael.”

“Não sinta. Sinto por mim mesmo. Por ter me permitido chegar a esse ponto. Mas… você. Você me faz sentir algo que nunca senti antes. Algo real.”

Um silêncio pairou entre eles, carregado de emoções não ditas. O som das ondas quebrando na praia parecia embalar a cena.

“O que você quer de mim, Rafael?” Mateus perguntou, seus olhos fixos nos de Rafael.

Rafael respirou fundo. Era a hora da verdade. Era a hora de arriscar tudo. “Eu quero você, Mateus. Eu quero tentar. Quero descobrir o que é esse sentimento. Quero… te amar.”

Mateus o encarou, a surpresa dando lugar a uma emoção que Rafael não conseguia decifrar. Por um momento, ele temeu ter ido longe demais. Mas então, Mateus sorriu, um sorriso tímido, mas radiante.

“Eu também quero, Rafael. Eu também quero te amar.”

Naquele momento, sob a luz suave do café, com o barulho do mar ao fundo, Rafael sentiu que finalmente havia encontrado o seu rumo. O jantar de noivado, a família de Ana, tudo parecia um sonho distante e irreal. A única realidade era aquele jovem artista à sua frente, com quem ele compartilhava um sentimento puro e avassalador.

Eles passaram a noite conversando, dividindo medos e esperanças. Mateus contou sobre sua vida humilde, sobre a luta para se tornar um artista, sobre a paixão que o movia. Rafael, por sua vez, confessou seus receios, suas angústias, a pressão da família e da sociedade. A cada palavra, a conexão entre eles se fortalecia, o amor que começava a florescer ganhava força e profundidade.

Quando o sol começou a raiar no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e rosados, Rafael sentiu que havia renascido. Ele sabia que o caminho seria difícil, repleto de desafios. A sociedade, a família, Ana… todos seriam obstáculos. Mas pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu esperança. A esperança de um amor verdadeiro, um amor que valia a pena lutar.

“Eu preciso ir,” Rafael disse, relutante. “Ana vai me matar se eu demorar mais.”

Mateus o segurou pela mão, os dedos entrelaçados. “Eu sei. Mas você vai voltar, não vai?”

Rafael apertou a mão de Mateus. “Eu voltarei. Eu prometo.”

Ele voltou para casa, sentindo-se um homem transformado. A culpa ainda existia, mas agora era acompanhada por uma determinação férrea. Ele não podia mais viver uma mentira. O amor verdadeiro, o amor por Mateus, era mais forte do que qualquer medo.

Naquela manhã, o sol parecia brilhar com mais intensidade. O Rio de Janeiro, vibrante e sedutor, parecia abraçá-lo em uma promessa de um futuro novo, um futuro onde o amor, em sua forma mais pura e verdadeira, poderia finalmente florescer.

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