Cap. 6 / 25

Amor Verdadeiro

Amor Verdadeiro

por Davi Correia

Amor Verdadeiro

Por Davi Correia

Capítulo 6 — O Refúgio no Paraíso Esquecido

O ar fresco da serra, carregado com o perfume adocicado de pinheiros e terra úmida, era um bálsamo para a alma atormentada de Miguel. Cada respiração profunda parecia limpar um pouco da poeira e do desespero que o assombravam desde a partida abrupta de São Paulo. Ao seu lado, Leo, com os olhos brilhando de uma mistura de apreensão e uma esperança recém-descoberta, observava a paisagem deslumbrante que se estendia diante deles. A pequena casa, herdada por Leo de uma tia distante, era um refúgio rústico, aninhado entre montanhas que pareciam guardar segredos antigos.

“Você acha que… que conseguiremos ficar aqui? Por quanto tempo?” A voz de Miguel soou baixa, quase um sussurro contra o rugido suave do vento. Ele se aconchegou um pouco mais ao lado de Leo, sentindo o calor reconfortante do corpo dele contra o seu. A decisão de fugir tinha sido impulsiva, desesperada, mas agora, com o silêncio reinando, as dúvidas começavam a roer.

Leo passou um braço pelos ombros de Miguel, puxando-o para mais perto. “Não sei, Mi. Mas… por enquanto, estamos seguros. E isso é o que importa, não é?” Ele beijou o topo da cabeça de Miguel, sentindo os cabelos macios sob seus lábios. “Minha tia era uma senhora peculiar. Gostava de viver isolada. Essa casa tem tudo o que precisamos para começar de novo. Uma cozinha humilde, um fogão a lenha que ela amava, um riacho ali perto que abastece a casa… e acima de tudo, paz.”

Eles haviam chegado na calada da noite anterior, guiados por um GPS teimoso que mal conseguia encontrar o caminho. O carro, que Miguel insistiu em dirigir, parecia um intruso naquele cenário tranquilo. A cidadezinha mais próxima, uma mancha de luzes tênues a quilômetros de distância, oferecia o mínimo de suprimentos. Por ora, eram apenas eles e a imensidão da natureza.

Os primeiros dias foram um misto de adaptação e uma estranha euforia. Miguel, acostumado ao ritmo frenético da metrópole, encontrou dificuldade em desacelerar. Passava horas sentado na varanda, olhando para o horizonte, como se esperasse ver uma sombra familiar surgir entre as árvores. Leo, por outro lado, parecia florescer naquele ambiente. Ele se dedicava aos pequenos reparos da casa, buscando lenha para o fogão, explorando os arredores com uma curiosidade infantil.

Uma tarde, enquanto Miguel observava Leo cortar lenha com uma precisão surpreendente, um fragmento de memória o atingiu com força. O riso de Leo, o brilho nos seus olhos quando ele falava sobre os pequenos prazeres da vida, as conversas profundas que eles compartilhavam. Era ali, naquele isolamento, que ele se sentia mais perto de Leo do que nunca.

“Leo?” Miguel se aproximou, sentando-se em um tronco caído a poucos metros dele.

Leo parou o machado no ar, limpando o suor da testa com as costas da mão. “Sim, amor?” A palavra, dita com naturalidade, ainda fazia o coração de Miguel disparar.

“Eu estava pensando… sobre tudo. Sobre o que deixamos para trás.” Miguel hesitou, buscando as palavras certas. “Você… você não se arrepende?”

Leo largou o machado e caminhou até Miguel, sentando-se ao seu lado. A simplicidade daquele gesto era tocante. “Arrependimento, Mi? Arrependimento é ficar preso a uma vida que te sufoca. Arrependimento é não ter a coragem de buscar a felicidade. Eu… eu tinha medo. Muito medo. Mas vendo você aqui, tão… real, tão perto… Eu não me arrependo de nada que me trouxe até aqui.” Ele tomou a mão de Miguel entre as suas. “E você? Você se arrepende de ter vindo?”

Miguel apertou a mão de Leo, sentindo a força e a ternura ali contidas. “Não. Não me arrependo. Deixei muita coisa para trás, sim. Minha carreira, minha família… mas o que eu tenho aqui, com você, é… é insubstituível. É o que eu sempre quis, mesmo sem saber.”

A noite caiu, trazendo consigo um céu estrelado de uma beleza indescritível. A ausência de poluição luminosa revelava um espetáculo cósmico que Miguel nunca tinha presenciado. Sentados na varanda, enrolados em um cobertor surrado, eles observavam as constelações.

“Olha, Leo, a Ursa Maior!”, Miguel apontou, sentindo uma pontada de nostalgia pelas aulas de astronomia que adorava na infância.

Leo riu suavemente. “Você sempre foi o mestre das estrelas, não é?”

“E você sempre foi o meu sol”, Miguel respondeu, e o sorriso de Leo iluminou a escuridão.

Os dias se transformaram em semanas. A rotina na serra se estabeleceu. Acordar com o canto dos pássaros, o cheiro de café fresco, as conversas tranquilas à beira do fogão a lenha. Leo descobriu que tinha um talento nato para jardinagem e começou a plantar uma pequena horta. Miguel, por sua vez, passava horas lendo os livros empoeirados que encontrou na casa, redescobrindo o prazer da leitura sem pressa.

Um dia, enquanto exploravam uma trilha próxima, eles chegaram a uma cachoeira escondida. A água cristalina descia em cascata por rochas musgosas, formando uma piscina natural de águas geladas. Sem hesitar, Leo tirou a camisa e mergulhou, convidando Miguel a se juntar a ele.

“Vem, Mi! A água está revigorante!”, ele gritou, rindo enquanto espirrava água em Miguel.

Miguel, inicialmente receoso, sentiu a adrenalina subir. Ele tirou a camisa, revelando um corpo ainda magro, mas com músculos tonificados pelo esforço físico das últimas semanas. O olhar de Leo percorreu o corpo dele com uma admiração silenciosa que fez Miguel corar.

Mergulharam juntos, sentindo a água fria lavar o cansaço e as preocupações. Brincaram como crianças, lutando sob a cascata, rindo sem parar. Naquele momento, ali, naquele paraíso esquecido, eles eram apenas dois amantes, livres e felizes. Miguel olhou para Leo, para a alegria genuína em seus olhos, e soube que, apesar de tudo, eles haviam encontrado o seu próprio tipo de paraíso. Era um paraíso construído com coragem, com sacrifício, e, acima de tudo, com um amor verdadeiro que desafiava todas as probabilidades. A vida na serra era simples, dura às vezes, mas repleta de uma paz e uma felicidade que Miguel jamais imaginara ser possível. Ele se sentia renascido, e sabia que tudo isso era graças ao homem que o amava incondicionalmente.

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