Cap. 7 / 25

Amor Verdadeiro

Capítulo 7 — Sombras do Passado, Sussurros do Medo

por Davi Correia

Capítulo 7 — Sombras do Passado, Sussurros do Medo

A tranquilidade na serra, embora palpável e reconfortante, não conseguia apagar completamente as lembranças nebulosas de um passado que teimava em assombrá-los. Certo final de tarde, enquanto preparavam o jantar na cozinha rústica, um barulho inesperado no portão da propriedade fez os corações de Miguel e Leo dispararem em uníssono. O som de um carro se aproximando era algo que eles não ouviam há semanas.

Miguel largou a faca sobre a tábua de cortar, o rosto pálido. “Quem poderia ser?”, ele sussurrou, os olhos arregalados em pânico. A possibilidade de alguém tê-los encontrado era um fantasma que pairava constantemente sobre suas cabeças.

Leo, com a mesma apreensão, mas com uma determinação férrea no olhar, aproximou-se de Miguel, segurando suas mãos. “Fique calmo, Mi. Vamos ver quem é. Se for alguém que conhecemos, fingimos que não estamos em casa. Se for… outra coisa… a gente dá um jeito.” A frieza na voz de Leo escondia a tempestade de ansiedade que ele sentia. Ele sabia que a paz que haviam construído era frágil, e qualquer ameaça externa poderia desmoroná-la.

Eles se aproximaram da janela da cozinha, que dava para a entrada da propriedade. A luz fraca do crepúsculo revelava um carro escuro, luxuoso, parado em frente ao portão de madeira desgastada. O modelo era inconfundível, um dos tantos que Miguel via todos os dias em São Paulo. O motorista, um homem uniformizado, desceu do carro e, com um leve esforço, abriu o portão.

“Não pode ser”, Miguel engasgou, a voz embargada. “É ele. É o motorista do meu pai.”

O medo se instalou de forma avassaladora. Sabiam que não era uma coincidência. Alguém havia os encontrado. A figura alta e esguia de um homem, vestindo um terno impecável, desceu do banco do passageiro. Era o Dr. Almeida, o advogado da família de Miguel, um homem frio e calculista, que Miguel sempre desconfiou.

“Eles nos rastrearam”, Miguel murmurou, o desespero começando a tomar conta. “Como eles souberam?”

Leo apertou as mãos de Miguel com mais força. “Não importa como. O que importa é o que faremos agora. Temos que sair daqui. Agora.” Ele olhou ao redor, procurando uma rota de fuga. A casa tinha uma porta dos fundos que dava acesso a um pequeno bosque, e de lá, eles poderiam tentar se esconder na mata.

“Eles vão nos obrigar a voltar, Leo”, Miguel disse, a voz trêmula. “Meu pai não vai desistir. Ele vai me arrastar de volta.” A ideia de ser separado de Leo era insuportável.

“Não vamos permitir”, Leo respondeu com convicção. “Vamos usar a porta dos fundos. E você, Mi, vai para o bosque. Eu vou distraí-los. Diga a eles que você se perdeu na mata, que está desorientado. Se eles não acreditarem… eu vou dar um jeito. Mas você tem que ir. Para longe.”

A urgência na voz de Leo era um grito de alarme. Miguel assentiu, a garganta seca de medo. Correram para a porta dos fundos, com os passos abafados pela madeira do assoalho. Ao saírem para o bosque, Miguel parou, olhando para Leo.

“Leo, não! Eu não vou te deixar sozinho!”

“Você tem que ir, Miguel! É a única chance que temos. Eu não posso te perder. Vai! Por favor!” Leo implorou, os olhos suplicantes. Ele deu um beijo rápido nos lábios de Miguel, um beijo carregado de amor e despedida. “Eu te amo.”

Com o coração partido, Miguel se virou e correu para a escuridão da mata, ouvindo os passos apressados de Leo se afastando na direção da entrada principal. Ele se embrenhou entre as árvores, o som de seus próprios passos se misturando ao farfalhar das folhas. O coração batia descompassado, cada galho que estalava, cada sussurro do vento, parecia ser a voz de seus perseguidores.

Distante dali, na entrada da propriedade, o Dr. Almeida observava Leo com um olhar frio. O motorista, um homem corpulento, permaneceu ao seu lado.

“Onde está Miguel?”, a voz de Almeida era cortante, sem qualquer vestígio de emoção.

Leo respirou fundo, tentando controlar o tremor em sua voz. “Miguel… ele saiu para caminhar mais cedo. Não voltou ainda. Acho que ele se perdeu na mata. Ele não conhece bem a região.”

Almeida franziu o cenho, um leve brilho de desconfiança em seus olhos. “Se perdeu? Interessante. Seu pai está muito preocupado, Leo. Ele enviou-nos para trazê-lo de volta, não importa como.”

“Ele não vai voltar. Ele não quer voltar”, Leo disse, a voz ganhando firmeza. “Ele encontrou um lugar aqui. Ele está feliz.”

Almeida soltou uma risada seca. “Feliz? Um jovem da sua estirpe, fugindo de sua vida e de suas responsabilidades por um… romance passageiro? Seu pai não pensa assim. Ele acredita que você é uma má influência, que está corrompendo o futuro de Miguel.”

As palavras de Almeida atingiram Leo como um golpe. A humilhação e a raiva borbulhavam dentro dele. “Eu não estou corrompendo ninguém. Eu amo Miguel. E ele me ama.”

“Amor, garoto? O que você sabe sobre amor? O amor verdadeiro é sobre proteger o que é seu, sobre garantir um futuro digno. Não sobre fugir para o nada com alguém que não te acrescenta nada.” Almeida deu um passo à frente, o olhar fixo em Leo. “Seu pai está disposto a pagar bem para que você colabore. Para que você nos ajude a trazer Miguel de volta. Ele é um homem de palavra.”

Leo sentiu um nó na garganta. A oferta, por mais obscura que fosse, o fez pensar. Pensar em Miguel, no futuro que poderiam ter, na luta que enfrentariam. Mas ele não podia trair Miguel. Não podia entregá-lo aos caprichos de um pai autoritário.

“Eu não vou colaborar”, Leo disse, a voz firme, mas com um toque de tristeza. “Miguel está onde quer estar. E eu estou com ele. Se vocês querem encontrá-lo, terão que passar por cima de mim.”

Almeida o encarou por um longo momento, uma expressão indecifrável no rosto. Ele sabia que Leo não cederia. “Tudo bem, garoto. Você escolheu seu lado. Mas lembre-se, a vida é cheia de escolhas. E nem todas elas são fáceis. Vamos vasculhar a mata. E se não o encontrarmos… bem, ele não pode se esconder para sempre. O mundo de Miguel é muito maior do que essa… cabana.”

Enquanto Almeida e o motorista se afastavam em direção ao bosque, Leo sentiu um frio na espinha. Ele sabia que a batalha estava apenas começando. Ele precisava encontrar Miguel, avisá-lo, e juntos, encontrar um novo plano. A fuga para o paraíso havia sido interrompida, e as sombras do passado haviam voltado para assombrá-los com mais força do que nunca. O medo era real, mas a determinação de proteger Miguel era ainda maior. Ele não cederia, não se renderia. O amor que sentia por Miguel era a sua arma mais poderosa, e ele a usaria até o fim.

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