Cap. 8 / 25

Amor Verdadeiro

Capítulo 8 — A Fuga na Madrugada, o Rastro Deixado

por Davi Correia

Capítulo 8 — A Fuga na Madrugada, o Rastro Deixado

O silêncio da mata era enganador. Sob a cobertura das árvores antigas, o medo de Miguel se transformava em uma adrenalina pura. Cada sombra parecia esconder um perigo, cada ruído se tornava o som de passos que se aproximavam. Ele corria sem rumo, impulsionado apenas pelo instinto de sobrevivência e pela imagem desesperada de Leo ficando para trás, enfrentando aqueles homens. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, um misto de pânico e uma dor profunda pela separação forçada.

Ele tropeçou em raízes expostas, arranhou as mãos e o rosto em galhos baixos, mas não parou. A urgência era sufocante. Precisava se afastar o máximo possível, dar a Leo a chance de agir, de pensar. Ele se lembrava das histórias que Leo contava sobre a região, sobre caminhos menos percorridos, sobre antigas trilhas de caçadores que levavam a lugares remotos. Se Leo pudesse ganhar tempo, talvez conseguisse guiá-lo até lá.

O céu escureceu completamente, e a lua, escondida atrás de nuvens espessas, não oferecia qualquer luz. Miguel sentia-se perdido, não apenas na mata, mas em sua própria existência. Aquele refúgio que parecia tão seguro, tão promissor, agora se revelava apenas mais um capítulo em sua luta pela liberdade. Ele parou por um instante, ofegante, apoiando-se em um tronco grosso. Ouviu o som distante de vozes, chamando seu nome. Eram eles. O desespero o atingiu novamente.

“Miguel! Miguel, onde você está?” A voz de Almeida soava fria e autoritária, ecoando pela mata.

Miguel se agachou, escondendo-se atrás de um arbusto denso. O coração martelava em seu peito. Ele sabia que não podia ser encontrado. Não agora. Não enquanto Leo ainda estivesse lá, tentando protegê-lo. Ele se forçou a controlar a respiração, tentando imitar os sons da natureza ao seu redor. As vozes foram se aproximando, mas pareciam hesitantes, incertas. Era um bom sinal. Leo estava conseguindo confundi-los.

Os minutos se arrastaram em uma eternidade. Miguel permaneceu imóvel, sentindo o frio da terra penetrar suas roupas finas. A preocupação com Leo era um peso insuportável. O que eles fariam com ele? Ele havia confiado tudo a Leo, e agora o colocava em perigo.

Finalmente, as vozes começaram a se afastar, perdendo-se na vastidão da mata. Eles não o encontraram. Uma onda de alívio, misturada à exaustão, tomou conta de Miguel. Ele esperou mais alguns minutos, certificando-se de que o perigo imediato havia passado, antes de se levantar. Precisava continuar. Precisava encontrar um lugar seguro até que pudesse ter notícias de Leo.

Ele se lembrou de uma antiga cabana de lenhadores que Leo mencionou uma vez, que ficava a algumas horas de caminhada rio acima. Era um lugar abandonado, isolado, perfeito para se esconder. Com renovada determinação, Miguel seguiu em frente, guiando-se pelo som distante do riacho. Cada passo era uma oração silenciosa por Leo.

Enquanto isso, Leo observava Almeida e o motorista se embrenharem na mata com lanternas, suas vozes se tornando cada vez mais distantes. Ele sabia que não poderia detê-los por muito tempo. Precisava agir rapidamente. Voltou para a casa, o coração apertado. Encontrou a pequena horta que havia começado, a terra revirada, as mudas frágeis. Era um pedaço de seu futuro com Miguel, ali, exposto e vulnerável.

Rapidamente, ele pegou uma mochila, encheu-a com algumas provisões básicas: água, um pouco de pão que haviam guardado, um facão afiado que pertencia à sua tia. Se Miguel precisasse se esconder por mais tempo, ele precisaria dessas coisas. Ele também pegou um pequeno cantil com um líquido amarelado. Era uma tintura forte que sua tia usava para dores musculares, mas que, em doses maiores, poderia ser usada para outros fins. Um plano desesperado começava a se formar em sua mente.

Com a mochila nas costas, Leo se dirigiu ao portão, onde o carro de Almeida ainda estava estacionado. O motorista estava encostado no veículo, fumando um cigarro.

“Eles encontraram o garoto?”, o motorista perguntou, a voz rouca.

“Não”, Leo respondeu, tentando manter a calma. “Ele se perdeu na mata. Ele deve estar assustado.”

Almeida emergiu das árvores, o rosto marcado pela frustração. “Ele não está em lugar nenhum. Você está mentindo para nós, garoto.”

“Eu não estou mentindo”, Leo disse, olhando diretamente nos olhos de Almeida. “Miguel não vai voltar. Ele encontrou paz aqui. Ele está livre.”

Almeida deu um passo à frente, o punho cerrado. “Liberdade? A única liberdade que ele terá é a que eu conceder a ele. E ele está prestes a perder tudo o que tem, por causa de você.”

Leo sentiu um arrepio. Sabia que precisava sair dali. “Eu vou tentar encontrá-lo. Se eu o vir, direi que vocês estão aqui.” Era uma mentira calculada, para ganhar tempo.

Almeida o observou por um longo momento, a desconfiança pairando no ar. “Não se atreva a fugir, garoto. A floresta é grande, mas a minha paciência não é.” Ele se virou para o motorista. “Fique de olho nele. Se ele tentar qualquer coisa… você sabe o que fazer.”

Leo saiu pelo portão, sentindo o peso do olhar do motorista em suas costas. Assim que se afastou o suficiente, ele acelerou o passo, entrando na mata. Ele não pretendia encontrar Miguel para levá-lo de volta. Ele pretendia guiá-lo para mais longe, para um lugar onde pudessem realmente recomeçar. Ele sabia que Almeida não desistiria facilmente. Precisava ser mais esperto, mais rápido.

Na escuridão, Miguel finalmente avistou a silhueta precária da cabana de lenhadores. Estava em ruínas, com o telhado parcialmente desabado e janelas quebradas, mas era um abrigo. Entrou com cautela, o cheiro de mofo e madeira velha invadindo suas narinas. O interior era escuro e sombrio, mas ele se sentiu um pouco mais seguro ali. Ele se sentou no chão empoeirado, abraçando os joelhos, exausto e apavorado. Pensava em Leo, em sua coragem, em seu amor. Ele precisava acreditar que Leo ficaria bem.

Horas depois, quando a primeira luz do amanhecer começou a tingir o céu, Miguel ouviu um som familiar. Um som que o fez levantar em um pulo, o coração disparado de esperança e apreensão. Era o som de passos se aproximando, mas desta vez, não eram passos ameaçadores. Eram passos cautelosos, mas decididos.

“Miguel?”, uma voz suave o chamou. Era Leo.

Miguel correu para a entrada da cabana, encontrando Leo parado ali, com a mochila às costas e um sorriso aliviado nos lábios. Ele estava ferido, um corte no braço que Leo rapidamente cobriu com um pedaço de pano.

“Leo! Você está bem!”, Miguel exclamou, abraçando-o com força. “Eu pensei que… que eles tivessem te pegado.”

Leo retribuiu o abraço, sentindo o alívio tomar conta de si. “Eu estou bem, Mi. Eles me deixaram ir. Pensaram que eu estava cooperando.” Ele se afastou um pouco, os olhos cheios de uma determinação sombria. “Mas Almeida não vai desistir. Ele vai continuar procurando. Nós temos que ir agora. Para bem longe daqui.”

Leo tirou da mochila a água e o pão, oferecendo a Miguel. “Coma. Você precisa de forças.” Ele então tirou o pequeno cantil com a tintura amarelada. “E isso… isso pode nos ajudar a despistar a perseguição, se necessário.” Ele explicou, com um brilho nos olhos, como sua tia costumava usar a planta para camuflar cheiros. “Vamos tentar usar os rios, os caminhos menos conhecidos. Precisamos desaparecer de vez.”

Miguel assentiu, sentindo uma nova esperança surgir em seu peito. A coragem de Leo era inspiradora. Juntos, eles enfrentariam qualquer coisa. A fuga na madrugada havia sido aterrorizante, mas também havia reforçado o laço que os unia. Eles haviam deixado para trás o refúgio na serra, um rastro de medo e incerteza, mas estavam juntos, e isso era o que mais importava. A próxima etapa da jornada seria ainda mais perigosa, mas com Leo ao seu lado, Miguel sentia que, pela primeira vez, a palavra "impossível" não se aplicava mais a eles.

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