Amor Inesperado III

Capítulo 24 — O Jogo das Sombras

por Enzo Cavalcante

Capítulo 24 — O Jogo das Sombras

O apartamento de Lucas, antes um refúgio de paz e intimidade, agora parecia um quartel-general improvisado. Os documentos da caderneta do pai de Rafael estavam espalhados pela mesa de centro, junto com anotações feitas às pressas por Lucas. A atmosfera estava tensa, carregada pela adrenalina da fuga e pela gravidade das descobertas.

“Eu não acredito que meu pai estava envolvido com algo assim,” Rafael disse, a voz embargada pela incredulidade e pela decepção. Ele pegou uma das folhas, onde os símbolos do dragão se repetiam, e a amassou com força na mão. “Um esquema de contrabando? Com o nome ‘Dragão Dourado’? É surreal.”

Lucas sentou-se ao lado dele, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. “Eu sei que é difícil de aceitar, meu amor. Mas é o que parece. E o pior é que essa gente sabe quem você é. Eles te viram, te reconheceram. Agora eles sabem que você está ciente do passado dele.”

“Eles querem algo,” Rafael murmurou, olhando para as anotações. “A caderneta falava sobre ‘o pacote’ e ‘a garantia’. Eles devem querer recuperar algo que meu pai roubou, ou escondeu, antes de desaparecer.”

“Ou eles querem que você assuma o lugar dele,” Lucas acrescentou, a mente trabalhando em alta velocidade. “Se o seu pai sumiu, eles podem estar procurando um novo peão. E quem melhor do que o filho dele para assumir o controle?”

Rafael estremeceu com a ideia. Ser arrastado para o mundo criminoso de seu pai era o seu pior pesadelo. “Não. Eu não posso. Eu não vou. Eu tenho você, Lucas. Eu tenho uma vida. Eu não quero essa vida sombria.”

“E você não vai ter,” Lucas disse com firmeza, virando o rosto de Rafael para encará-lo. “Nós vamos encontrar uma saída. Mas precisamos jogar o jogo deles, por enquanto. Não podemos demonstrar fraqueza, nem medo. Precisamos descobrir o que eles querem exatamente.”

Rafael assentiu, a determinação começando a substituir o desespero. “Mas como? Se eles sabem quem eu sou, eles podem me contatar a qualquer momento. E eu não tenho a menor ideia do que eles esperam de mim.”

Lucas apontou para a caderneta. “Nós temos algumas pistas. O endereço onde estivemos hoje. O nome ‘Dragão Dourado’. O símbolo do dragão. E a menção a um ‘portador do anel’. Talvez possamos usar isso para provocar uma reação deles. Fazer com que eles se revelem.”

“Provocar?” Rafael ergueu uma sobrancelha. “Como?”

“Podemos espalhar uma informação. Algo que eles possam ouvir. Algo que os faça pensar que você está disposto a cooperar, ou que você tem o que eles procuram.” Lucas pensou por um momento. “Por exemplo, podemos espalhar um boato de que você está pesquisando sobre os negócios antigos do seu pai, que você está se tornando mais ativo em relação ao seu legado.”

Rafael franziu a testa. “Mas isso não pode ser muito óbvio. Eles podem desconfiar.”

“Exatamente. Precisamos ser sutis. Talvez através de alguém que possa ouvir e repassar a informação. Alguém que tenha contato com o submundo, ou que conheça pessoas que o tenham.” Lucas olhou para Rafael. “Você conhece alguém assim?”

Rafael pensou em seu círculo social, em seus conhecidos. Havia algumas pessoas que, embora não estivessem diretamente envolvidas, tinham um pé em certos ambientes. Uma delas era Marco, um ex-colega de faculdade que trabalhava com segurança em casas noturnas e eventos, e que sempre parecia saber de tudo o que acontecia na cidade.

“Conheço um cara, o Marco,” Rafael disse. “Ele é um pouco… fofoqueiro, mas confiável. Ele pode espalhar um boato sem que pareça planejado. Ele tem muitos contatos.”

“Perfeito,” Lucas sorriu, um sorriso estratégico que Rafael conhecia bem. “Você entra em contato com ele. Diga que está interessado em revisitar o passado do seu pai, em entender melhor o legado dele. Não mencione nada sobre ameaças ou perigos. Apenas mostre um interesse genuíno. Eles vão ouvir.”

Rafael suspirou, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. “É arriscado.”

“Todo esse jogo é arriscado,” Lucas respondeu, pegando a mão de Rafael. “Mas nós faremos isso juntos. Eu estarei ao seu lado, monitorando tudo, te protegendo.”

A confiança nos olhos de Lucas era um farol em meio à escuridão. Rafael sentiu uma onda de coragem. Ele sabia que não poderia fugir para sempre. A única saída era enfrentar o fantasma de seu pai e as consequências de seus atos.

Na manhã seguinte, Rafael encontrou Marco em um café no Leblon, um lugar frequentado por pessoas que gostavam de ostentar. Marco, com seu sorriso largo e seu jeito despojado, parecia alheio ao perigo que envolvia Rafael.

“E aí, Rafa! Que surpresa te ver por aqui. Sumido, hein?” Marco cumprimentou, sentando-se à frente de Rafael.

“Oi, Marco. Precisava falar com você. Assunto pessoal.” Rafael tentou manter a voz casual.

“Na minha área você sabe que pode confiar em tudo. Manda a ver.”

Rafael respirou fundo. “Estou pensando em… revisitar algumas coisas do meu passado. Especificamente, os negócios antigos do meu pai. Ele tinha uma vida complexa, e eu nunca realmente entendi tudo. Queria entender melhor o legado dele.”

Marco ergueu uma sobrancelha, curioso. “O seu pai? Aquele empresário renomado? Interessante. O que te deu essa vontade de repente?”

“Ah, sei lá. Uma questão de… autoconhecimento, talvez,” Rafael deu de ombros, um sorriso forçado. “Queria saber se você conhece alguém que possa me dar alguma luz. Alguém que talvez tenha lidado com ele na época, ou que conheça o meio empresarial daquela época. Alguém que possa falar sobre… o tipo de negócios que ele fazia.”

Marco ponderou por um instante, mordiscando um pedaço de pão. “Olha, Rafa, você sabe que eu não me meto em coisa suja, mas o mundo é pequeno. E no meu ramo, as pessoas falam. Se o seu pai era um homem influente, é provável que alguém lá fora se lembre dele, e talvez até do tipo de gente com quem ele andava. Vou perguntar por aí. Sem promessas, mas vou ficar de ouvido aberto.”

“Obrigado, Marco. Isso seria de grande ajuda,” Rafael disse, sentindo um leve alívio.

Enquanto se despediam, Rafael tinha a sensação de que havia jogado a isca. Agora, era esperar para ver se o predador morderia.

De volta ao apartamento de Lucas, eles aguardavam ansiosamente. As horas se arrastavam. Cada toque no celular, cada sombra que passava pela janela, era motivo de tensão.

Então, aconteceu. Por volta do final da tarde, o celular de Lucas apitou com uma mensagem de um número desconhecido. A mensagem era curta e enigmática:

“O legado de um homem é pesado. Se você deseja carregá-lo, precisa provar que é digno. O Dragão Dourado espera por você. Na antiga fábrica de tecidos, amanhã à noite. Sozinho.”

Lucas leu a mensagem em voz alta, o tom de sua voz cada vez mais grave. Rafael sentiu um aperto no peito. A isca havia sido mordida. O jogo das sombras havia começado, e ele estava prestes a entrar no campo de batalha.

“A antiga fábrica de tecidos…” Rafael murmurou. “É um lugar isolado. Perfeito para um encontro secreto.”

“Sozinho,” Lucas repetiu a palavra com uma ponta de preocupação. “Eles não querem que eu vá com você.”

“Eles não sabem que você existe,” Rafael retrucou, a mão buscando a de Lucas. “Eles acham que eu estou agindo sozinho. É por isso que temos que ser ainda mais cuidadosos. Você vai ficar de fora, monitorando tudo. E se algo sair errado, você sabe o que fazer.”

Lucas assentiu, o olhar sério. “Não se preocupe. Eu estarei lá. Cada passo do caminho. Mesmo que você não me veja.”

Rafael o olhou profundamente, o amor e a gratidão transbordando. Ele sabia que se arriscava tudo, mas a necessidade de proteger Lucas, de garantir um futuro para eles, era mais forte do que o medo.

“Vamos descobrir o que eles querem,” Rafael disse, a voz firme. “E vamos acabar com isso.”

A noite caiu sobre o Rio de Janeiro, e as sombras da fábrica de tecidos pareciam chamar Rafael para um confronto inevitável. O jogo das sombras estava em andamento, e ele estava determinado a vencer.

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