Amor sem Máscaras II

Capítulo 14 — A Sedução da Verdade e o Preço da Liberdade

por Enzo Cavalcante

Capítulo 14 — A Sedução da Verdade e o Preço da Liberdade

Os dias que se seguiram à reconciliação de Lucas e Gabriel foram marcados por uma intensidade renovada. O amor, antes velado pelas máscaras da desconfiança, agora se revelava em sua forma mais crua e apaixonada. Cada toque, cada beijo, era uma afirmação de que eles haviam escolhido um ao outro, apesar das feridas e das incertezas.

Gabriel, sentindo a liberdade florescer em seu peito, decidiu tomar medidas drásticas. Ele marcou uma reunião com Victor, o braço direito de seu pai, para anunciar oficialmente sua intenção de assumir o controle e, ao mesmo tempo, se desvincular dos negócios escusos que o legado de seu pai representava. Ele sabia que seria um confronto perigoso, mas sentia que era o momento de enfrentar o passado de vez.

Lucas, embora receoso com a audácia de Gabriel, compreendia a necessidade desse passo. Ele estava ao lado de Gabriel, um apoio silencioso, mas firme. Ele sabia que o amor deles era a força que impulsionava Gabriel a lutar por sua liberdade, e ele não o deixaria sozinho nessa batalha.

A reunião com Victor aconteceu em um escritório luxuoso, com móveis de mogno e quadros de paisagens austeras que pareciam refletir a frieza de seu dono. Victor, um homem de meia-idade com cabelos grisalhos e olhos penetrantes, recepcionou Gabriel com um sorriso polido, mas vazio de calor.

“Gabriel, meu rapaz. Que bom vê-lo. Sente-se”, disse Victor, gesticulando para uma poltrona de couro. “Sua mãe me informou sobre seus planos. Uma decisão… ousada.”

Gabriel sentou-se, mantendo uma postura firme. “É a minha decisão, Victor. Eu não serei mais uma marionete nas mãos do meu pai. Eu quero construir algo novo. Algo limpo.”

Victor riu, um som seco e sem humor. “Limpo? Gabriel, você nasceu no meio da lama. Seu pai construiu um império com seus métodos. Tentar se afastar disso é… ingênuo.”

“Eu prefiro ser ingênuo e ter a minha consciência tranquila do que ser como ele”, respondeu Gabriel, a voz firme. “Eu quero me desfazer de todas as operações ilegais, de todas as ligações obscuras. Eu quero que a empresa seja legítima.”

Victor inclinou-se para frente, o sorriso desaparecendo, substituído por uma expressão de frieza calculista. “Legítima? E você acha que isso é possível? Que essas pessoas que você chama de ‘ligações obscuras’ vão simplesmente… desaparecer? Elas exigem seu pagamento, Gabriel. E o seu pai sempre soube como pagá-las.”

“Eu me encarregarei de fazer os pagamentos necessários para encerrar essas relações. Não se preocupe”, disse Gabriel, com um tom de finalidade.

“Você não entende, meu rapaz”, continuou Victor, os olhos fixos em Gabriel. “Você é um Cavalcante. A força, a astúcia… isso corre em seu sangue. Seu pai nunca se desvinculou de nada. Ele usava as pessoas, as moldava à sua vontade. E você… você está sendo fraco. Está se deixando levar por… sentimentos. Sua mãe me disse que você anda diferente. Mais… sentimental. Por causa de um certo rapaz, não é?”

Gabriel sentiu o sangue gelar. A menção a Lucas era uma clara tentativa de manipulação. “O que Lucas tem a ver com isso? Ele não tem nada a ver com os seus negócios.”

“Ah, mas ele tem tudo a ver, Gabriel. Se você cair, ele cai com você. Seu pai sempre soube como usar os pontos fracos de seus inimigos. E você, meu caro, está exibindo seu ponto fraco em praça pública.” Victor fez uma pausa, um brilho perigoso em seus olhos. “Sei que você e o seu… amigo… têm planos de ir para a Europa em breve. Uma viagem para esquecer o passado, talvez? Uma viagem de lua de mel?”

Lucas, que esperava do lado de fora da sala, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele não podia ouvir a conversa inteira, mas a tensão que emanava de Gabriel, a postura defensiva que ele assumiu, era perceptível. Ele se encostou na parede, o coração batendo acelerado.

De volta à sala, Gabriel se levantou, a raiva borbulhando em seu interior. “Não ouse falar dele. Lucas não tem nada a ver com o legado sujo do meu pai. E eu não vou permitir que você o use contra mim.”

Victor sorriu, um sorriso de escárnio. “Eu não estou usando ninguém, Gabriel. Estou apenas te alertando. A liberdade tem um preço. E às vezes, esse preço é alto demais para ser pago por um casal de apaixonados.” Ele se levantou também, aproximando-se de Gabriel. “Se você insistir em se afastar, em ‘limpar’ tudo isso… pode ser que você perca mais do que a empresa. Pode ser que você perca tudo. E eu não gostaria de ver você acabar como seu pai. Sozinho, em uma cama de hospital, lamentando todas as oportunidades que você deixou escapar.”

Gabriel empurrou Victor levemente, a mão tremendo de raiva. “Saia do meu caminho, Victor. Eu não vou ceder às suas ameaças.”

Victor não recuou, um olhar de desafio em seus olhos. “Como quiser, Gabriel. Mas lembre-se: o passado nunca morre. Ele apenas espera o momento certo para voltar a assombrar.”

Gabriel saiu da sala, o eco das palavras de Victor em seus ouvidos. Ele encontrou Lucas na porta, o rosto pálido de preocupação.

“O que ele disse?”, perguntou Lucas, segurando o braço de Gabriel com força.

Gabriel olhou para ele, a intensidade em seus olhos diminuindo um pouco ao ver o amor e a preocupação de Lucas. Ele o abraçou com força, buscando refúgio em seus braços. “Ele tentou me ameaçar. Usar você contra mim. Disse que a liberdade tem um preço alto.”

Lucas sentiu o aperto de Gabriel, o tremor em seu corpo. “Mas você não vai ceder, não é?”

Gabriel o apertou ainda mais. “Não. Eu não vou. Você é a minha liberdade, Lucas. A minha razão para lutar.” Ele se afastou um pouco, olhando nos olhos de Lucas. “Precisamos ir embora. O mais rápido possível. Ele sabe sobre a nossa viagem para a Europa. E se ele sabe… ele pode tentar algo.”

A viagem, que antes era um símbolo de esperança e um recomeço, agora se tornava uma fuga. A sombra da vigilância de Victor se estendia sobre eles, lançando um véu de incerteza sobre seu futuro. A liberdade que Gabriel tanto almejava parecia estar ao seu alcance, mas o preço a ser pago era mais alto do que ele imaginava.

Naquela noite, enquanto arrumavam suas malas, a cidade lá fora parecia diferente. As luzes que antes eram convidativas, agora pareciam observadoras. Cada som, cada movimento, era interpretado como uma possível ameaça. A paixão que os unia era forte, uma chama que ardia contra a escuridão. Mas a verdade nua e crua era que, para serem livres, eles teriam que fugir, deixando para trás não apenas as mentiras do passado, mas também a ameaça tangível que Victor representava. A sedução da verdade, que os havia unido, agora os impulsionava para um futuro incerto, onde o preço da liberdade poderia ser pago com mais do que apenas palavras e ameaças.

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