Amor sem Máscaras II

Capítulo 2 — Ecos de um Passado Que Não Se Calam

por Enzo Cavalcante

Capítulo 2 — Ecos de um Passado Que Não Se Calam

A cidade pulsava lá embaixo, uma sinfonia de buzinas, sirenes e a agitação incessante de milhões de vidas. No centro daquele caos organizado, no coração do bairro nobre de Ipanema, encontrava-se o atelier de Elias Varela, um espaço que outrora fora vibrante e cheio de vida, e que agora parecia ter congelado no tempo. As paredes brancas, que antes serviam de tela para esboços e projetos audaciosos, agora ostentavam apenas a poeira do esquecimento. As prateleiras abarrotadas de livros de arquitetura, maquetes detalhadas e amostras de materiais pareciam um testemunho mudo do gênio criativo que ali habitara.

Lucas Machado, o braço direito de Elias, o amigo leal que compartilhara não apenas os sonhos, mas também os receios e as alegrias do arquiteto, estava ali, como vinha fazendo semanalmente desde o acidente. Cada visita era um ritual doloroso, um mergulho em um mar de saudades. Lucas, com seus cabelos castanhos levemente despenteados e um olhar que carregava a melancolia de quem vira seu mundo ruir, sentia o peso daquele lugar como se fosse o seu próprio coração. Ele abriu a porta com a chave que Rafael lhe dera, a familiar sensação de aperto no peito.

O cheiro de café, que antes pairava no ar, misturado ao aroma de papel e madeira, agora dava lugar a um odor sutil de mofo e abandono. Lucas caminhou lentamente pelo espaço, seus passos ecoando no silêncio. A mesa de trabalho de Elias estava exatamente como ele a deixara. Um projeto inacabado, lápis espalhados, uma xícara de café pela metade, seca e fria. Era como se Elias tivesse saído para buscar algo e fosse retornar a qualquer momento. A ilusão era cruel.

"Elias… cara… onde você se meteu?", murmurou Lucas, a voz embargada. Ele se aproximou da mesa, seus dedos roçando a planta do projeto. Era um dos planos para o complexo do litoral, um sonho compartilhado por ele e Elias. Aquele projeto era a prova viva da genialidade e da paixão de Elias pela natureza e pela arquitetura.

Lucas sabia que Rafael estava se esforçando para dar continuidade aos projetos de Elias. O empresário, apesar da dor profunda, mantinha o foco no trabalho, honrando as promessas feitas ao seu amor. Mas Lucas sentia que havia algo mais. Havia mistérios em torno da morte de Elias, algo que não se encaixava na narrativa oficial de um acidente.

Ele se dirigiu a uma estante, onde guardava suas coisas. Havia uma caixa de madeira antiga, um presente de Elias no último aniversário. Dentro, Lucas guardava algumas lembranças, fotos, bilhetes, pequenas coisas que o conectavam ao amigo. Ele pegou a caixa, sentindo o peso da madeira em suas mãos.

Ao abrir a caixa, seus olhos encontraram uma fotografia deles dois, sorrindo despreocupadamente em uma praia, o sol dourando suas peles. Elias estava com o braço em volta do ombro de Lucas, uma cumplicidade inegável em seus olhares. Lucas sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo seu rosto.

"Eu sinto tanto a sua falta, meu amigo", disse Lucas, a voz falhando. Ele sabia que não podia se perder na dor. Elias não gostaria disso.

Ele se lembrou de uma conversa recente com Rafael. O empresário estava cada vez mais isolado, mergulhado em seu luto, e Lucas sentia que precisava encontrar uma maneira de ajudá-lo, e a si mesmo, a seguir em frente. Mas, para isso, precisava desvendar as pontas soltas que o assombravam.

Lucas começou a vasculhar a mesa de Elias com mais atenção. Havia cadernos, documentos, e uma série de anotações que Elias fazia em seu dia a dia. Ele pegou um dos cadernos, a capa de couro gasta. As primeiras páginas estavam cheias de esboços e anotações técnicas sobre o projeto do litoral. Mas, mais para o final, as anotações se tornaram mais pessoais, mais enigmáticas.

"O jogo está mudando… As peças se movem nas sombras. Ele não pode saber." Lucas franziu a testa. Quem era "ele"? E que jogo era aquele? Elias parecia estar envolvido em algo perigoso.

Ele continuou lendo, encontrando referências a reuniões secretas, a documentos sigilosos, e a uma crescente sensação de paranoia. Elias parecia estar investigando algo, algo que o colocava em risco. Lucas sentiu um arrepio. E se o acidente não tivesse sido um acidente?

Ele pegou um envelope que estava escondido sob uma pilha de papéis. Estava lacrado, e o nome "R" estava escrito em letras vermelhas, com a caligrafia inconfundível de Elias. "R". Rafael? Era uma mensagem para Rafael?

Lucas hesitou por um momento. Ele tinha a chave daquele lugar, mas não a permissão para mexer nas coisas pessoais de Elias. No entanto, a inquietação que sentia era maior do que qualquer hesitação. Ele precisava saber.

Com as mãos tremendo levemente, Lucas abriu o envelope. Dentro, havia um pen drive e um bilhete. O bilhete dizia: "Se algo acontecer comigo, entregue a ele. Não confie em ninguém. A verdade precisa vir à tona." A caligrafia era febril, como se Elias estivesse sob forte pressão.

Lucas pegou o pen drive. Era pequeno, discreto. O que estaria ali dentro? Documentos? Provas? Ele sentiu o peso da responsabilidade. Elias confiara nele, havia deixado um legado para que a verdade fosse revelada.

Ele decidiu que precisava falar com Rafael. Juntos, eles poderiam decifrar o que Elias havia deixado para trás. Lucas trancou o atelier, o coração batendo acelerado. A imagem do acidente de Elias, as notícias que circularam na época, tudo se misturava com as anotações e o bilhete que acabara de encontrar. A possibilidade de que Elias fora vítima de uma armadilha era assustadora.

Ele saiu do prédio e caminhou pelas ruas de Ipanema, o sol da tarde filtrando pelas copas das árvores. A beleza da cidade parecia contrastar com a escuridão que se instalara em sua alma. Ele precisava ser forte, não apenas por ele, mas por Elias e por Rafael.

Lucas pegou seu celular e discou o número de Rafael. "Alô, Rafa? É o Lucas. Precisamos conversar. Urgente."

A voz de Rafael soou distante, mas atenta. "Lucas? O que houve? Você parece…"

"É sobre o Elias", Lucas interrompeu, sua voz firme, apesar da apreensão. "Tenho algo que pode ser importante. Algo que ele deixou."

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio carregado de expectativa e, talvez, de um medo que Lucas começava a compartilhar.

"Onde você está?", perguntou Rafael, sua voz adquirindo um tom mais sério.

"Estou em frente ao atelier. Posso ir até a sua cobertura? Ou prefere que eu te encontre em outro lugar?"

"Venha para cá. Agora", respondeu Rafael, com uma urgência que não passou despercebida por Lucas.

Enquanto caminhava em direção ao carro, Lucas sentiu o peso do pen drive em seu bolso. Aquele pequeno objeto poderia conter a chave para desvendar o mistério da morte de Elias e, quem sabe, trazer alguma paz para todos os envolvidos. O passado, que ele tanto tentava esquecer, parecia ter retornado com força total, exigindo que ele encarasse a verdade, por mais dolorosa que fosse. A jornada para desvendar o que Elias deixara para trás estava apenas começando, e Lucas sabia que seria longa e árdua.

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