A Saga dos Filhos da Lua

Capítulo 15 — O Coração do Reino Humano e o Chamado da Sombra

por Lucas Pereira

Capítulo 15 — O Coração do Reino Humano e o Chamado da Sombra

As terras que Kaelen e Elara atravessavam agora eram um reflexo do outrora vibrante Reino Humano. As cidades outrora orgulhosas estavam em ruínas, as terras férteis, estéreis. Uma névoa cinzenta e opressora pairava sobre tudo, um prenúncio da Sombra que se espalhava. Eles haviam passado semanas viajando, guiados pelo conhecimento recém-adquirido e pelo Espelho da Verdade, que agora apontava para o coração do reino: a capital outrora grandiosa, agora um espectro de sua glória passada.

Ao se aproximarem das muralhas desmoronadas da capital, o silêncio era ensurdecedor. Não havia gritos de batalha, nem o som de vida. Apenas o lamento do vento que uivava pelas ruínas. Era um lugar assombrado, não por fantasmas do passado, mas pela presença sufocante da Sombra.

“É pior do que eu imaginava”, Elara murmurou, seus olhos verdes marejados enquanto olhava para a desolação. Ela se lembrava de histórias de bailes grandiosos, de mercados movimentados, de risadas ecoando pelas praças. Agora, apenas a desolação reinava.

Kaelen sentiu o peso da responsabilidade esmagá-lo. O Canto Perdido ressoava em sua alma, uma melodia de esperança em meio a tanta escuridão. Mas ele sabia que a Sombra estava cada vez mais forte, se alimentando do desespero daquele povo.

“Precisamos encontrar o que resta do povo”, Kaelen declarou, sua voz firme, apesar da dor que sentia. “O conhecimento que adquirimos sobre a Sombra não nos servirá de nada se não pudermos ajudar aqueles que ela está consumindo.”

Eles adentraram a capital em ruínas. As ruas estavam cobertas de escombros, e os prédios outrora imponentes, agora eram esqueletos de pedra. De vez em quando, vislumbravam figuras sombrias, movendo-se nas sombras, seus olhos vazios refletindo a ausência de luz em seus corações. Eram os habitantes do reino, corrompidos pela Sombra.

Em uma praça central, onde uma estátua outrora gloriosa do rei jazia quebrada, eles encontraram um pequeno grupo de sobreviventes. Eram poucos, encolhidos em um canto, seus rostos marcados pela fome e pelo desespero. Seus olhos eram opacos, e seus movimentos, lentos e arrastados. A Sombra os havia tocado profundamente.

Ao verem Kaelen e Elara, um murmúrio de medo e curiosidade percorreu o grupo. Eles pareciam desconfiados, exaustos demais para qualquer outra emoção.

“Quem são vocês?”, perguntou um homem idoso, sua voz rouca e fraca. “Não há mais salvação para nós.”

Elara se ajoelhou perto deles, sua voz suave e cheia de compaixão. “Viemos para ajudar. Sabemos o que está acontecendo com vocês. A Sombra não precisa vencer.”

O homem idoso soltou uma risada seca e amarga. “A Sombra é tudo o que resta. Ela nos consome, nos apaga. Não há mais nada.”

Kaelen sentiu a dor em suas palavras, a resignação que a Sombra havia imposto. Ele sabia que precisava fazer algo, não apenas com palavras, mas com o poder que carregava. Ele fechou os olhos e, com toda a força de sua alma, começou a entoar o Canto Perdido.

A melodia sagrada começou a ecoar pela praça desolada. No início, foi um sussurro, um fio de esperança em meio ao desespero. Mas, à medida que Kaelen cantava, a melodia se intensificou, envolvendo os sobreviventes como um abraço quente. A luz prateada do Canto começou a dissipar a névoa cinzenta que os cercava, e os olhos opacos dos sobreviventes começaram a recuperar um brilho tênue.

As figuras sombrias que se moviam nas ruínas próximas pararam. Algumas delas, tocadas pelo Canto, começaram a tremer, seus corpos se contorcendo como se estivessem lutando contra algo que as aprisionava.

O homem idoso olhou para Kaelen, seus olhos arregalados de espanto e uma centelha de esperança. “O que é isso…?”, ele sussurrou.

“É o Canto Perdido”, Kaelen respondeu, sua voz ressoando com a melodia. “É a luz que pode banir a Sombra.”

Ele continuou a cantar, e a melodia se espalhou pela capital em ruínas. As figuras sombrias começaram a se contorcer com mais intensidade, e algumas delas, uma a uma, começaram a se dissipar, como fumaça ao vento, libertadas de sua prisão.

Elara, vendo a esperança renascer nos olhos dos sobreviventes, começou a auxiliá-los, usando sua magia para purificar a água, fortalecer seus corpos e clarear suas mentes. Aos poucos, a capital em ruínas começou a mostrar sinais de vida.

De repente, um tremor ainda maior sacudiu o chão. A Sombra ancestral, sentindo o poder do Canto Perdido e a resistência que ela estava encontrando, decidiu se manifestar. Do centro da capital, onde outrora ficava o palácio real, uma massa colossal de escuridão começou a se formar, um vórtice de desespero e fome que ameaçava engolir tudo.

“A Sombra!”, Kaelen gritou, sentindo a força avassaladora da entidade.

“Ela veio nos confrontar!”, Elara exclamou, preparando-se para a batalha.

Kaelen olhou para os sobreviventes, cujos olhos agora brilhavam com uma determinação renovada. Eles haviam sido tocados pelo Canto, e agora entendiam o que estava em jogo.

“Não vamos deixar que ela nos consuma!”, o homem idoso gritou, levantando-se com uma força que parecia ter sido restaurada.

Outros sobreviventes se juntaram a ele, empunhando pedaços de metal, pedras quebradas, quaisquer armas que pudessem encontrar. Eles não eram guerreiros, mas eram um povo que havia encontrado a esperança novamente, e estavam dispostos a lutar por ela.

Kaelen sabia que a batalha final se aproximava. Ele era o portador do Canto Perdido, e a Sombra ancestral era sua antítese. A capital em ruínas do Reino Humano seria o palco de um confronto épico, onde a luz e as trevas lutariam pelo destino do mundo.

Ele olhou para Elara, cujos olhos brilhavam com determinação. Eles haviam chegado até ali juntos, e juntos enfrentariam o que quer que viesse.

“É hora”, Kaelen disse, sua voz ressoando com o poder do Canto Perdido. “Vamos mostrar à Sombra que ela não pode apagar a luz.”

Ele ergueu a Lâmina Lunar, e a melodia sagrada em sua alma atingiu seu ápice, pronta para enfrentar a escuridão. A batalha pelo Reino Humano, e talvez pelo mundo inteiro, estava prestes a começar.

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