A Saga dos Filhos da Lua

Capítulo 17 — O Juramento na Câmara Subterrânea e a Traição Revelada

por Lucas Pereira

Capítulo 17 — O Juramento na Câmara Subterrânea e a Traição Revelada

O ar na câmara subterrânea era frio e úmido, com um cheiro metálico de terra e algo mais antigo, algo que remetia a eras esquecidas. As paredes eram feitas de rocha bruta, sem adornos, e apenas algumas tochas bruxuleantes lançavam sombras dançantes, intensificando a sensação de claustrofobia. Elias sentiu a presença de Valerius pairando nas sombras, como um abutre esperando seu momento. A ideia de realizar um ritual tão sagrado sob o olhar atento de alguém com tamanha escuridão interior o perturbava profundamente.

Lyra, ao seu lado, parecia mais serena, mas Elias podia sentir a tensão em seus ombros. Ela segurava um pequeno cristal que emitia uma luz suave, como um farol em meio à escuridão. "Este lugar tem uma energia antiga," ela sussurrou, sua voz ecoando levemente. "Os encantamentos aqui são fortes, mas parecem adormecidos. Precisamos ativá-los."

Elias assentiu, desdobrando o pergaminho antigo. As runas pareciam brilhar com uma luz fraca à medida que ele as tocava. O ritual era claro: um pacto de sangue, um juramento feito em face da Sombra, e a entrega de um fragmento da alma. Aquele que se oferecesse para conjurar o selo, teria sua essência marcada para sempre, sua alma permanentemente ligada à força que ele estava tentando conter.

"Quem vai conjurar o selo?" Lyra perguntou, sua voz carregada de preocupação. "Você, Elias?"

"Eu fui quem encontrou o ritual," Elias respondeu, sua voz firme, mas com uma melancolia subjacente. "E eu sinto que é meu destino. Mas as runas dizem que um pacto de sangue é necessário. Alguém precisa compartilhar o fardo."

Seus olhos encontraram os de Lyra. Ela compreendeu. Seria um sacrifício mútuo, uma união forjada na dor e na esperança.

"Eu o farei, Elias," Lyra disse, sua voz ressoando com uma determinação que aquecia o coração dele. "Se você vai entregar uma parte de sua alma, então eu também o farei. Juntos."

Um nó se formou na garganta de Elias. A ideia de Lyra, tão pura e luminosa, ser marcada pela escuridão o apavorava. Mas ele sabia que ela era forte, mais forte do que muitos guerreiros experientes.

Valerius, que se mantinha em silêncio nas sombras, deu um passo à frente. "Um sacrifício de almas? Fascinante. Sempre soube que os elfos tinham um apego incomum a esse tipo de drama. Mas se querem fazer algo tão precipitado, pelo menos permitam-me testemunhar. Talvez eu possa aprender algo sobre a sua... devoção."

Elias sentiu um arrepio de desconfiança. Valerius estava ali não para ajudar, mas para observar, para talvez se deleitar com a fraqueza deles. Ele fez um sinal para Lyra, e juntos, eles se aproximaram do centro da câmara, onde um círculo de pedras antigas estava gravado no chão.

Com uma adaga cerimonial que Lyra tirou de seu cinto, Elias fez um pequeno corte em sua própria palma. O sangue escuro escorreu, e ele o espalhou sobre as runas do círculo. Lyra, em seguida, repetiu o gesto, seu sangue mais claro misturando-se ao dele.

"Agora, a conjuração," Elias disse, sua voz ecoando com um poder recém-descoberto. Ele olhou para Lyra, e um juramento silencioso passou entre eles.

Enquanto Elias recitava as palavras antigas em uma língua esquecida, as runas no chão começaram a brilhar com uma luz intensa. O ar na câmara vibrava com energia, e as tochas pareciam tremer violentamente. Elias sentiu uma dor lancinante em sua alma, como se algo estivesse sendo arrancado dele. Uma parte de sua essência, sua luz, sua esperança, estava sendo oferecida como sacrifício. Ao seu lado, Lyra também cambaleou, seu rosto pálido, mas seus olhos fixos em Elias com uma força inabalável.

Quando Elias pronunciou a última sílaba, uma onda de energia pura e cintilante emanou do círculo, expandindo-se pela câmara. As runas brilharam com um fulgor branco ofuscante, e por um breve momento, Elias sentiu uma sensação de paz, como se a Sombra tivesse sido empurrada para trás, seu alcance diminuído.

Ele caiu de joelhos, exausto, a mão sobre o peito, sentindo a lacuna em sua alma. Lyra se ajoelhou ao seu lado, segurando sua mão. "Elias..." ela sussurrou, sua voz embargada.

Nesse momento, um grito de surpresa e dor ecoou pela câmara. Valerius, que observava de perto, havia sido atingido por um raio de energia residual que emanava do círculo. Ele cambaleou para trás, seu rosto contorcido em agonia.

"O que... o que você fez?" Valerius ofegou, seu olhar voltado para Elias com um ódio recém-desperto.

Elias se levantou lentamente, sentindo a dor em sua alma, mas também uma força renovada. "Eu fiz o que era necessário, Lorde Valerius. Eu protegi meu povo."

Valerius riu, uma risada fraca e rouca. "Proteger? Você se engana, elfo. Você não sela a Sombra. Você a convida. E eu estarei lá para recebê-la."

As palavras de Valerius caíram sobre Elias como pedras. Algo na forma como ele falou, na escuridão em seus olhos, não era apenas desconfiança. Era algo mais sinistro.

"O que você quer dizer?" Lyra perguntou, sua voz tensa.

Valerius endireitou-se, um sorriso sinistro se espalhando por seus lábios. A dor em seu rosto parecia ter desaparecido, substituída por uma confiança fria e calculista. "Eu quero dizer que esse ritual não é o que você pensa. O selo que você conjurou não aprisiona a Sombra. Ele a fortalece. Ele a canaliza. E eu sou o receptáculo escolhido."

O choque atingiu Elias como um golpe físico. Ele olhou para Lyra, cujos olhos se arregalaram em horror. "Você... você está com a Sombra?"

"Sempre estive," Valerius sibilou, sua voz adquirindo um tom gutural, não mais inteiramente humano. "A Sombra é meu poder. E vocês, tolos, me deram a chave para liberá-la completamente."

Ele levantou a mão, e uma escuridão palpável emanou dele, envolvendo a câmara. As tochas se apagaram, mergulhando o local em trevas absolutas. Elias e Lyra sentiram a presença opressora da Sombra se intensificando, tornando-se uma força avassaladora.

"Você se sacrificou em vão, elfo," Valerius rosnou, sua voz se distorcendo ainda mais. "E agora, você verá o verdadeiro poder da escuridão."

Elias sentiu a dor em sua alma se misturar com uma raiva crescente. Ele havia sido traído, enganado por aquele que deveria ser um aliado. A Sombra não estava apenas à espreita nas sombras; ela havia se infiltrado no coração do reino humano, personificada em Lorde Valerius.

Lyra se colocou à frente de Elias, seu pequeno cristal emitindo uma luz fraca, mas desafiadora, contra a escuridão crescente. "Você não vai vencer, Valerius. A luz sempre encontra um caminho."

"Que patético," a voz de Valerius ecoou, agora misturada com um som de rosnado. "O amor e a esperança são apenas ilusões. A Sombra é a única verdade eterna."

Elias sentiu a fraqueza de seu sacrifício, a dor de sua alma ferida. Mas ele também sentiu a força de Lyra ao seu lado, e a determinação de proteger a todos que amava. A traição de Valerius havia revelado a verdadeira natureza da ameaça, e a batalha final estava prestes a começar. A câmara subterrânea, que deveria ser um santuário, tornou-se o palco da mais sombria revelação. O juramento feito em busca de salvação, agora selava um pacto com o próprio inferno.

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