A Saga dos Filhos da Lua

Capítulo 18 — A Ascensão da Fome e o Refúgio na Ruína

por Lucas Pereira

Capítulo 18 — A Ascensão da Fome e o Refúgio na Ruína

A escuridão na câmara subterrânea parecia ter vida própria, pulsando com uma energia faminta e malevolente. Elias sentiu o peso da traição de Valerius como uma garra fria em seu peito, a dor em sua alma multiplicada pela amargura do engano. Lyra, ao seu lado, emitia uma luz fraca, um farol de resistência contra a maré crescente de desespero. Valerius, ou o que quer que ele tivesse se tornado, ria, um som que parecia vir de muito longe, distorcido e animalesco.

"Vocês acharam que poderiam me deter?" a voz ecoou, agora claramente não humana. "Que tolos. A Sombra não pode ser selada. Ela pode ser apenas abraçada. E eu a abracei com todo o meu ser."

Elias se ergueu, sentindo a fraqueza de seu sacrifício, mas também a fúria que ele despertava. "Você se tornou um monstro, Valerius."

"Monstro?" A risada voltou, mais alta e mais desdenhosa. "Eu me tornei livre. Livre das amarras da fraqueza humana, livre da necessidade de me esconder. Agora, eu sou a Sombra. E ela está com fome."

Lyra deu um passo à frente, seu cristal brilhando com mais intensidade. "Sua fome nunca será saciada, Valerius. Você é apenas uma marionete da escuridão."

"Marionete?" Valerius sibilou. "Eu controlo a escuridão. E a escuridão quer este mundo. Ela quer consumir tudo. E vocês dois, com sua luz insignificante, serão os primeiros a serem devorados."

Elias sentiu o chão tremer. A energia que emanava de Valerius era palpável, como uma onda de frio que sugava o calor e a esperança. Ele sabia que não poderiam lutar contra aquilo ali, naquele espaço confinado, com a Sombra em seu ápice de poder.

"Lyra, precisamos sair daqui!" Elias gritou, puxando-a para trás.

Eles correram para a saída da câmara, a escuridão de Valerius se espalhando atrás deles como uma névoa sufocante. Ao alcançarem os corredores do castelo, a cena que os aguardava era de puro caos. Guardas reais, com os olhos vidrados e a pele pálida, atacavam uns aos outros e os poucos nobres que ainda resistiam. A fome que Valerius mencionara não era apenas metafórica; era uma força contagiosa, que transformava os habitantes do castelo em bestas irracionais e violentas.

"O que está acontecendo?" Lyra exclamou, horrorizada.

"Ele está espalhando sua influência," Elias respondeu, desembainhando sua espada. "É a Fome da Sombra. Ela corrompe tudo o que toca."

Eles lutaram para abrir caminho através da multidão enlouquecida. Cada golpe era um golpe contra um rosto antes conhecido, agora desfigurado pela loucura. Elias sentiu a dor em sua alma se agravar a cada vida que ele era forçado a tirar, ou a cada alma que ele via sucumbir à escuridão.

"Precisamos chegar à cidade," Elias disse, enquanto derrubava mais um guarda com seus olhos vazios. "Se a Sombra está se espalhando assim, o povo de Valerium está em perigo mortal."

Eles conseguiram chegar aos portões do castelo, apenas para encontrar o caos se estendendo para além das muralhas. A cidade, antes vibrante, agora parecia um ninho de desespero. As pessoas corriam em pânico, seus rostos marcados pela Fome. Gritos de dor e terror ecoavam pelas ruas.

"É pior do que eu imaginei," Lyra murmurou, seu rosto pálido.

Elias sabia que eles não poderiam enfrentar a Sombra em sua forma mais pura, especialmente agora que Valerius havia se tornado seu receptáculo. Eles precisavam de um refúgio, um lugar onde pudessem se reagrupar e planejar seus próximos passos.

"Precisamos ir para as ruínas," Elias disse, lembrando-se de um antigo mosteiro em ruínas nos arredores da cidade, um lugar esquecido pelo tempo, mas que ainda carregava vestígios de antigas proteções. "Dizem que os monges que o fundaram tinham conhecimentos sobre como resistir a influências sombrias."

Guiados pela pouca luz que restava no céu crepuscular, Elias e Lyra se esgueiraram pelas ruas desoladas, evitando os grupos de pessoas corrompidas. Cada sombra parecia esconder uma ameaça, e o ar estava impregnado de um medo palpável.

Ao chegarem às ruínas do mosteiro, encontraram um lugar de silêncio opressivo. As paredes de pedra estavam desmoronadas, a vegetação selvagem cobria o que um dia foram altares e claustros. No centro, havia um pequeno santuário, parcialmente intacto, onde um antigo símbolo de proteção ainda podia ser visto gravado na pedra.

"Aqui," Lyra disse, sua voz um pouco mais forte. "Este lugar tem uma aura de proteção. A Sombra pode ter dificuldade em penetrar aqui."

Eles se refugiaram no santuário, sentindo um alívio tênue. Elias sentiu a dor em sua alma, a marca deixada pelo sacrifício, mas também a esperança que Lyra irradiava.

"Valerius se tornou a personificação da Sombra," Elias disse, olhando para o símbolo nas ruínas. "Precisamos encontrar uma maneira de detê-lo, mas não podemos enfrentar a Fome diretamente."

"Os monges que viveram aqui," Lyra começou, examinando os entalhes nas paredes. "Eles estudavam as energias do mundo. Talvez houvesse uma forma de combater a Sombra em sua fonte."

Enquanto Lyra se concentrava em decifrar os símbolos antigos, Elias sentiu um cansaço avassalador. A perda de sua essência, somada ao estresse da batalha e da fuga, cobravam seu preço. Ele fechou os olhos por um momento, e a imagem de Valerius, com seus olhos famintos e sua voz distorcida, assombrou seus pensamentos.

"O que vamos fazer, Lyra?" Elias perguntou, sua voz rouca. "Se Valerius está corrompido dessa forma, e a Sombra se espalha como uma praga..."

Lyra se virou para ele, seus olhos refletindo a luz fraca do cristal. "Precisamos ir ao extremo oposto de Valerius. A Sombra se alimenta do desespero e do medo. Precisamos encontrar algo que a repila. Talvez... luz pura. Ou a força da vida que ela tenta destruir."

Ela apontou para um dos entalhes na parede. Era uma representação de uma árvore antiga, cujas raízes se estendiam profundamente na terra e cujos galhos tocavam o céu. "Esta árvore," Lyra disse. "É a Árvore da Vida. Dizem que sua seiva tem o poder de purificar e restaurar. E que ela cresce em um lugar sagrado, protegido por forças antigas."

"A Árvore da Vida," Elias repetiu, sentindo uma centelha de esperança. "Onde podemos encontrá-la?"

Lyra estudou o entalhe por mais um momento. "As runas indicam uma montanha distante, no coração das terras selvagens, onde a lua toca a terra de forma mais pura. É um lugar guardado, um santuário. Mas para chegar lá, teremos que atravessar terras ainda mais sombrias."

A perspectiva de uma nova jornada, cheia de perigos desconhecidos, era assustadora. Mas a alternativa era sucumbir à Fome da Sombra. A traição de Valerius havia fechado o caminho para a salvação em Valerium, forçando-os a buscar uma solução em um lugar ainda mais remoto e perigoso. O refúgio nas ruínas era temporário, um breve alívio antes de enfrentar a escuridão mais profunda. A ascensão da Fome havia transformado a cidade em um pesadelo, e agora, Elias e Lyra teriam que se aventurar em terras esquecidas em busca de uma luz que pudesse combater a escuridão que consumia o mundo. A esperança era frágil, mas a determinação em seus corações era inabalável.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%