Sob o Velo do Jaguar

Capítulo 15 — O Despertar do Jaguar e a Fúria da Feiticeira

por Lucas Pereira

Capítulo 15 — O Despertar do Jaguar e a Fúria da Feiticeira

O grito de Iago, impulsionado pelo poder bruto do jaguar e pela força do amor de Jurema, ecoou pela câmara, ressoando nas paredes rochosas como um trovão. As correntes que o prendiam, forjadas pela magia sombria de Iara, rangeram em protesto, esticando-se até o limite. Uma fina rachadura, antes quase imperceptível, começou a se expandir, pulsando com uma luz dourada tênue.

Iara, surpreendida pela resistência inesperada de Iago, rosnou de fúria. Seus olhos azuis elétricos faiscaram, e ela intensificou o fluxo de energia escura que emanava dela, tentando esmagar a vontade de Iago e selar a rachadura nas correntes. O ar na câmara tornou-se mais pesado, carregado com uma aura de perigo iminente.

“Você não pode resistir, Iago!”, sibilou Iara, sua voz tingida de raiva e desespero. “Você é meu! Você pertence à escuridão!”

Mas a resistência de Iago não era apenas força bruta; era a personificação do espírito indomável do jaguar, despertado pelo chamado de Jurema. Ele sentiu a força vital de seu povo, a esperança de sua aldeia, a paixão de seu amor, tudo canalizado através de Jurema e reverberando em seu ser. Seus músculos, antes fracos, agora retesavam com uma força renovada. O brilho dourado das correntes se intensificou, começando a corroer a magia negra de Iara.

Jurema observava a cena, o coração dividido entre o medo e a esperança. Ela sentiu a energia de Iago crescendo, uma força primal que emanava dele, mas também sentiu a raiva de Iara se intensificando, como uma tempestade prestes a desabar. Ela sabia que precisava fazer algo para ajudar Iago, para enfraquecer Iara.

Lembrando-se das palavras de Ayla sobre a dualidade da natureza e o equilíbrio, Jurema direcionou sua atenção para o Guardião da Caverna, que ainda permanecia imóvel em um canto, sua luz azul suave e adormecida. Ela estendeu a mão em sua direção, concentrando sua energia dourada, a força da terra que ela havia invocado antes.

“Guardião!”, chamou Jurema, sua voz carregada de autoridade. “Você foi corrompido pela escuridão de Iara. Mas a terra ainda pulsa em você. Lembre-se de seu propósito. O equilíbrio deve ser restaurado!”

Um murmúrio baixo emanou do Guardião. A luz azul em suas órbitas vacilou e, em seguida, começou a pulsar com uma intensidade maior, misturando-se com a luz dourada que Jurema emanava. Lentamente, o Guardião começou a se erguer, sua postura menos ameaçadora, mais em sintonia com a terra. Ele olhou para Iara, e em seus olhos, agora brilhando com uma luz mista de azul e dourado, havia um reconhecimento de sua fonte de corrupção.

Com um rugido que não era mais de fúria, mas de libertação, o Guardião avançou, não contra Jurema, mas contra Iara. Ele bateu suas garras na rocha, não para destruir, mas para criar barreiras, para desviar a energia que Iara estava focando em Iago.

“Tolos!”, gritou Iara, sua voz distorcida pela raiva. “Vocês ousam me desafiar em meu próprio covil? Eu sou a senhora da escuridão! Eu sou a força que molda o destino!”

Em um acesso de fúria, Iara liberou uma onda de energia negra pura, direcionada a Jurema e ao Guardião. Mas o Guardião, agora agindo como um escudo, absorveu grande parte do impacto, sua forma rochosa tremendo, mas não cedendo. A energia restante atingiu Jurema, jogando-a para trás, mas sua conexão com a terra e o amuleto de sementes a protegeram do pior.

Enquanto Iara se distraía com o Guardião, Iago sentiu sua oportunidade. Com um último grito de pura força jaguar, ele se jogou contra as correntes. O som de metal se partindo ecoou pela câmara. As correntes se estilhaçaram em pedaços, caindo inertes no chão. Iago estava livre.

Ele se levantou, cambaleando um pouco, mas com um fogo renovado em seus olhos. Ele olhou para Jurema, para o Guardião lutando contra Iara, e um sorriso de determinação surgiu em seus lábios.

“Jurema! Saia daqui!”, gritou Iago, sua voz agora mais forte, mais confiante. “Eu cuidarei dela!”

Mas Jurema não se moveu. Ela viu a força em Iago, a força do jaguar que havia despertado nele, e soube que ele não estava mais agindo por instinto cego, mas com propósito.

“Não, Iago”, respondeu Jurema, levantando-se com dificuldade. “Nós lutaremos juntos. Como sempre fizemos.”

Iara, vendo a união de Jurema e Iago, percebeu que sua vantagem estava se esvaindo. A raiva em seus olhos se transformou em um plano mais sinistro. Ela não podia derrotá-los individualmente, mas talvez pudesse usá-los um contra o outro.

“Vocês acham que a liberdade é um presente?”, zombou Iara, seus olhos percorrendo a câmara. “A verdadeira liberdade vem da submissão. E eu ofereço uma escolha: um de vocês sobrevive. O outro… perece na escuridão para sempre.”

Uma aura sinistra começou a emanar de Iara, envolvendo a câmara em uma névoa escura e sufocante. Jurema e Iago se olharam, a gravidade da situação pesando sobre eles. Mas em seus olhos, não havia hesitação, apenas determinação.

“Nós não escolhemos a tirania, Iara”, disse Iago, dando um passo à frente, sua mão estendida em direção a Jurema. “Nós escolhemos o amor. E o amor é a força mais poderosa de todas.”

Com essas palavras, uma luz dourada intensa emanou de Iago, conectando-se à luz dourada que Jurema emanava. Os dois brilhos se fundiram, criando uma energia pulsante que repeliu a névoa escura de Iara. O Guardião, vendo essa união, rugiu em aprovação, sua forma rochosa emanando um brilho quente.

A fúria de Iara atingiu o ápice. Ela não era uma senhora da escuridão, mas uma escrava de sua própria ganância e solidão. Ela era um ser corrompido, incapaz de entender o poder da conexão e do amor.

“Se não posso ter o poder, então ambos perecerão!”, gritou Iara, reunindo toda a sua energia restante. Ela se lançou contra Iago, sua forma se distorcendo em um turbilhão de escuridão e magia negra.

Mas Iago, agora totalmente imbuído do espírito do jaguar, a esperava. Ele se moveu com uma agilidade incrível, um reflexo perfeito da fera que ele representava. Ele desviou do ataque de Iara, e com um movimento rápido e poderoso de sua mão, liberou um raio de energia dourada que atingiu Iara em cheio.

O grito de Iara foi agudo e desesperado. A energia dourada não a destruiu, mas a despojou de seu poder, desfazendo sua forma sombria. Ela encolheu, sua pele pálida e enrugada, seus olhos azuis elétricos perdendo seu brilho, tornando-se opacos e sem vida. Ela se tornou uma figura frágil e patética, a imagem da ruína de sua própria ambição.

A névoa escura se dissipou. O Guardião, sentindo a ameaça neutralizada, voltou à sua postura adormecida, sua luz azul diminuindo. A câmara, antes opressora, agora parecia apenas uma caverna escura, despojada de sua magia maligna.

Iago correu para Jurema, abraçando-a com força. Seus corpos tremeram, a adrenalina e a emoção tomando conta.

“Jurema… você está bem?”, ele perguntou, sua voz embargada de alívio e amor.

Jurema apertou-o de volta, sentindo a força em seus braços, o calor de seu corpo. “Eu estou aqui, Iago. Nós conseguimos. Nós sempre conseguimos juntos.”

Eles se olharam, um amor profundo e inabalável em seus olhos. Haviam enfrentado a escuridão, superado ilusões e lutado contra a própria feiticeira. Juntos, eles haviam despertado o jaguar adormecido em Iago e encontrado a força para restaurar o equilíbrio. A jornada para sair da floresta sombria seria longa, mas eles a fariam juntos, sob o velo protetor do jaguar, e com a promessa de um futuro em Araçá.

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