Sob o Velo do Jaguar

Capítulo 18 — A Fortaleza Esquecida e os Portões do Eco

por Lucas Pereira

Capítulo 18 — A Fortaleza Esquecida e os Portões do Eco

O caminho para o leste era um labirinto de rochas escarpadas e vales profundos, onde o sol mal penetrava a densa copa das árvores. A Floresta Sombria, que antes parecia um abraço acolhedor, agora se transformara em uma fera adormecida, cujos sussurros eram presságios e cujas sombras escondiam perigos inimagináveis. Luna sentia a presença de Iago em cada brisa que acariciava seu rosto, um lembrete constante da dívida que ela tinha para com sua memória e para com a promessa quebrada. O Velo do Jaguar em seu ombro irradiava um calor reconfortante, uma promessa silenciosa de que ela não estava sozinha naquela jornada árdua.

Kaelen, com sua astúcia de caçador, liderava o caminho, seus olhos aguçados rastreando os sinais de perigo. Elara, com sua sabedoria das ervas e dos espíritos, mantinha um olhar atento sobre a saúde e o bem-estar do grupo, seus dedos habilidosos preparando unguentos e chás que aliviavam o cansaço e a tensão. Mas era Luna quem sentia a floresta de forma mais profunda. Os sussurros das raízes que a ninfa havia mencionado agora eram mais claros, guiando-a, avisando-a de caminhos traiçoeiros e de armadilhas ocultas.

"Estamos chegando perto", disse Kaelen, parando abruptamente. Ele apontou para uma cadeia de montanhas imponentes que se erguiam no horizonte, suas pontas envoltas em nuvens densas. "A fortaleza deve estar em algum lugar lá em cima."

Luna sentiu um arrepio. Não era medo, mas uma sensação de reverência misturada com uma urgência palpável. A energia emanando daquela direção era antiga e poderosa, um misto de força e desolação. Ela sabia que a Lâmina do Crepúsculo, a arma que a Feiticeira cobiçava, estava em algum lugar naquele lugar esquecido.

A escalada começou. O terreno era traiçoeiro, com pedras soltas e abismos profundos que testavam seus limites. O ar tornava-se rarefeito, e o frio, cortante. Luna sentia a força do jaguar fluindo em suas veias, uma energia que a impulsionava para frente, ignorando o cansaço e a dor. Ela pensava em sua aldeia, nas pessoas que confiavam nela, e a determinação em seu coração se tornava mais forte a cada passo.

Após horas de escalada árdua, eles finalmente alcançaram uma vasta planície no topo da montanha. Diante deles, envolta em névoa e silêncio, erguia-se uma estrutura monumental: a Fortaleza Esquecida. Era uma construção antiga, feita de pedras escuras e imponentes, com torres que pareciam arranhar o céu cinzento. Não havia sinais de vida, apenas a desolação de eras passadas.

"Parece que ninguém habita este lugar há séculos", murmurou Elara, olhando para as muralhas imponentes.

"Mas algo a protege", disse Kaelen, seus olhos fixos em um grande arco de pedra que servia como entrada principal. "Sinto uma energia poderosa emanando dali."

O arco de pedra era a entrada para um vasto pátio interno. À medida que se aproximavam, um som peculiar começou a ecoar no ar. Era um zumbido baixo e constante, como o som de milhares de vozes sussurrando em uníssono. As paredes da fortaleza pareciam tremer suavemente com a vibração.

"Os Portões do Eco", disse Luna, reconhecendo a descrição que as ninfas haviam dado. "Dizem que eles testam a pureza de quem busca entrar."

À medida que adentravam o pátio, os sussurros aumentaram, tornando-se mais distintos. Eram vozes do passado, ecos de pensamentos e emoções esquecidas. Medos, arrependimentos, desejos inconfessados. A fortaleza não era guardada por guerreiros, mas pelas memórias daqueles que um dia a habitaram.

Luna sentiu uma pressão crescente em sua mente. As vozes começaram a se dirigir a ela, sussurrando suas inseguranças mais profundas. "Você é fraca", diziam. "Você não é digna." "Você falhou com Iago."

O Velo do Jaguar em seu ombro começou a pulsar com mais intensidade, sua energia um contraponto aos sussurros insidiosos. Luna fechou os olhos, concentrando-se na sensação do Velo, na força que ele representava. Ela pensou na promessa de Iago, na sua coragem, em seu sacrifício.

"Eu não sou fraca", disse Luna, sua voz firme, ecoando pelo pátio. "Eu carrego o legado de Iago. E eu vou lutar por aqueles que não podem lutar por si mesmos."

As vozes recuaram, como se perturbadas pela sua convicção. Kaelen e Elara também lutavam contra os ecos, seus rostos tensos, mas sua determinação inabalável.

"A fortaleza testa nossos medos", disse Elara, ofegante. "Precisamos enfrentar nossos próprios demônios."

Eles continuaram avançando pelo pátio, cada passo um desafio. Luna sentiu os ecos tentando manipulá-la, mostrando-lhe visões de sua aldeia sendo atacada, de sua família em perigo. Mas ela se agarrou à imagem de Iago, à sua coragem inabalável.

"Você não me controlará", disse Luna para as paredes da fortaleza. "Eu escolho minha própria força."

Ao chegarem ao centro do pátio, encontraram um grande altar de pedra. No altar, repousava um objeto: a Lâmina do Crepúsculo. Era uma espada longa e esguia, feita de um metal escuro e opaco que parecia absorver a pouca luz que alcançava o local. Havia uma aura de poder sombrio emanando dela, um frio palpável que se espalhava pelo ar.

No momento em que Luna estendeu a mão em direção à Lâmina, uma figura surgiu das sombras. Era a Feiticeira, seus olhos brilhando com malícia e um sorriso cruel em seus lábios. Ela estava envolta em vestes negras que pareciam feitas de fumaça, e sua presença irradiava uma aura de poder corruptor.

"Tão ingênua, jovem Luna", sibilou a Feiticeira, sua voz fria como gelo. "Você achou que poderia reivindicar a Lâmina para si? Que tolice. Este poder é meu por direito."

"Você não vai conseguir", disse Luna, posicionando-se entre a Feiticeira e a Lâmina. O Velo do Jaguar em seu ombro irradiava um brilho intenso, um escudo de energia contra o mal que emanava da Feiticeira.

"Você ainda tem Iago em seu coração, não é?", zombou a Feiticeira, seus olhos fixando-se em Luna. "Sentindo a culpa pela sua morte? Essa culpa será sua ruína."

Uma onda de raiva percorreu Luna. A lembrança de Iago, seu sorriso, sua bravura, a dor de sua perda, tudo se misturou em uma fúria contida. O Velo do Jaguar rugiu em resposta, sua força selvagem emanando de Luna.

"Você vai pagar por isso", disse Luna, sua voz carregada de uma determinação fria. "Você tirou a vida de Iago, mas não vai tirar a minha esperança."

A Feiticeira riu, um som estridente que ecoou pelas paredes da fortaleza. "Esperança é uma ilusão, criança. A escuridão é a única verdade."

Com um movimento rápido, a Feiticeira conjurou um raio de energia sombria, direcionado a Luna. Mas Luna, guiada pela força do jaguar e pela proteção do Velo, reagiu instantaneamente. Ela ergueu o braço, e o Velo brilhou intensamente, absorvendo o ataque.

"A força do jaguar é mais antiga que sua escuridão", disse Luna, sentindo a energia se acumular em seu corpo. Ela sabia que a batalha pela Lâmina do Crepúsculo havia começado.

Kaelen e Elara se posicionaram ao lado de Luna, prontos para o combate. Os Portões do Eco haviam testado sua coragem, mas agora, a verdadeira prova começava. A Feiticeira, com sua sede por poder e sua crueldade insaciável, estava diante deles, e a Lâmina do Crepúsculo era a chave para a destruição ou para a salvação. Luna sentiu o peso da responsabilidade, mas também a força que a unia aos seus companheiros e à memória daqueles que lutaram antes dela. A Fortaleza Esquecida, outrora um lugar de memórias, agora se tornava o palco de uma batalha épica pelo destino do mundo.

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