O Juramento da Deusa Yara

Capítulo 10 — A Centelha Dourada do Céu

por Rafael Rodrigues

Capítulo 10 — A Centelha Dourada do Céu

O ar salgado da costa ainda pairava em seus sentidos, a Lágrima Cristalina do Mar pulsando com uma luz suave em um recipiente especial, mas a mente de Liana já estava voltada para o próximo desafio. A Fossa do Desespero, com sua melancolia profunda e a promessa da guardiã, havia lhes dado o segundo artefato. Agora, o céu os chamava.

"Onde as estrelas beijam a terra, em um lugar de renascimento e purificação", Liana murmurou, a frase da guardiã da Lágrima ecoando em sua mente. "A Centelha Dourada do Céu. O que isso pode significar?"

Rael olhava para o céu azul e vasto, uma tela infinita que parecia esconder tantos segredos quanto o oceano. "Lembro-me de histórias antigas, da época em que os deuses andavam entre os homens. Diziam que em certas montanhas, as mais altas, onde o ar é rarefeito e o céu parece ao alcance das mãos, existiam templos esquecidos. Lugares onde os rituais de purificação eram realizados."

"Templos esquecidos...", Liana repetiu, seus olhos buscando por alguma pista nos pergaminhos e na carta de Elara. "O pergaminho fala sobre 'a energia que cai do alto, a luz que purifica e renova'. E a carta de Elara... há uma passagem que diz: 'A montanha guardiã observa a ascensão do sol e o descanso das estrelas. Lá, a esperança se acende'."

"A montanha guardiã...", Rael disse, uma expressão de reconhecimento cruzando seu rosto. Havia uma montanha, na fronteira oriental do reino, conhecida como Pico da Aurora. Era a montanha mais alta da região, e as lendas diziam que era um lugar sagrado, onde o sol nascia primeiro e as estrelas pareciam brilhar mais intensamente.

"O Pico da Aurora!", Liana exclamou, sentindo uma onda de esperança. "É lá que devemos ir!"

A jornada para o Pico da Aurora foi uma peregrinação. Atravessaram campos dourados, atravessaram rios cristalinos e, finalmente, chegaram aos pés da imponente montanha. O ar ali era frio e rarefeito, e a paisagem mudava drasticamente, as árvores frondosas dando lugar a rochas escarpadas e a vegetação resistente.

À medida que subiam, Liana e Rael sentiam a energia do lugar. Era diferente da força vibrante da terra e da profundidade melancólica do mar. Era uma energia leve, etérea, quase pura. O céu parecia mais próximo, e as nuvens flutuavam como algodões brancos em um mar azul profundo.

"A carta de Elara dizia: 'a esperança se acende'", Liana murmurou, sentindo a aura do lugar. "Precisamos encontrar o lugar onde a esperança se acende."

Eles escalaram por horas, a cada passo sentindo o ar ficar mais fino e a visão do reino abaixo mais espetacular. Finalmente, chegaram a um platô elevado, onde a vegetação havia desaparecido por completo, dando lugar a um solo rochoso e a formações rochosas peculiares. No centro do platô, erguia-se um altar antigo, feito de uma pedra branca e brilhante que parecia absorver e refletir a luz do sol. E gravado em sua superfície, estava um símbolo: um sol nascente circundado por estrelas.

"Este é o lugar", Rael disse, sua voz embargada pela emoção. "O altar do Pico da Aurora. Onde as estrelas beijam a terra."

Liana se aproximou do altar, sentindo a energia celestial pulsar ao seu redor. Fechou os olhos, concentrando-se. As visões do pergaminho voltaram, agora focadas na Centelha Dourada. Ela viu uma luz intensa, brilhante como o próprio sol, caindo do céu em um feixe dourado, que atingia o altar, purificando tudo em seu caminho.

"A Centelha Dourada não é algo que encontramos aqui", Liana disse, abrindo os olhos. "É algo que desce até aqui. É uma bênção do céu."

De repente, o céu, que antes estava claro, começou a escurecer. Nuvens douradas e alaranjadas começaram a se formar sobre o platô, e um vento forte começou a soprar, carregando consigo um leve cheiro de ozônio e flores selvagens.

"Ela está vindo", Rael disse, sua mão indo instintivamente para a espada.

Uma forma sombria começou a se materializar no ar, mais densa e ameaçadora do que a sombra que haviam enfrentado na floresta. Era a serpente de sombra, mais poderosa do que nunca, seu corpo escuro retorcendo-se no céu.

"Vocês não chegarão tão longe!", a voz sibilante e fria ecoou em suas mentes, agora carregada de um poder avassalador. "O Juramento foi meu para quebrar! A escuridão é o destino deste mundo!"

A serpente lançou uma rajada de escuridão na direção de Liana e Rael. Eles se esquivaram, mas a força da investida os fez tropeçar.

"A Centelha Dourada é a única coisa que pode nos salvar!", Liana gritou, segurando a Lágrima Cristalina do Mar, que brilhava intensamente em resposta à energia celestial que se aproximava.

Rael se posicionou na frente de Liana, sua espada erguida. "Eu a protegerei!"

Enquanto Rael enfrentava a serpente de sombra, Liana se ajoelhou diante do altar. Ela segurou a Lágrima Cristalina do Mar com as duas mãos, sentindo sua energia fria e pura. Ela concentrou toda a sua vontade, todo o seu desejo de proteger o reino, e direcionou sua intenção para o céu.

"Deusa Yara!", Liana gritou, sua voz ecoando no platô. "Nós trouxemos a Raiz da Terra e a Lágrima do Mar! Precisamos da sua Centelha Dourada para restaurar seu Juramento! Salve-nos da escuridão!"

O céu acima deles começou a brilhar com uma intensidade deslumbrante. Um feixe de luz dourada, mais brilhante do que qualquer coisa que eles já tivessem visto, desceu do céu, atravessando as nuvens escuras que a serpente havia conjurado. A luz atingiu o altar, e uma onda de energia pura e radiante se espalhou por todo o platô.

A serpente de sombra sibilou de dor e raiva, incapaz de suportar a luz sagrada. Seus tentáculos de escuridão se dissiparam, e sua forma começou a encolher.

"Não!", a serpente gritou, sua voz cheia de desespero. "Eu não serei derrotada!"

Mas a luz dourada era implacável. Ela envolveu Liana e Rael em um abraço quente e reconfortante. A Raiz Ancestral da Terra, guardada em seu recipiente, começou a pulsar com uma energia vibrante, e a Lágrima Cristalina do Mar brilhou com uma intensidade ainda maior. Os três artefatos estavam juntos, sob a bênção da Centelha Dourada.

A serpente de sombra, enfraquecida pela luz e incapaz de suportar a energia combinada dos artefatos, foi forçada a recuar. Com um último silvo de ódio, ela se dissipou nas sombras, prometendo retornar.

Quando a luz dourada do céu começou a diminuir, o platô estava banhado em um brilho suave e sereno. Liana e Rael, exaustos, mas vitoriosos, olharam um para o outro, um misto de alívio e apreensão em seus rostos.

"Conseguimos", Rael disse, sua voz rouca.

Liana assentiu, um sorriso cansado, mas radiante, em seu rosto. "Nós conseguimos."

Ela olhou para os três artefatos – a Raiz Ancestral, a Lágrima Cristalina e a Centelha Dourada, que agora brilhava com uma luz suave e constante. O Juramento da Deusa Yara estava completo.

"Agora...", Liana murmurou, sentindo o peso da próxima etapa. "Precisamos retornar. Precisamos restaurar o Juramento."

O caminho de volta seria cheio de perigos, pois a serpente de sombra ainda espreitava. Mas agora, Liana e Rael tinham a esperança e o poder para enfrentá-la. Eles haviam cumprido sua missão, encontrando os artefatos que representavam os pilares do Juramento. A Deusa Yara estava um passo mais perto de despertar, e o reino, um passo mais perto da salvação. A batalha final estava prestes a começar, e eles estavam prontos.

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