O Juramento da Deusa Yara

Capítulo 18 — O Despertar da Sombra Adormecida

por Rafael Rodrigues

Capítulo 18 — O Despertar da Sombra Adormecida

O ar no Bosque dos Ancestrais, outrora repleto de uma paz ancestral, agora carregava uma tensão subjacente, um prenúncio da escuridão que eles sabiam que os aguardava. Kaelen, com a energia da Deusa Yara pulsando em suas veias, sentia a floresta como um extensão de si mesmo, cada folha, cada raiz, cada gota de orvalho uma parte de sua própria existência. Ele se sentia mais conectado à vida do que nunca, mas essa conexão também o tornava mais vulnerável aos sussurros insidiosos da escuridão.

Elara, com sua sabedoria arcana, guiava-os pelos caminhos menos trilhados da floresta, buscando os vestígios dos antigos rituais de proteção. Lyra, com sua força inabalável e coração compassivo, era a âncora emocional do grupo, oferecendo conforto e encorajamento nos momentos de dúvida. A jornada os levou por paisagens de beleza estonteante e perigo iminente, onde árvores ancestrais guardavam segredos e rios cintilantes cantavam melodias esquecidas.

Eles passaram dias imersos na busca, decifrando inscrições antigas gravadas em rochas escondidas e interpretando os sonhos que os espíritos dos ancestrais lhes enviavam. Kaelen descobriu que podia sentir as emoções da floresta, a alegria de um broto desabrochando, a dor de um galho quebrado. Ele aprendeu a canalizar a energia vital em curas simples, fechando feridas e revigorando plantas murchas.

“É mais do que apenas magia, Kaelen”, Elara explicou um dia, enquanto eles descansavam à sombra de uma cachoeira que descia em cascata por rochas cobertas de musgo. “É uma comunhão. Você está se tornando um com a própria essência da Floresta Sussurrante. O juramento da Deusa Yara não é apenas um selo, é uma transformação.”

“Eu sinto isso”, Kaelen respondeu, observando a luz prateada dançar em seus dedos. “Mas a escuridão… eu ainda a sinto. Como uma sombra que me segue, esperando o momento certo para atacar.”

“A escuridão sempre existe nas bordas da luz”, Lyra disse, seu olhar perdido na dança das borboletas coloridas que pairavam sobre as flores. “Mas a luz que você carrega agora é mais forte do que qualquer sombra. Você só precisa acreditar nisso.”

Um dia, enquanto exploravam uma ravina oculta, eles se depararam com um santuário esquecido. Era um círculo de pedras antigas, erguido em um local onde a energia da floresta parecia convergir. No centro, uma pequena estátua de uma figura feminina, com traços suaves e um semblante de compaixão, estava adornada com flores silvestres. Era uma representação da Deusa Yara.

“Este deve ser um dos locais onde ela realizava seus rituais”, Elara sussurrou, seus olhos brilhando com a descoberta. Ela tocou a base da estátua, e um leve tremor percorreu a terra. Uma melodia suave começou a emanar das pedras, uma canção de cura e renovação.

Kaelen sentiu a energia do local intensificar-se, a luz prateada em suas mãos pulsando em sincronia com a música. Ele fechou os olhos, concentrando-se. Lembrou-se das palavras dos espíritos ancestrais: “A força de um guardião reside não apenas em sua própria luz, mas na luz que ele é capaz de inspirar nos outros.”

Ele estendeu as mãos em direção à estátua, não para conjurar um feitiço, mas para oferecer sua própria energia, sua própria conexão com a floresta. A luz prateada fluiu dele, fundindo-se com a melodia ancestral, amplificando seu poder. Elara e Lyra se juntaram a ele, cada uma oferecendo sua própria força, a magia de Elara e a pureza do coração de Lyra.

À medida que a energia deles se fundia, o círculo de pedras começou a brilhar com uma luz intensa. A música se tornou mais poderosa, ecoando pelas árvores e perfumando o ar com uma fragrância doce e reconfortante. De repente, uma sombra começou a se formar no centro do círculo, não uma sombra como as que eles haviam enfrentado antes, mas uma presença mais sutil, mais antiga, mais… sombria.

Era a Sombra Adormecida, uma entidade de puro desespero e entropia, que a Deusa Yara havia aprisionado em tempos imemoriais. A energia que eles estavam liberando, embora destinada à cura, havia inadvertidamente despertado a entidade de seu sono milenar.

“Não!”, Elara exclamou, sentindo o perigo iminente. “Nós acordamos algo que não deveríamos!”

A Sombra Adormecida começou a se manifestar, uma forma disforme e pulsante de escuridão densa, com olhos que eram buracos vazios de desespero. Um frio intenso emanou dela, congelando o ar ao redor.

“O que é isso?”, Lyra perguntou, sua voz trêmula, agarrando o braço de Kaelen.

“É a Sombra Adormecida”, Kaelen respondeu, sua voz tensa. Ele sentiu a força da entidade, um poder avassalador que ameaçava engolir toda a luz. “A Deusa Yara a aprisionou aqui. O juramento… estava ligado a este lugar também.”

A Sombra Adormecida estendeu um tentáculo de pura escuridão em direção a eles, e Kaelen reagiu instintivamente. A luz prateada de suas mãos explodiu, chocando-se contra a sombra. O impacto foi colossal, enviando ondas de choque através do santuário. As pedras rangeram, e a estátua da Deusa Yara tremeu.

“Ela é forte… muito forte”, Kaelen ofegou, sentindo a energia sendo sugada de si.

“Precisamos selá-la novamente!”, Elara gritou, tentando conjurar um feitiço, mas a escuridão da Sombra Adormecida parecia anular sua magia. “O juramento… o juramento que você fez, Kaelen. Ele é a chave!”

Kaelen olhou para a estátua da Deusa Yara, e então para a Sombra Adormecida que se contorcia, faminta e furiosa. Ele lembrou-se do momento em que o juramento foi selado, do desespero da Floresta Sussurrante, da promessa que ele fez. Ele não apenas jurou proteger a floresta, mas também manter o equilíbrio, aprisionar o que ameaçava a vida.

“Eu… eu não posso lutar contra ela apenas com força”, Kaelen murmurou, a compreensão surgindo em seus olhos. “O juramento é sobre sacrifício. Sobre contenção.”

Ele se aproximou da Sombra Adormecida, ignorando os gritos de preocupação de Elara e Lyra. A escuridão pulsava em sua direção, tentando consumi-lo. Mas Kaelen não cedeu. Ele lembrou-se do amor que sentia pela floresta, pela vida, por Elara e Lyra.

“Eu juro, Deusa Yara”, Kaelen declarou, sua voz ressoando com uma nova autoridade. “Eu juro proteger o equilíbrio. Eu juro conter a escuridão que ameaça a vida.”

Ele estendeu as mãos em direção à Sombra Adormecida. Em vez de um ataque, ele liberou um fluxo controlado de energia prateada, não para destruir, mas para envolver. Ele estava usando seu próprio ser como um canal para o juramento, reativando o selo que a Deusa havia criado.

A Sombra Adormecida guinchou, sentindo a força do juramento a puxando para trás. A escuridão começou a se contorcer, tentando escapar, mas Kaelen a mantinha presa, sua própria energia vital sendo consumida no processo. Ele sentiu uma dor lancinante, mas não cedeu.

“Kaelen!”, Lyra gritou, correndo em sua direção, mas Elara a segurou.

“Não interfira, Lyra. Ele está cumprindo o juramento. Ele está fazendo um sacrifício.”

A luz prateada de Kaelen envolveu a Sombra Adormecida, puxando-a para o centro do círculo de pedras. As pedras começaram a brilhar novamente, as runas antigas se acendendo com uma luz poderosa. Lentamente, a forma disforme da Sombra Adormecida começou a diminuir, a ser puxada para baixo, para dentro da terra.

Kaelen sentiu sua própria força diminuir drasticamente. A luz em seus olhos enfraqueceu, e seu corpo tremeu. Ele estava dando tudo de si para manter o selo. O juramento exigia um preço.

Finalmente, com um último guincho de fúria e desespero, a Sombra Adormecida foi completamente engolida pela terra, e o brilho das pedras cessou, deixando apenas o silêncio e a fragrância das flores. Kaelen, exausto, caiu de joelhos, a luz em suas mãos quase extinta.

Elara e Lyra correram até ele. Elara o ajudou a se levantar, enquanto Lyra o abraçava com preocupação.

“Kaelen! Você está bem?”, Lyra perguntou, sua voz cheia de angústia.

“Eu… eu estou bem”, Kaelen respondeu, sua voz fraca. Ele olhou para suas mãos, sentindo a energia da Deusa Yara ainda presente, mas diminuída. O juramento havia exigido uma parte de sua força vital. “Eu o selamos. A Sombra Adormecida está contida novamente.”

Elara assentiu, um misto de alívio e admiração em seus olhos. “Você foi corajoso, Kaelen. E forte. Você honrou o juramento. Mas o preço foi alto.”

Kaelen olhou para a floresta, sentindo sua conexão com ela, mesmo que enfraquecida. A ameaça imediata havia sido contida, mas ele sabia que a luta estava longe de terminar. As Sombras Antigas ainda estavam lá fora, e o fardo do juramento pesava sobre ele. No entanto, em meio à exaustão e à dor, ele sentiu uma nova determinação. Ele era um guardião, e ele faria o que fosse preciso para proteger a vida que amava. A floresta sussurrava sua gratidão, um eco suave de esperança em meio à incerteza.

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