O Juramento da Deusa Yara

Capítulo 19 — A Semente da Dúvida no Coração da Floresta

por Rafael Rodrigues

Capítulo 19 — A Semente da Dúvida no Coração da Floresta

A energia vital que Kaelen cedia para manter o selo da Sombra Adormecida era um dreno constante. Embora o santuário estivesse agora pacífico, a sensação de que algo mais sinistro estava se tramando pairava no ar como uma bruma fria. Kaelen se sentia mais fraco, sua conexão com a Floresta Sussurrante, outrora vibrante, agora parecia um fio tênue, oscilando com a força da maré. Elara, com sua expertise em magia antiga, tentava encontrar uma maneira de reabastecer a energia de Kaelen, de reverter o efeito do sacrifício autoimposto. Lyra, por sua vez, era a personificação da resiliência, sua esperança e apoio inabaláveis, uma luz constante mesmo nos momentos mais sombrios.

“Não há nada nos textos antigos que eu tenha encontrado que possa restaurar completamente a energia que foi gasta em um selo tão poderoso”, Elara admitiu, sua testa franzida de preocupação enquanto folheava pergaminhos empoeirados em um recanto isolado do Bosque dos Ancestrais. “A força que você canalizou, Kaelen, era a própria essência do seu ser. É como tentar encher um poço que foi drenado até o fundo.”

“Mas se eu não reabastecer essa energia, o selo enfraquecerá”, Kaelen respondeu, sua voz rouca de cansaço. Ele tentou sentir a floresta, mas a conexão estava turva, como uma imagem vista através de um vidro embaçado. “As Sombras Antigas… elas sentirão isso. E a Sombra Adormecida… ela pode escapar.”

Lyra se aproximou, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. “Você fez o que precisava ser feito, Kaelen. Você protegeu a todos nós. Agora, vamos encontrar uma maneira de curá-lo.”

Enquanto buscavam soluções, uma figura inesperada surgiu das profundezas da floresta: uma druidesa de idade avançada, com cabelos brancos como a neve e olhos penetrantes que pareciam ter visto eras. Ela se apresentou como Morwenna, uma guardiã dos conhecimentos ancestrais da Floresta Sussurrante.

“Sinto a perturbação em sua essência, jovem guardião”, Morwenna disse, sua voz um sussurro melódico que parecia ecoar das próprias árvores. “O juramento cobrou seu preço. Mas nem tudo está perdido.”

Morwenna explicou que o selo da Sombra Adormecida estava intrinsecamente ligado à força vital da floresta. Para reabastecer Kaelen, eles precisariam não apenas de magia, mas de um renascimento da própria essência da floresta. E para isso, eles precisariam despertar algo que estava adormecido há muito tempo.

“Existe um lugar, nas profundezas do coração da Floresta Sussurrante, onde a própria vida reside em sua forma mais pura”, Morwenna revelou. “É o Ninho da Vida, o berço de onde a Deusa Yara extraiu sua primeira centelha de poder. Lá, as sementes da renovação aguardam o momento certo para germinar.”

A jornada até o Ninho da Vida era perigosa, guardada por criaturas ancestrais e envolta em ilusões que testariam a sanidade de qualquer viajante. Mas a esperança que Morwenna ofereceu era um bálsamo para a exaustão que os consumia.

“Precisamos ir”, Kaelen disse, apesar de sua fraqueza. “Se isso puder restaurar minha força e manter o juramento, farei o que for preciso.”

Enquanto se preparavam para a nova jornada, uma semente de dúvida começou a germinar no coração de Kaelen. A desconfiança, alimentada por sua própria vulnerabilidade e pelo peso do juramento, começou a corroer sua confiança em seus companheiros. Ele se lembrava das palavras das Sombras Antigas, sussurrando sobre sua indignidade, sobre a natureza emprestada de seu poder.

Uma noite, enquanto descansavam sob um dossel de estrelas, Kaelen observou Elara e Lyra conversando em voz baixa. Ele não conseguia ouvir as palavras, mas a forma como elas se olhavam, a cumplicidade em seus gestos, despertou em sua mente uma suspeita perturbadora. Seria possível que elas estivessem escondendo algo dele? Que elas tivessem seus próprios planos para o poder que ele agora possuía?

“O que vocês estão tramando?”, ele perguntou abruptamente, sua voz mais áspera do que pretendia.

Elara e Lyra o olharam, surpresas. “Tramando, Kaelen? Sobre o que você está falando?”, Elara perguntou, com a testa franzida.

“Eu vejo vocês. Sussurrando, trocando olhares… O que vocês estão escondendo de mim?”, Kaelen insistiu, a dúvida se transformando em acusação.

Lyra se aproximou, seus olhos cheios de preocupação. “Kaelen, nós estamos apenas… preocupadas com você. Com sua fraqueza. E com o perigo que ainda nos cerca.”

“Preocupadas? Ou planejando como usar a força que eu dediquei ao juramento?”, Kaelen retrucou, a amargura em sua voz. Ele sentiu o poder das Sombras Antigas se intensificando dentro dele, alimentado por essa nova discórdia.

Elara deu um passo à frente, sua expressão séria. “Kaelen, você está permitindo que a escuridão que combatemos agora se aninhe em seu próprio coração. Nós somos suas aliadas. Acreditamos em você e no juramento que você fez.”

“Acreditam? Ou apenas me veem como uma ferramenta? Um meio para um fim?”, Kaelen disse, o olhar de desconfiança endurecendo seus traços. Ele sentia a floresta reagir à sua agitação, o vento soprando com mais força, as árvores rangendo como em protesto.

Morwenna, que observava a cena em silêncio, interveio. “A dúvida é um veneno sutil, jovem guardião. Ela se insinua nas rachaduras da confiança e corrói o espírito. As Sombras Antigas se alimentam dessa discórdia. Cuidado para não se tornar o que você jurou combater.”

As palavras de Morwenna atingiram Kaelen como um golpe, mas a semente da desconfiança já havia fincado raízes profundas. Ele se afastou de Elara e Lyra, sentindo uma barreira invisível se erguer entre eles. A conexão que eles compartilhavam, que antes era uma fonte de força, agora parecia um fardo, uma potencial fraqueza.

Enquanto o grupo se preparava para partir em direção ao Ninho da Vida, Kaelen sentia o peso do mundo sobre seus ombros. Ele era um guardião, sim, mas um guardião corroído pela dúvida, enfraquecido pela desconfiança. A floresta sussurrava ao seu redor, mas agora, em vez de consolo, ele ouvia apenas ecos de suas próprias inseguranças. A batalha contra as Sombras Antigas e a Sombra Adormecida estava prestes a ser ofuscada pela guerra silenciosa que se travava em seu próprio coração. E ele temia que, se não conseguisse superar essa escuridão interior, a própria Floresta Sussurrante estaria em perigo, não pelas forças externas, mas pela falha de seu próprio guardião.

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