O Juramento da Deusa Yara

Capítulo 4 — A Fúria da Sereia

por Rafael Rodrigues

Capítulo 4 — A Fúria da Sereia

A notícia do fracasso da equipe de Arthur Mendonça chegou aos ouvidos de Matias Valente como um balde de água fria em um dia escaldante. A ousadia da natureza, ou de quem quer que fosse que estivesse protegendo suas águas, era inaceitável. Valente, um homem acostumado a dobrar o mundo à sua vontade, sentiu a fúria crescer em seu interior. Ele sabia que a AquaCorp não podia mais ser vista como uma força a ser questionada. Era hora de demonstrar seu poder de forma inequívoca.

“Eles acham que podem me desafiar?”, rosnou Valente, seu rosto pálido de raiva. “Um bando de cientistas patéticos, incapazes de entender o poder que controlam. E agora, uma força desconhecida que interfere em nossos negócios? Isso não pode ficar impune.”

Ele chamou Leonardo para seu escritório. A sala, antes um santuário de poder, agora parecia sufocada pela tensão.

“Leonardo, precisamos agir com mais… contundência”, disse Valente, seus olhos brilhando com uma malícia fria. “Esses fenômenos nas estações de tratamento são um insulto. E essas histórias sobre uma ‘energia’ natural… são um pretexto para a ineficiência. Precisamos mostrar quem manda.”

Leonardo, sempre o executor fiel, esperou as ordens. “O que o senhor deseja, Dr. Valente?”

“Quero que você se dirija pessoalmente àquela estação de tratamento no interior. E quero que você garanta que ela volte a operar sob nosso controle total. Se a água estiver ‘melhor’, use isso como desculpa para intensificar a exploração. Se houver alguma resistência, use a força necessária. Não me importa se teremos que poluir aquele rio de volta ao seu estado anterior. O importante é que a AquaCorp recupere o controle absoluto.”

Leonardo assentiu. “Entendido, Dr. Valente. Algo mais?”

Valente pensou por um momento, um sorriso sinistro se formando em seus lábios. “Sim. Quero que você também vá até a comunidade local. Descubra quem está por trás dessa ‘interferência’. Se houver algum ativista, algum grupo tentando impedir nosso progresso, eles precisarão ser… dissuadidos. Discrição é fundamental, mas os resultados são o que importam.”

Leonardo saiu da sala, determinado a cumprir as ordens de seu chefe. Ele sabia que a missão seria delicada, mas também sabia que a AquaCorp não hesitaria em usar todos os meios necessários para proteger seus interesses.

Enquanto isso, Arthur Mendonça e Clara, cientes do perigo que corriam, decidiram que não poderiam mais confiar na AquaCorp. Eles haviam visto a verdade na nascente, e sabiam que Valente jamais permitiria que essa verdade viesse à tona.

“Não podemos voltar para a sede, Arthur”, disse Clara, sua voz trêmula, mas firme. “Valente nos quer calados. Ele não vai hesitar em nos silenciar permanentemente.”

Arthur concordou. Ele sabia que a AquaCorp tinha um histórico de ‘acidentes’ envolvendo pessoas que se tornavam inconvenientes. “Você tem razão. Precisamos encontrar um jeito de expor o que está acontecendo. Mas primeiro, precisamos nos proteger.”

Eles decidiram se refugiar em uma pequena vila de pescadores próxima, onde esperavam encontrar um refúgio e, talvez, ajuda para sua causa. Ao chegarem, foram recebidos com desconfiança pelos moradores locais. A AquaCorp tinha um nome forte na região, e a associação com ela era vista com receio.

No entanto, foram acolhidos por Dona Lurdes, uma senhora gentil e sábia que, apesar de sua idade, mantinha um espírito vibrante. Ela os convidou para ficar em sua modesta casa de pescador, longe dos olhares curiosos da AquaCorp.

“Vocês parecem assustados”, disse Dona Lurdes, servindo-lhes um café forte. “Se estão fugindo da AquaCorp, saibam que não estão sozinhos. Muitos aqui sofrem com as ações deles, mas têm medo de falar.”

Arthur e Clara compartilharam sua história, contando sobre a nascente e sobre a resistência que a natureza parecia estar oferecendo. Dona Lurdes os ouviu atentamente, seus olhos marejados de esperança.

“Eu sempre soube que havia algo mais”, disse ela, em voz baixa. “Minha avó, como a sua, também contava histórias sobre a Deusa Yara. Ela dizia que Yara sentia a dor do mundo, e que quando a água gritava por socorro, ela respondia. Talvez seja isso que está acontecendo agora.”

Enquanto isso, Leonardo e sua equipe chegaram à estação de tratamento de água. A ordem de Valente era clara: restaurar o controle, custasse o que custasse. Ao se aproximarem, Leonardo sentiu uma estranha resistência no ar, uma sensação de que não eram bem-vindos.

“Precisamos ter cuidado”, disse ele a seus homens. “Esta é uma operação delicada. O Dr. Valente quer resultados, mas sem chamar muita atenção.”

Eles entraram na estação. A água que fluía pelos filtros era mais limpa do que o esperado, mas ainda assim, Leonardo estava determinado a reverter qualquer mudança não autorizada. Ele ordenou que os sistemas de filtragem fossem recalibrados para um padrão mais baixo, o que, na prática, significava permitir que a água voltasse a ser poluída.

“Vamos aumentar o fluxo de resíduos industriais para esta estação”, disse ele. “Precisamos que a água volte ao nosso padrão. Não podemos ter essa ‘pureza’ inexplicável prejudicando nossa imagem.”

Ao darem o comando, algo chocante aconteceu. A água que fluía pelos canos começou a borbulhar violentamente. Uma névoa densa e esverdeada surgiu, e um cheiro forte e desagradável tomou conta do ambiente. Os sistemas da estação começaram a falhar, sobrecarregados pela súbita mudança.

Leonardo e seus homens recuaram, assustados. A água, que antes era cristalina, agora estava turva e agitada, como se estivesse viva e furiosa. E, no centro da turbulência, uma figura começou a se formar.

Era uma sereia. Não uma criatura mítica de contos de fadas, mas uma força da natureza personificada. Sua pele era esverdeada, como a água poluída, seus cabelos longos e emaranhados flutuavam como algas, e seus olhos eram de um azul profundo e furioso. Ela emanava um poder ancestral, a fúria de milênios de abuso.

“Quem ousa profanar minhas águas?”, sua voz ecoou pela estação, um grito que parecia vir das profundezas do oceano. “Vocês, vermes que envenenam o mundo com sua ganância!”

Leonardo ficou petrificado. Ele nunca imaginou que algo assim pudesse existir. Mas ali estava ela, a personificação da ira das águas.

“Eu sou a guardiã deste rio!”, continuou a sereia, sua voz ganhando força. “E não permitirei que vocês continuem a destruí-lo!”

Com um movimento rápido, ela ergueu as mãos e um jato de água pressurizada atingiu os equipamentos da estação, quebrando-os em pedaços. Os homens de Leonardo correram em pânico, tentando escapar da fúria da criatura.

Leonardo, embora aterrorizado, manteve-se firme. Ele sabia que precisava relatar isso a Valente. Mas, ao se virar para fugir, a sereia o agarrou pelo braço.

“Você não irá a lugar nenhum”, disse ela, seus olhos fixos nos dele. “Vocês sentiram a fúria da natureza. E ela não vai parar até que a justiça seja feita.”

Ela mergulhou em uma piscina de água que se formou no chão, levando Leonardo consigo. Seus gritos de terror foram abafados pela água, e então, um silêncio ensurdecedor tomou conta da estação de tratamento.

Quando a notícia do desaparecimento de Leonardo e de seus homens chegou a Valente, ele não sentiu medo, mas uma raiva ainda maior. Uma sereia? Uma criatura mítica intervindo em seus negócios? Era impensável.

“Isso é uma declaração de guerra”, sibilou Valente, seus punhos cerrados. “Eles cruzarão o limite, mas eu os farei pagar. Quem quer que seja essa ‘sereia’, eu a caçarei. E farei com que todas as águas do mundo se curvem a mim!”

A fúria da sereia havia sido um aviso, um prenúncio da revolta que estava por vir. Iara, a Deusa das Águas, estava finalmente mostrando sua força. E a AquaCorp, em sua arrogância, estava prestes a enfrentar a tempestade.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%