O Juramento da Deusa Yara

Capítulo 7 — O Legado da Sereia

por Rafael Rodrigues

Capítulo 7 — O Legado da Sereia

A luz etérea que emanava do teto da gruta banhava a câmara em um brilho prateado, iluminando a estátua da Deusa Yara e o intrincado símbolo gravado em sua base. Liana, com os dedos ainda tocando as linhas frias da pedra, sentia uma torrente de emoções percorrer seu corpo. A descoberta da gruta e a visão do Juramento rompido haviam sido avassaladoras, mas agora, diante do símbolo sagrado, uma nova urgência a impelia.

"Precisamos encontrar uma forma de decifrar isso", Liana disse, sua voz carregada de uma mistura de fascinação e desespero. "Elara não nos daria pistas tão vagas se não fosse algo de extrema importância."

Rael observava a estátua com uma mistura de admiração e apreensão. Ele sempre fora um homem de ação, de estratégias claras e inimigos visíveis. Os mistérios profundos da floresta, os pactos ancestrais e as deusas esquecidas eram um terreno desconhecido e, para ser honesto, um pouco assustador. No entanto, a determinação nos olhos de Liana o impelia a seguir em frente.

"O que você vê quando toca o símbolo, Liana?", Rael perguntou, tentando compreender o mundo que ela parecia navegar com tanta facilidade. "Há algo mais lá, além do Juramento rompido?"

Liana fechou os olhos por um momento, concentrando-se. O sussurro da gruta parecia abraçá-la, e as imagens do passado voltaram, mais nítidas agora. Ela viu a Deusa Yara, radiante, jurando proteger o equilíbrio entre os reinos da terra e do mar. Viu a serpente negra, sua forma sombria contra a luz do sol, rastejando para corromper o juramento. E então, uma nova imagem surgiu, fugaz, mas marcante: uma figura esguia, com cabelos longos e escuros, deslizando pelas águas azuis, cantando uma melodia de tristeza e advertência. Uma sereia.

"Uma sereia...", Liana murmurou, abrindo os olhos. "Ela está ligada a isso. O Juramento não é apenas sobre a terra, mas também sobre o mar."

"Uma sereia?", Rael repetiu, sua testa franzida. "Como isso se encaixa? A ameaça parece vir da terra, da sombra."

"O Juramento da Deusa Yara abrangia tudo", Liana explicou, sua mente trabalhando rapidamente. "Ela jurou proteger o equilíbrio, e esse equilíbrio se estende às profundezas. A carta de Elara... 'O Sussurro das Profundezas'... isso era um aviso sobre o mar, não era?"

Rael assentiu lentamente, a peça começando a se encaixar em sua mente. Ele se lembrava da angústia em sua voz quando falou sobre o mar, sobre as correntes que pareciam carregadas de malícia. "Sim. Eu senti algo errado no mar. Um pressentimento. Mas pensei que fosse apenas a minha imaginação."

"Não era a sua imaginação, Rael", Liana disse, sua voz ganhando um tom de urgência. "Era o pressentimento da sereia. Ela está tentando nos avisar. Talvez ela seja uma guardiã do Juramento, assim como a floresta."

Liana voltou a tocar o símbolo na base da estátua. Ela se concentrou na imagem da sereia, em sua melodia triste. Uma nova onda de visões a atingiu, mais focada. Ela viu um pergaminho antigo, guardado em uma concha gigante, contendo os detalhes do Juramento e as instruções para sua renovação. Viu a sereia entregando esse pergaminho a alguém, a alguém que ela confiava.

"Eu vejo um pergaminho", Liana disse, com os olhos arregalados. "Um pergaminho antigo, contendo os segredos do Juramento. Ele está guardado em uma concha, um lugar escondido no fundo do mar. E a sereia... ela está tentando nos mostrar onde encontrá-lo."

"No fundo do mar?", Rael exclamou, sua voz ecoando na gruta. "Como vamos chegar lá? Não temos como respirar sob a água por tanto tempo."

Liana sorriu fracamente. "A Deusa Yara não é apenas a protetora da terra. Ela é a divindade que une a terra e o mar. Talvez haja uma forma." Ela olhou em volta da câmara, seus olhos pousando em uma pequena piscina natural, de onde brotava a água que alimentava o riacho. A água era límpida, e bolhas subiam suavemente, como se carregassem consigo os segredos da terra.

"A água", Liana murmurou. "A água que brota aqui... ela vem de um lugar muito, muito profundo. Um lugar conectado ao mar." Ela se aproximou da piscina, a água brilhando sob a luz fraca. "Se a sereia está tentando nos comunicar através de visões, talvez a água possa nos dar as respostas que precisamos para chegar até ela."

Com um gesto ousado, Liana mergulhou as mãos na água. Ao contrário da água fria que ela sentira antes, esta parecia morna e acolhedora. Assim que seus dedos entraram em contato com a superfície, uma nova torrente de imagens a invadiu. Ela viu um caminho subaquático, iluminado por corais bioluminescentes e habitado por criaturas marinhas de beleza estonteante. Viu a sereia nadando com graça, sua cauda cintilando, guiando-a por aquele caminho. E viu, no final do trajeto, uma caverna subaquática, adornada com pérolas e algas cintilantes, onde repousava a concha gigante.

"Eu vejo um caminho!", Liana exclamou, seus olhos brilhando de excitação. "Um caminho no fundo do mar! A sereia está nos mostrando como chegar lá! Há corais que brilham, e criaturas marinhas que nos guiarão."

Rael a olhava, maravilhado com a capacidade de Liana de decifrar os segredos da natureza. Ele sabia que confiar nela era sua única chance. "E como nós, meros mortais, vamos percorrer esse caminho sem afogar?", ele perguntou, com um toque de humor seco.

Liana riu, um som leve e melodioso que parecia ecoar os sussurros da gruta. "A Deusa Yara nos ajudará. Ela é a protetora do Juramento. Se o Juramento está em perigo, ela nos dará os meios para protegê-lo." Ela olhou para a água com uma nova determinação. "Precisamos nos preparar. Precisamos encontrar uma forma de respirar sob a água e de suportar a pressão das profundezas."

De volta à clareira onde haviam entrado, Liana vasculhou sua bolsa de couro, tirando alguns pequenos frascos de vidro que continham líquidos de cores variadas. "Elara me deu isso", ela disse, mostrando um frasco que continha um líquido azul-turquesa cintilante. "Ela disse que era para 'momentos de grande necessidade'. Acho que este é um deles."

Liana abriu o frasco e bebeu o líquido de um só gole. Um arrepio percorreu seu corpo, e ela sentiu seus pulmões se expandirem, como se estivessem ganhando uma nova capacidade. Ela olhou para Rael, com um sorriso confiante. "Eu posso respirar sob a água. Por um tempo limitado, mas é o suficiente."

"E eu?", Rael perguntou, sua esperança renovada.

Liana pegou outro frasco, este contendo um líquido verde-esmeralda. "Este é para você. A proteção da floresta contra o abismo do oceano."

Rael não hesitou. Engoliu o líquido, sentindo um calor se espalhar por seu peito. Ele não sentiu a mesma expansão pulmonar que Liana, mas uma sensação de força e resiliência tomou conta dele, como se seu corpo estivesse se adaptando à pressão e à falta de ar.

"Pronto?", Liana perguntou, seus olhos verde-esmeralda cintilando com a aventura que os aguardava.

Rael assentiu, desembainhando sua espada. "Sempre."

Juntos, eles voltaram para a câmara onde estava a estátua da Deusa Yara. Liana se ajoelhou novamente à beira da piscina, sua mão tocando a água. Desta vez, a imagem do caminho subaquático surgiu com clareza, e ela sentiu um portal se abrindo na superfície da água.

"É agora", ela disse, com uma voz firme. "A Deusa Yara nos guiará."

Com um último olhar para a estátua, que parecia observar sua jornada com uma serenidade ancestral, Liana mergulhou na piscina. Rael, com a espada em punho, a seguiu sem hesitação.

A transição foi surpreendente. Em vez de sentir a água fria e a falta de ar, Rael se viu nadando em um ambiente subaquático que parecia tão natural quanto andar na terra. A água era morna, e a luz que emanava dos corais e das criaturas marinhas criava um espetáculo de cores deslumbrante. Liana nadava à sua frente, seus longos cabelos escuros flutuando como algas, guiando-o por um labirinto de correntes e formações rochosas.

Eles nadaram por um tempo que pareceu uma eternidade e um instante. As criaturas marinhas os observavam com curiosidade, mas sem hostilidade. Liana parecia se comunicar com elas através de um olhar, um gesto sutil. Finalmente, eles avistaram a caverna subaquática, um arco natural adornado com pérolas que brilhavam como estrelas caídas.

Na entrada da caverna, a sereia que Liana vira em suas visões estava esperando. Sua beleza era etérea, seus olhos grandes e escuros transbordando de tristeza e esperança. Ela cantou uma melodia suave, uma canção de boas-vindas e advertência.

Liana se aproximou da sereia, sentindo uma profunda conexão com ela. "Nós viemos em busca do pergaminho", Liana disse, sua voz ressoando suavemente sob a água. "Precisamos restaurar o Juramento."

A sereia assentiu, sua expressão séria. Ela nadou para dentro da caverna, e Liana e Rael a seguiram. No centro da caverna, repousava uma concha gigante, com mais de um metro de diâmetro. Dentro dela, cuidadosamente enrolado e protegido por uma fina camada de algo semelhante a cristal, estava o pergaminho antigo.

Liana estendeu a mão trêmula e pegou o pergaminho. Ao tocá-lo, sentiu uma onda de energia percorrer seus dedos. A história da Deusa Yara, do seu Juramento e da traição da serpente negra se revelou em sua mente com uma clareza avassaladora.

"O Juramento...", Liana murmurou, o pergaminho em suas mãos. "Ele não foi apenas quebrado. Foi distorcido. A serpente não o destruiu, mas o corrompeu, usando seu poder para o mal. Para restaurá-lo, precisamos encontrar os três artefatos que representam os pilares do Juramento: a Raiz Ancestral da Terra, a Lágrima Cristalina do Mar e a Centelha Dourada do Céu."

"Três artefatos?", Rael perguntou, sua voz embargada pela surpresa. "Onde eles estão?"

A sereia, com um olhar de compreensão, apontou com o dedo para fora da caverna, em direção às profundezas escuras do oceano. Sua melodia mudou, tornando-se mais sombria, prenunciando os perigos que os aguardavam.

Liana olhou para Rael, a determinação em seus olhos agora misturada com a compreensão da magnitude da tarefa que tinham pela frente. A Floresta das Brumas os havia guiado até o mar, mas a verdadeira jornada para salvar o reino estava apenas começando, e ela seria longa, perigosa e repleta de sacrifícios. O Legado da Sereia os havia levado a um novo patamar de perigo, mas também de esperança.

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