As Crônicas do Rio Negro Místico

As Crônicas do Rio Negro Místico

por Rafael Rodrigues

As Crônicas do Rio Negro Místico

Por Rafael Rodrigues

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Capítulo 16 — O Sussurro das Ruínas Ancestrais

O ar na Floresta Sussurrante era denso, carregado com o perfume úmido da terra e o aroma adocicado de flores desconhecidas. A luz do sol, filtrada pela copa densa de árvores ancestrais, criava um mosaico de sombras dançantes no chão coberto de folhas. Elias, com o coração martelando contra as costelas, guiava o pequeno grupo por entre a vegetação exuberante. Ao seu lado, Lyra, com seus olhos verdes faiscando de apreensão e determinação, segurava seu cajado como se fosse uma extensão de sua própria alma. Atrás deles, Kaelen, com sua armadura reluzente, mantinha uma postura vigilante, seus olhos atentos a qualquer movimento nas profundezas da mata.

Haviam dias que seguiam as pistas que a velha Elara lhes deixara, um rastro enigmático que os levara até a fronteira da Floresta Sussurrante, um lugar evitado até pelos mais destemidos caçadores. As lendas falavam de criaturas sombrias e espíritos antigos que habitavam suas profundezas, guardando segredos que a civilização há muito esquecera. Mas a urgência da missão, a necessidade de encontrar a Fonte do Rio Negro antes que o véu que separava os mundos se fechasse para sempre, impelia-os adiante.

“Tem certeza de que é por aqui, Elias?”, perguntou Lyra, sua voz um pouco ofegante. Ela enxugou o suor da testa com o dorso da mão. “Sinto uma energia estranha neste lugar, como se estivéssemos sendo observados.”

Elias parou, a mão estendida para que Kaelen e Lyra também o fizessem. Ele fechou os olhos por um instante, concentrando-se, tentando sintonizar-se com a própria floresta. Era como se cada folha, cada galho, cada raio de sol tivesse uma história para contar, um murmúrio antigo que só os mais sensíveis podiam ouvir. “Sim, Lyra. A energia nos guia. A Fonte não está longe. Mas Elara disse que o caminho seria traiçoeiro. As ruínas… elas guardam a entrada.”

Kaelen, sempre direto, rosnou: “Ruínas? Que ruínas? Não vejo nada além de árvores e cipós.”

“Paciência, guerreiro”, respondeu Elias, um leve sorriso nos lábios. “A floresta não revela seus segredos facilmente. Elara descreveu um arco de pedra, coberto de musgo e esquecido pelo tempo. Dizem que foi a entrada para uma cidade antiga, que a própria terra engoliu.”

Continuaram a caminhada, o silêncio apenas quebrado pelo farfalhar das folhas sob seus pés e pelo canto exótico de pássaros invisíveis. A cada passo, a atmosfera se tornava mais carregada, mais mística. Elias sentia um chamado profundo, um eco de eras passadas que parecia ressoar em sua alma. Ele se lembrava das histórias que seu avô contava sobre os Primeiros Povos, os guardiões originais da magia do Rio Negro, cujas cidades e templos haviam desaparecido sob a floresta.

De repente, Kaelen parou, sua mão instintivamente indo para a empunhadura de sua espada. “O que é isso?”

Um som baixo e rítmico começou a permear o ar, como um tambor distante batendo em sincronia com seus corações. Não era um som natural, mas algo intencional, quase ritualístico. Elias sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

“Vem das ruínas”, sussurrou Lyra, seus olhos arregalados.

Seguindo a direção do som, avançaram com cautela. A vegetação começou a se adensar ainda mais, até que, subitamente, a floresta se abriu em um clareira inesperada. E lá estava. Um arco de pedra colossal, escurecido pelo tempo e coberto por uma tapeçaria espessa de musgo e trepadeiras. Gravuras intrincadas, desgastadas pela chuva e pelo vento, podiam ser discernidas em sua superfície. Era a entrada para um mundo esquecido.

O som do tambor pulsava mais forte agora, vindo de dentro das ruínas. Parecia um convite, mas também um aviso. Elias sentiu uma mistura de fascínio e receio. Ele olhou para Lyra e Kaelen, que compartilhavam seu espanto.

“É… magnífico”, disse Lyra, maravilhada. “Nunca vi nada igual.”

“Cheira a perigo”, murmurou Kaelen, sua expressão tensa.

Elias deu um passo à frente, sentindo a energia emanando do arco como uma corrente elétrica. As gravuras pareciam ganhar vida em sua mente, contando histórias de um povo que vivia em harmonia com a natureza, que conhecia os segredos do Rio Negro. “As lendas são verdadeiras. Uma cidade… uma civilização inteira adormecida sob a terra.”

Ele se aproximou do arco, estendendo a mão para tocar a pedra fria. No instante em que seus dedos fizeram contato, um leve tremor percorreu o chão, e o som do tambor ficou mais alto, mais urgente. Uma luz fraca começou a emanar das gravuras, um brilho azul pálido que dançava sobre a pedra.

“Cuidado, Elias!”, alertou Lyra.

“Não é uma armadilha”, disse Elias, sentindo uma conexão profunda com o local. “É uma saudação. Eles sabem que estamos aqui.”

De repente, uma figura emergiu das sombras dentro do arco. Era um homem, mas não um homem comum. Sua pele era de um tom bronzeado profundo, seus cabelos longos e negros caíam sobre seus ombros, adornados com penas e contas. Ele vestia um manto tecido com fibras naturais e em seus olhos, escuros e profundos, ardia uma sabedoria ancestral. Ele segurava um tambor pequeno, feito de couro esticado sobre uma moldura de madeira, e batia nele com uma baqueta delicada.

O homem parou a alguns passos de Elias, observando-os com uma intensidade que parecia perscrutar suas almas. O som do tambor cessou, e um silêncio expectante pairou no ar.

“Quem são vocês que ousam perturbar o sono dos Antigos?”, perguntou o homem, sua voz ressoando com uma autoridade natural, como o murmúrio de um rio subterrâneo.

Elias deu um passo à frente, mantendo a compostura. “Meu nome é Elias. Estes são Lyra e Kaelen. Viemos em busca da Fonte do Rio Negro. Precisamos de sua ajuda.”

O homem inclinou a cabeça, seus olhos fixos em Elias. “A Fonte… um nome que há muito tempo não se ouve. Vocês vêm de fora dos limites deste véu. O que os traz a um lugar tão esquecido?”

“O destino do nosso mundo está em jogo”, explicou Elias, a urgência em sua voz crescendo. “O véu que separa a vida e a morte está se desfazendo. Precisamos impedir que a escuridão o engula.”

O homem permaneceu em silêncio por um longo momento, estudando cada um deles. Elias sentia o peso de sua avaliação, como se estivesse sendo julgado não apenas por suas ações, mas por sua essência.

Finalmente, o homem falou novamente. “Vocês parecem carregar a marca da necessidade. Elara nos falou de um tempo vindouro, de forasteiros que viriam em busca do que foi perdido.” Ele fez uma pausa, um leve sorriso começando a se formar em seus lábios. “Eu sou Kael, o guardião deste limiar. E vocês foram guiados até aqui pelo próprio Rio Negro.”

Kael estendeu a mão em direção ao arco. “Entrem. A cidade adormecida tem muito a lhes mostrar, e muito a lhes pedir.”

Lyra trocou um olhar com Elias, uma mistura de esperança e apreensão refletida em seus olhos. Kaelen permaneceu alerta, mas parecia haver um fio de curiosidade substituindo sua desconfiança. Elias assentiu para Kael, e juntos, adentraram o arco de pedra, desaparecendo nas profundezas de um passado esquecido, onde as ruínas sussurravam os segredos da magia ancestral. O ar mudou instantaneamente, tornando-se mais frio, impregnado com o aroma de incenso antigo e um leve toque de magia adormecida. O som de seus passos ecoava em um espaço que parecia desafiar as leis da física.

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