As Crônicas do Rio Negro Místico

Capítulo 22 — A Sombra da Floresta Murmurante

por Rafael Rodrigues

Capítulo 22 — A Sombra da Floresta Murmurante

A Floresta Murmurante, um lugar de beleza etérea e perigos insondáveis, estendia-se como um manto verde-escuro para além das ruínas fumegantes de Eldoria. Seus troncos centenários, entrelaçados em um abraço ancestral, pareciam sussurrar segredos antigos, e as folhas, em uma dança perpétua, murmuravam em uma língua que apenas os mais sintonizados com a natureza podiam compreender. Para Elara, porém, a floresta agora parecia um labirinto de desespero, um reflexo sombrio de seu próprio estado de espírito.

Dias haviam se passado desde o ataque de Malkor. O exército de Eldoria, reduzido a uma fração de seu antigo esplendor, havia se retirado para um acampamento improvisado nas proximidades, buscando refúgio e tempo para se reagrupar. A prioridade de Elara, contudo, não era a reconstrução. Era a caçada. A caçada por Lysandra. A caçada pela verdade.

Ela adentrava a floresta acompanhada por um pequeno grupo de guerreiros leais, a maioria deles com cicatrizes visíveis, não apenas físicas, mas também as profundas marcas emocionais deixadas pela batalha e pela traição. Liam, apesar de sua idade, insistira em acompanhá-la, sua sabedoria e sua conexão com os caminhos ocultos da floresta sendo um recurso inestimável. Roric, o robusto anão de barba vermelha, cuja lealdade a Elara era tão sólida quanto as montanhas de sua terra natal, também estava presente, seu machado sempre à mão, sua expressão um misto de preocupação e determinação. E havia Anya, a jovem curandeira, cujos olhos, antes cheios de compaixão, agora carregavam uma sombra de tristeza, mas cuja habilidade em decifrar os segredos da natureza era tão afiada quanto a lâmina de Elara.

“Você tem certeza que ela foi para cá, Liam?”, perguntou Elara, a voz tensa, enquanto seus olhos varriam a densa vegetação. O ar era úmido e carregado com o perfume de terra molhada e flores silvestres, mas para Elara, tudo parecia tingido de melancolia.

Liam parou, fechando os olhos por um instante. O vento acariciava seus cabelos brancos, e ele parecia ouvir os murmúrios da floresta. “Os rastros… eles são sutis, mas estão lá. Lysandra é uma rastreadora habilidosa, mas a floresta não mente. Ela sente a perturbação que ela causou. O medo… e a pressa.”

“Pressa para quê?”, Roric rosnou, sua voz grave ressoando entre as árvores. “Para se juntar a Malkor? Para desfrutar das migalhas que ele lhe joga?”

Anya, que vinha logo atrás, colocou uma mão reconfortante no braço do anão. “Não vamos nos precipitar, Roric. A elfa lutou bravamente. Talvez haja uma explicação.”

Elara balançou a cabeça, um movimento lento e doloroso. A esperança que Anya ainda nutria era algo que ela não conseguia mais sustentar. “O que mais poderia haver, Anya? A traição é clara. A única coisa que precisamos descobrir é o porquê. O que Malkor lhe prometeu?”

“Ele promete poder. E ele sabe como explorar as fraquezas que o tempo e a dor criam em nossos corações”, disse Liam, reabrindo os olhos. “Lysandra sempre carregou o peso de seu passado. A perda de sua família, a ruína de seu clã… Malkor deve ter prometido a ela a chance de reescrever a história, de desfazer o que foi feito.”

A floresta parecia reagir às palavras de Liam, um vento mais forte agitava as copas das árvores, como se as próprias criaturas da natureza lamentassem a fragilidade das almas. Elara apertou o punho em torno de sua espada. A ideia de Lysandra, a guerreira forte e orgulhosa, sendo manipulada por Malkor, era quase tão dolorosa quanto a própria traição.

Eles avançaram por horas, a luz do sol filtrando-se com dificuldade pela densa folhagem. A trilha, antes clara, começava a se dissipar, tornando-se um emaranhado de raízes e samambaias. A floresta parecia se fechar ao redor deles, os murmúrios se tornando mais intensos, quase como vozes sussurrantes em seus ouvidos.

“Cuidado!”, Liam alertou de repente, erguendo a mão.

De repente, a vegetação à frente se moveu. Não era o vento, nem um animal. De uma clareira escondida, surgiram figuras sombrias. Eram criaturas da floresta, mas não as criaturas pacíficas que Elara conhecia. Eram os Silvanos Sombrios, guardiões corrompidos pela escuridão que Malkor espalhava pelo mundo. Seus corpos eram feitos de galhos retorcidos e musgo escuro, e seus olhos brilhavam com uma luz vermelha e malevolente.

“Eles estão protegendo o caminho”, sussurrou Anya, pegando seu cajado. “Malkor os corrompeu para defender seus segredos.”

A batalha foi feroz e rápida. Os Silvanos Sombrios eram ágeis e poderosos, seus ataques vindos de todas as direções. Roric brandia seu machado com uma fúria primal, cortando os galhos que tentavam imobilizá-lo. Liam, com gestos firmes, canalizava a energia da floresta para criar barreiras e desorientar os inimigos. Anya, por sua vez, usava sua conexão com a natureza para curar os ferimentos e enfraquecer as criaturas corrompidas.

Elara lutava com a agilidade de um leopardo, sua espada dançando em um balé mortal. Mas em meio ao combate, sua mente se voltava para Lysandra. Ela se perguntava se a elfa também havia lutado contra essas criaturas, ou se ela as havia comandado. A incerteza a corroía, tornando cada golpe um pouco mais pesado.

No final, com um esforço conjunto, eles conseguiram derrotar os Silvanos Sombrios. O silêncio que se seguiu à batalha era quase ensurdecedor, pontuado apenas pela respiração ofegante dos sobreviventes e pelo som distante dos murmúrios da floresta.

“Parece que eles queriam nos impedir de chegar a um lugar específico”, disse Elara, limpando o suor de sua testa. “Liam, para onde esses rastros nos levam?”

Liam, com o olhar fixo em uma direção mais profunda na floresta, indicou um caminho pouco visível entre as árvores. “Para o coração da floresta. Um lugar que as lendas chamam de ‘O Santuário das Lágrimas’. Dizem que é um lugar de grande poder, onde as almas perdidas encontram descanso… ou se tornam presas.”

Uma apreensão gelada percorreu Elara. O Santuário das Lágrimas. Um lugar onde as verdades mais dolorosas eram reveladas. E onde, talvez, ela finalmente encontraria as respostas que buscava, mesmo que essas respostas a quebrassem.

“Precisamos ir. Agora”, disse Elara, sua voz carregada de urgência. A cada passo que davam, a floresta parecia se intensificar, os murmúrios ganhando um tom mais pessoal, como se as próprias árvores sussurrassem nomes e memórias. A busca por Lysandra estava se tornando uma jornada para o interior da própria alma de Elara, e ela temia o que encontraria nas profundezas da Floresta Murmurante. A sombra da traição parecia se estender, tecendo uma teia de dúvida e dor, e Elara sabia que o Santuário das Lágrimas seria o palco onde essa teia seria finalmente desvendada, para o bem ou para o mal.

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