As Crônicas do Rio Negro Místico

Capítulo 5 — A Emboscada da Pedra Serpente

por Rafael Rodrigues

Capítulo 5 — A Emboscada da Pedra Serpente

O ar na floresta se tornava mais denso a cada passo que Liana e Kael davam em direção à Pedra Serpente. A luz do sol, já escassa sob o dossel fechado, parecia ainda mais fraca ali, filtrada por uma névoa sutil que pairava entre as árvores antigas. Liana sentia a energia vibrante da floresta, amplificada pela bênção dos espíritos da Árvore Mãe, mas também sentia a presença opressora da escuridão que Malakor trazia consigo.

“Você tem certeza que é por aqui, Kael?”, perguntou Liana, o olhar atento aos arredores, percebendo o quão desolado e antigo aquele lugar parecia.

Kael consultou o mapa rudimentar e assentiu. “A descrição dos espíritos bate com este local. A rocha em forma de serpente… ela está escondida entre essas árvores ancestrais. É um lugar de poder, por isso Malakor o escolheria para realizar seu ritual. Ele acredita que a energia concentrada aqui amplificará o poder da Pedra das Sombras.”

“E nossos homens da aldeia? Estão com ele?”, perguntou Liana, a preocupação com Tainã apertando seu peito.

“Provavelmente. Ele os usa para forçar o caminho. Mas não podemos nos concentrar neles agora. Nosso objetivo principal é impedir que ele chegue à Nascente. Se ele corromper aquele lugar, a floresta inteira sofrerá, e a vida de todos, inclusive a de Tainã, estará em perigo.”

Moviam-se com a discrição que a situação exigia, seus passos quase inaudíveis sobre o tapete de folhas úmidas. Liana sentia a força sutil dos espíritos da Árvore Mãe envolvendo-os, como um escudo protetor, mas sabia que a força bruta de Malakor e suas armas eram uma ameaça real.

De repente, Kael fez um sinal para que parassem. “Ouça.”

Um som distante, mas inconfundível, chegou aos seus ouvidos: o estrondo metálico de uma arma sendo carregada. E depois, vozes humanas, rudes e impacientes.

“Eles estão mais perto do que pensávamos”, sussurrou Kael. “Eles não estão longe da Pedra Serpente.”

Liana sentiu uma pontada de medo, mas a determinação tomou conta. “Precisamos ser rápidos. E precisamos usá-los contra eles.”

Avançaram com cautela, guiados pelos sons. Logo, emergiram em uma clareira maior. No centro, erguia-se uma formação rochosa impressionante, de fato, com o formato de uma serpente colossal, enrolada como se estivesse dormindo. A pedra emanava uma aura de poder antigo, um lugar que parecia vibrar com a própria terra.

E ali, próximos à rocha, estavam eles. Um grupo de homens armados, vestidos com roupas escuras e funcionais, diferentes de qualquer coisa que Liana já vira. No centro do grupo, um homem alto e imponente, com um olhar frio e penetrante, segurava um objeto escuro e brilhante em suas mãos. Era Malakor. E em suas mãos, pulsava a Pedra das Sombras.

Ao lado de Malakor, amarrados e sob a vigilância de dois guardas, estavam vários homens da aldeia de Aruã, incluindo Tainã, o irmão de Liana. O desespero nos olhos deles era visível.

“Não podemos atacar diretamente”, sussurrou Kael. “São muitos, e estão armados. Precisamos criar uma distração, usar a floresta a nosso favor.”

Liana observou a cena, seu coração batendo forte no peito. A presença de Malakor irradiava uma aura de perversidade que a repelia. Ela sentiu o poder sombrio da Pedra das Sombras, uma energia que parecia querer sugar a vida de tudo ao seu redor.

“Malakor está concentrando seu poder”, disse Liana. “Ele está tentando preparar o ritual. Precisamos agir agora.”

Kael assentiu, seus olhos escuros estudando o terreno. “Eu cuidarei dos guardas que estão com os aldeões. Você, Liana, precisará ir atrás de Malakor e da pedra. Use sua conexão com a floresta. Ela lhe dará a força que precisa.”

Liana respirou fundo, sentindo a energia da floresta fluir através dela. Ela não era mais apenas uma moça da aldeia. Era a Guardiã.

“Vou distraí-lo”, disse Liana, sua voz surpreendentemente firme. “Quando eu der o sinal, você age.”

Com um gesto rápido, Liana pegou uma série de cipós resistentes e começou a tecê-los com rapidez e habilidade, criando uma rede improvisada, mas forte. Kael, por sua vez, pegou algumas frutas de uma árvore próxima, mas não para comer. Ele sabia que elas continham um pó que, quando espalhado no ar, poderia causar uma irritação intensa e temporária.

Liana esperou o momento certo. Malakor estava de joelhos diante da Pedra Serpente, murmurando palavras em uma língua gutural, a Pedra das Sombras pulsando em suas mãos. Tainã e os outros aldeões olhavam para ele com terror.

“Agora!”, gritou Liana.

Com um movimento rápido, ela arremessou a rede, mirando nos homens que guardavam os aldeões. Os cipós se espalharam com precisão, prendendo os guardas em um emaranhado apertado. Ao mesmo tempo, Kael jogou o pó das frutas em direção a Malakor e seus outros homens. O pó se espalhou com o vento, causando tosse e espirros, desorientando-os momentaneamente.

Malakor levantou a cabeça, furioso. Seus olhos encontraram os de Liana, que se aproximava com determinação.

“Quem ousa interromper meu ritual?”, rosnou ele, a voz carregada de poder sombrio.

“Eu sou Liana, Guardiã do Rio Negro Místico!”, respondeu ela, sua voz ecoando na clareira. “E você não profanará este lugar!”

Malakor riu, um som frio e desprovido de alegria. “Tão tola! A floresta é um tesouro a ser explorado, não um santuário a ser protegido. E este artefato, a Pedra das Sombras, me dará o poder de controlar tudo o que você ama!”

Ele ergueu a pedra, que começou a brilhar com uma luz negra e intensa. A terra ao redor começou a tremer, e as árvores mais próximas pareceram murchar instantaneamente.

Enquanto Malakor se preparava para lançar seu ataque, Kael agiu. Libertou os aldeões com rapidez e orientou-os a se afastarem do perigo. Tainã, ainda abalado, olhou para Liana com admiração e preocupação.

“Liana, cuidado!”, gritou Tainã.

Liana sentiu a energia da floresta fluir através dela, como nunca antes. Ela podia sentir as raízes da Pedra Serpente, a conexão daquele lugar com a Nascente. Ela estendeu as mãos em direção a Malakor, concentrando toda a sua força.

“Você busca poder, Malakor, mas não entende sua verdadeira natureza! O poder não é para controlar, mas para nutrir!”

Uma onda de energia verde-dourada, emanando dos espíritos da Árvore Mãe, envolveu Liana. Ela canalizou essa energia, direcionando-a para a Pedra das Sombras.

A pedra reagiu violentamente. A luz negra lutou contra a energia verde-dourada, criando um choque de poderes que fez a clareira tremer. Malakor gritou de frustração, tentando dominar a energia que o cercava.

Kael, vendo a oportunidade, correu em direção a Malakor, empunhando uma lança rudimentar. Ele sabia que não poderia derrotá-lo com força, mas poderia criar uma abertura.

“Malakor! Sua ganância o cegará!”, gritou Kael, atacando de lado.

O ataque de Kael desequilibrou Malakor por um instante crucial. A Pedra das Sombras vacilou em suas mãos. Liana aproveitou o momento. Com um grito, ela direcionou toda a sua força para a pedra.

Houve um clarão ofuscante de luz verde e negra. A Pedra das Sombras foi arrancada das mãos de Malakor, caindo no chão e se quebrando em mil pedaços, cada um emitindo um brilho fraco antes de se dissipar no ar.

Malakor soltou um grito de fúria e desespero. A energia sombria que o cercava se dissipou, deixando-o exposto e enfraquecido.

“Vocês… vocês arruinaram tudo!”, gritou ele, derrotado.

Os homens restantes de Malakor, vendo seu líder enfraquecido e o artefato destruído, hesitaram. Kael, com o apoio dos aldeões libertados, cercou-os, suas lanças apontadas.

“Rendam-se!”, ordenou Kael. “Sua luta acabou aqui.”

Sem o poder da Pedra das Sombras, e vendo a determinação nos olhos de Liana e Kael, os homens de Malakor não tiveram escolha senão depor suas armas.

Malakor, derrotado e humilhado, olhou para Liana com um ódio consumidor. “Isto não acabou, Guardiã! Eu retornarei!”

Liana olhou para ele, sua voz calma, mas cheia de poder. “Enquanto a floresta tiver seus protetores, você nunca terá sucesso. Vá embora e não retorne mais.”

Malakor foi levado pelos homens de Kael, sua derrota marcada na terra que ele tentou corromper. A clareira, antes um lugar de escuridão iminente, agora pulsava com a energia renovada da floresta, fortalecida pela bênção dos espíritos da Árvore Mãe e pela bravura de Liana e Kael.

Tainã correu para abraçar sua irmã. “Liana! Você conseguiu! Você salvou a todos nós!”

Liana abraçou o irmão com força, sentindo a alegria e o alívio inundando seu ser. Ela olhou para Kael, seus olhos encontrando os dele em um momento de profunda compreensão e gratidão.

“Conseguimos, Kael”, disse ela, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.

Kael sorriu de volta, seu olhar cheio de admiração. “Sim, Liana. Conseguimos. Juntos.”

A batalha na Pedra Serpente estava vencida. As sombras haviam sido repelidas, e a Nascente Esquecida estava segura. Mas ambos sabiam que a luta pela alma da Amazônia estava longe de terminar. Malakor jurou vingança, e a floresta sempre precisaria de seus guardiões. Liana, a moça inquieta da aldeia de Aruã, havia aceitado seu destino, provando que a força mais poderosa reside na conexão com a natureza e na coragem de protegê-la. As Crônicas do Rio Negro Místico haviam apenas começado.

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