A Ascensão dos Guardiões da Mata

Capítulo 5 — O Chamado dos Guardiões Adormecidos

por Rafael Rodrigues

Capítulo 5 — O Chamado dos Guardiões Adormecidos

A saída da caverna foi como emergir de um sonho. A luz do sol filtrada pela cortina d’água da cachoeira parecia mais brilhante, o som da água mais melodioso. Lyra e Kael, exaustos, mas vitoriosos, contemplavam a beleza do local sagrado. Thorne e seus homens haviam partido, deixando para trás apenas o eco de sua ganância.

“Você foi incrível, Lyra”, Kael disse, olhando para ela com admiração. “Você demonstrou a força e a sabedoria de uma verdadeira guardiã.”

Lyra sentiu um rubor subir em suas bochechas. “Eu só fiz o que a floresta me ensinou. E você, Kael. Você lutou com bravura.”

Kael sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno. “Minha luta é antiga, criança. Mas a sua é a que moldará o futuro. Agora, precisamos agir rápido. Thorne, com certeza, voltará com reforços. E se ele tiver as amostras, pode ter descoberto como replicar ou extrair a energia dos cristais de forma artificial.”

Ele tirou o mapa que havia pegado da tenda de Thorne. As marcações ainda estavam claras, indicando outros pontos de interesse na vasta extensão da Amazônia. “Esses são os locais onde ele pretende extrair mais cristais. Precisamos chegar lá antes dele. Mas não podemos fazer isso sozinhos.”

Lyra assentiu. “Os outros guardiões. Você disse que eles estão adormecidos. Como podemos despertá-los?”

“Cada guardião possui uma conexão única com um elemento da natureza”, Kael explicou, seus olhos escurecendo com a seriedade do assunto. “Um está ligado ao fogo, outro à água, à terra, ao vento, às estrelas, e a um espírito animal primordial. Seus poderes são tão diversos quanto a própria floresta. Para despertá-los, precisamos encontrá-los em seus locais de poder e usar a energia dos cristais, amplificada por você, para quebrar o feitiço que os mantém adormecidos.”

Lyra sentiu um arrepio. A ideia de encontrar e despertar seres tão poderosos era avassaladora. “Onde começamos?”

Kael apontou para uma das marcações no mapa, em uma região montanhosa mais distante. “O primeiro a ser desperto é o guardião do fogo. Ele reside em um vulcão adormecido, nas profundezas da serra. Sua energia é a da transformação e da purificação.”

Ele olhou para Lyra, a urgência em seus olhos. “O tempo é crucial, Lyra. Quanto mais Thorne avançar, mais a floresta sofrerá. Você está pronta para essa jornada?”

Lyra olhou para a floresta ao seu redor, para a vida que pulsava em cada folha, em cada criatura. Ela sentiu a responsabilidade que agora carregava, a promessa que fizera aos cristais e à terra. “Sim, Kael. Estou pronta. Leve-me até ele.”

A jornada para a serra foi repleta de desafios. Eles atravessaram rios caudalosos, escalaram encostas íngremes e se embrenharam em densas florestas onde a luz do sol raramente chegava. Kael compartilhou com Lyra os conhecimentos ancestrais sobre as plantas medicinais, sobre os segredos das estrelas que guiavam os navegantes e sobre os espíritos que habitavam cada recanto da natureza. Lyra absorvia tudo com avidez, sentindo seus próprios dons se aprimorarem a cada passo.

Finalmente, chegaram ao sopé do vulcão adormecido. A terra ali era quente, e o ar carregava um leve cheiro de enxofre. A paisagem era árida, mas Lyra sentia uma energia poderosa emanando das entranhas da terra.

“Aqui reside o guardião do fogo”, Kael anunciou, sua voz ecoando com respeito. “Seu nome é Ignis. Ele é um ser de paixão e destruição, mas também de renascimento. Sua força é imensa, mas sua natureza é volátil.”

Eles encontraram uma caverna na encosta do vulcão, da qual emanava um calor intenso. Ao entrarem, foram recebidos por uma visão impressionante. No centro de uma câmara vasta, havia um lago de lava incandescente, suas chamas dançando em um espetáculo hipnotizante. E sentado à beira do lago, imerso em um transe profundo, estava um homem.

Seu corpo parecia esculpido em rocha vulcânica, com veias de lava brilhante percorrendo sua pele. Cabelos longos e flamejantes emolduravam um rosto de feições fortes e intensas. Ele parecia ser uma personificação do próprio fogo.

“Ignis!”, Kael chamou, sua voz ecoando na câmara. “O guardião do fogo, desperte! A floresta precisa de você!”

O homem flamejante abriu os olhos. Eram dois orbes de fogo puro, intensos e penetrantes. Ele olhou para Kael e Lyra com uma expressão de confusão e raiva.

“Quem ousa perturbar meu descanso?”, sua voz era um rugido que parecia emanar das profundezas da terra. “Qual ousa me tirar do sono profundo?”

“Somos Lyra, a sétima guardiã, e Kael, um antigo protetor”, respondeu Kael com firmeza. “A floresta está em perigo. O Consórcio Verde ameaça destruí-la, e eles buscam os Cristais de Gaia. Precisamos de sua ajuda para detê-los.”

Ignis riu, um som estrondoso como o crepitar de um incêndio. “A floresta? O que eu tenho a ver com a floresta? Meu domínio é o fogo, a destruição e o renascimento!”

“Mas o fogo pode purificar, Ignis”, disse Lyra, dando um passo à frente. Ela sentiu a energia dos Cristais de Gaia em seu interior, e decidiu usá-la. Ela concentrou a energia, projetando-a em direção a Ignis. “Assim como o fogo pode destruir, ele pode limpar o que está podre e dar lugar ao novo. A floresta precisa desse poder para se curar.”

Os olhos de Ignis se arregalaram ligeiramente quando ele sentiu a energia dos cristais tocar sua essência. Ele sentiu um eco de algo que estava adormecido dentro dele, uma lembrança de seu propósito original.

“Cristais de Gaia…”, ele murmurou, a voz perdendo um pouco de sua agressividade. “A energia primordial… Eu me lembro…”

Kael aproveitou a oportunidade. “Ignis, o equilíbrio está sendo quebrado. A ganância dos homens está corrompendo a terra. Você é um guardião, assim como nós. Sua força é necessária.”

Ignis olhou para Lyra, para a determinação em seus olhos, para a energia que ela emanava. Ele sentiu a verdade em suas palavras, a urgência na situação. Ele olhou para o lago de lava, para as chamas que dançavam, e então para a floresta que ele podia sentir, mesmo de longe, definhando sob a ameaça.

Com um rugido que fez a caverna tremer, Ignis se levantou. “Se a terra está em perigo, o fogo arderá contra os que a ameaçam!”

Ele estendeu as mãos, e as chamas do lago de lava se ergueram, envolvendo-o completamente. Ele parecia ainda mais poderoso, mais imponente.

“Eu me lembro do meu juramento”, Ignis declarou, sua voz ressoando com poder. “Eu sou o guardião do fogo. E eu defenderei a vida!”

Lyra sentiu uma onda de alívio e gratidão. O primeiro guardião estava desperto. Agora, restavam mais cinco. A Ascensão dos Guardiões da Mata estava em pleno andamento, e a esperança, como o fogo, começava a arder com mais intensidade.

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