A Lâmina do Tempo e da Saudade

Capítulo 13 — O Sussurro da Lâmina Adormecida

por Lucas Pereira

Capítulo 13 — O Sussurro da Lâmina Adormecida

A clareira, banhada pela luz dourada do entardecer, parecia ter recuperado sua serenidade após a turbulência do Labirinto da Memória Esquecida. A experiência, no entanto, deixara uma marca indelével em Elara e Kaelen. As verdades reveladas pela guardiã eram pesadas, mas trouxeram um senso de propósito renovado. Kaelen, com o fragmento da memória de seu pai pulsando em sua mão, parecia ainda mais introspectivo, sua aura de sabedoria ancestral agora tingida por um toque de melancolia.

“A Lâmina não é uma arma de guerra,” Elara repetiu as palavras da guardiã, sua voz ainda ecoando com a profundidade da revelação. “Ela é uma ferramenta de reequilíbrio. Mas onde ela está? Como encontramos essa arma adormecida?”

Kaelen olhou para o fragmento de luz em sua mão. Ele brilhava fracamente, emitindo um calor quase imperceptível. “A Lâmina não está em um lugar específico. Ela é uma entidade em si, ligada ao próprio tecido de Eldoria. Ela se manifesta onde a história do reino está mais concentrada, onde o peso do tempo e da saudade é mais sentido.”

Ele olhou para Elara, seus olhos azuis refletindo a luz do crepúsculo. “A visão que você teve… ela mostrou a Lâmina em um lugar de grande poder, um lugar onde o passado e o futuro se encontram. Acredito que seja nas ruínas de Eldoria, no antigo templo que servia como centro de nosso poder.”

A menção às ruínas de Eldoria trouxe um arrepio a Elara. A capital do reino, outrora um farol de prosperidade, agora era um espectro de seu passado glorioso, assombrada pela maldição que a consumiu. A ideia de retornar a esse lugar, envolto em desespero e desolação, era assustadora.

“As ruínas…”, ela sussurrou. “É um lugar de dor e perda. Por que a Lâmina estaria lá?”

“Porque a Lâmina é a guardiã da história de Eldoria,” Kaelen explicou pacientemente. “Ela presenciou a ascensão e a queda de nosso reino. E a maldição que nos assola é um eco dessa história, um lembrete do que foi quebrado. Para encontrar a Lâmina, devemos ir ao coração da memória de nosso povo. Devemos confrontar a ruína para encontrar a esperança.”

A ideia parecia paradoxal, mas Elara sabia que Kaelen estava certo. A Lâmina não seria encontrada em um lugar de paz e tranquilidade, mas em um lugar marcado pela tragédia, onde o peso do tempo e da saudade era insuportável.

“E como chegaremos lá?”, ela perguntou. “A Floresta Sussurrante é vasta e perigosa.”

“Eu sei de um caminho,” Kaelen disse, sua voz ganhando um tom de certeza. “Um caminho antigo, conhecido apenas pelos guardiões de Eldoria. Ele nos levará pelas entranhas da terra, por túneis esquecidos que conectam a floresta às planícies desoladas que cercam as ruínas.”

Ele pegou uma tocha e algumas provisões de sua mochila. A luz da tocha lançava sombras dançantes nas árvores, criando um ambiente de mistério e antecipação. Elara sentiu uma mistura de apreensão e excitação. Estava prestes a embarcar em uma jornada que a levaria ao coração do passado de seu reino, em busca de uma arma que poderia ser a chave para o futuro.

Ao adentrarem a floresta mais densamente, o ambiente mudou. As árvores se tornaram mais antigas, seus troncos retorcidos como se tivessem visto eras passarem. A luz do sol mal penetrava a copa densa, mergulhando-os em um crepúsculo perpétuo. O ar ficou mais pesado, carregado com o cheiro úmido de terra e folhas em decomposição.

Kaelen liderava o caminho com confiança, seus passos seguros mesmo na escuridão crescente. Ele parou diante de uma rocha maciça, coberta de musgo e líquen. Com um gesto, ele removeu o musgo, revelando um conjunto de runas antigas gravadas na pedra. Ele tocou as runas, murmurando palavras em uma língua esquecida.

A rocha começou a tremer, e um som baixo e grave ecoou pela floresta. Lentamente, a rocha se moveu para o lado, revelando uma abertura escura, a entrada de um túnel subterrâneo. O ar que emanava de dentro era frio e úmido, com um cheiro de poeira e esquecimento.

“Este é o caminho,” Kaelen disse, virando-se para Elara. “É um túnel que foi selado há séculos. Poucos o conhecem, e menos ainda se atreveram a percorrê-lo.”

Elara pegou a tocha de Kaelen, sentindo seu peso reconfortante. Ela olhou para a escuridão à frente, sentindo um misto de medo e determinação. “Estou pronta.”

Eles entraram no túnel, a rocha se fechando silenciosamente atrás deles, selando-os na escuridão. A luz da tocha iluminava um corredor estreito, cujas paredes eram feitas de pedra bruta e úmida. O silêncio era quase total, quebrado apenas pelo eco de seus passos e pela respiração ritmada.

À medida que avançavam, o túnel começou a se alargar, revelando passagens que se ramificavam em diferentes direções. Kaelen parecia familiarizado com o labirinto subterrâneo, guiando-os com segurança. Elara sentiu que estavam viajando não apenas através da terra, mas através do tempo, adentrando as profundezas de um passado esquecido.

Em um dos túneis mais largos, eles se depararam com uma cena estranha. Havia estátuas de pedra, representando guerreiros e nobres de Eldoria em suas vestes antigas. Mas as estátuas estavam quebradas, seus membros espalhados pelo chão, como se tivessem sido destruídas em um ato de fúria.

“O que aconteceu aqui?”, Elara perguntou, seu coração apertado ao ver a profanação.

“Este era um santuário em homenagem aos nossos antepassados,” Kaelen explicou, sua voz sombria. “Quando a maldição atingiu Eldoria, muitos sucumbiram ao desespero. Alguns tentaram apagar o passado, destruir tudo o que lembrava a glória perdida.”

Ele apontou para uma estátua em particular, que jazia em pedaços no chão. Era a representação de um rei antigo, com uma coroa ornamentada e uma armadura reluzente. “Este era o rei Aerion, o fundador de Eldoria. Sua queda simboliza a queda do próprio reino.”

Elara sentiu a dor e a perda emanando das ruínas. Cada fragmento de pedra, cada sombra nas paredes, parecia carregar um eco de sofrimento. Ela se perguntou se a Lâmina estaria imersa em toda essa tristeza, esperando para ser despertada.

Após horas de caminhada, eles chegaram a uma vasta caverna subterrânea. No centro da caverna, um lago de águas escuras e tranquilas refletia a luz fraca da tocha. As paredes da caverna eram adornadas com cristais que brilhavam com uma luz interna, criando um espetáculo etéreo.

“Estamos perto,” Kaelen disse, sua voz suave. “Este lugar é conhecido como o Coração Adormecido de Eldoria. Acredita-se que a Lâmina esteja escondida em algum lugar aqui, protegida pelas energias antigas do reino.”

Eles se aproximaram da margem do lago, observando a água cintilante. Elara sentiu uma energia peculiar emanando dele, uma força antiga e serena. Ela se ajoelhou na beira, olhando para seu reflexo na água.

De repente, o reflexo começou a mudar. Não era mais o seu rosto que a olhava, mas o rosto de uma mulher vestida com armadura, seus olhos brilhando com uma determinação feroz. Era a imagem da Lâmina, manifestando-se em sua forma mais pura.

“Ela está aqui,” Elara sussurrou, maravilhada.

Kaelen observou a transformação com admiração. “A Lâmina sente sua conexão. Ela está respondendo ao seu chamado.”

A imagem na água começou a se intensificar, emitindo uma luz branca e pura que iluminou toda a caverna. A água do lago começou a vibrar, e um som suave, como o sussurro do vento, ecoou pelo ar.

Então, do fundo do lago, uma forma começou a emergir. Era a Lâmina, longa e esguia, sua lâmina feita de um metal desconhecido que parecia conter a própria luz das estrelas. Seu cabo era adornado com pedras preciosas que pulsavam com um brilho interno. A Lâmina parecia viva, irradiando uma aura de poder e mistério.

Ela pairou no ar por um momento, cintilando sob a luz da tocha e dos cristais. Era uma visão de beleza e terror, um símbolo de destruição e salvação. Elara sentiu uma atração irresistível pela arma, como se fosse uma extensão de sua própria alma.

“A Lâmina do Tempo e da Saudade,” Kaelen disse, sua voz cheia de reverência. “Ela finalmente se revelou.”

Elara estendeu a mão, seus dedos tremendo levemente. No momento em que ela tocou o cabo da Lâmina, uma corrente de energia percorreu seu corpo. Ela sentiu a história de Eldoria fluindo através dela, as alegrias e as tristezas, os triunfos e as tragédias. Uma onda de conhecimento e poder a envolveu, e ela sentiu que estava se tornando uma com a arma.

A Lâmina vibrou em sua mão, e o sussurro do vento se transformou em uma melodia antiga, uma canção de tempos esquecidos. Elara sentiu a força da Lâmina se fundindo à sua, um poder que ela nunca imaginou possuir. Ela sabia que a jornada seria árdua, que a responsabilidade era imensa, mas agora, ela tinha a arma que poderia mudar o destino de Eldoria.

“Eu a tenho,” Elara disse, sua voz ressoando com uma nova autoridade. “Eu tenho a Lâmina do Tempo e da Saudade.”

Enquanto ela falava, a Lâmina emitiu um brilho intenso, iluminando a caverna com uma luz cegante. Os cristais nas paredes brilharam com mais intensidade, e o lago parecia dançar com a energia liberada. Elara sentiu que o tempo, antes um inimigo, agora era seu aliado. A saudade, antes uma dor, agora era a força que a impulsionava. Ela estava pronta para confrontar o passado, para curar as feridas de seu reino e para forjar um novo futuro.

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