O Segredo da Casa Amarela

Capítulo 18 — O Enigma do Guardião e a Fuga Inesperada

por Bruno Martins

Capítulo 18 — O Enigma do Guardião e a Fuga Inesperada

A revelação explodiu na mente de Mariana como um trovão. Ricardo. Seu primo Ricardo. O homem que compartilhava laços familiares, que crescera sob o mesmo teto, era o filho que Dona Aurora havia perdido, o neto que ela nunca pôde abraçar. O amor proibido entre Isadora e o homem que amou Dona Aurora, a tragédia da adoção, e agora, a chocante verdade sobre o próprio Ricardo. A casa amarela não era apenas um lugar de memórias, mas um palco de dramas familiares complexos e dolorosos.

Mariana sentou-se no chão do ateliê, a carta e as fotografias espalhadas ao seu redor. As lágrimas rolavam livremente por seu rosto. Ela pensou em Dona Aurora, em sua solidão, em seu arrependimento, em sua força silenciosa ao carregar esse fardo por tantos anos. Pensou em Isadora, a irmã que ela nunca conheceu, e em seu destino cruel. E pensou em Ricardo. Como ele reagiria a essa verdade? Ele sabia de algo? Havia um quê de melancolia em seus olhos que Mariana nunca soubera decifrar, um vazio que agora, talvez, fizesse sentido.

A rosa de cristal, sobre a mesa, parecia refletir as luzes distantes da cidade, um farol em meio à escuridão. Era um símbolo de um amor que transcendia o tempo, mas também de uma dor que marcara gerações.

O que Dona Aurora quis dizer com "o guardião"? E quem era o homem que amava Isadora e Dona Aurora? A carta de Dona Aurora não revelava seu nome, apenas falava de um amor intenso e de um destino trágico. Seria esse homem o "guardião" a que o diário se referia?

Mariana sentiu um arrepio. A casa estava quieta demais. O vulto que ela vira no corredor... seria ele? Alguém que sabia dos segredos da casa? Alguém que tentava impedi-la de descobrir a verdade? Ela se levantou, pegando a lanterna. Precisava sair dali, precisava pensar com clareza.

Enquanto se dirigia para a porta principal, ouviu um barulho vindo da sala de estar. Um barulho de passos, firmes, decididos. Alguém estava andando pela casa. Mariana congelou. O medo voltou a se instalar em seu peito, mas agora misturado com uma raiva crescente. Ela não seria mais uma vítima dos segredos da casa amarela.

Com a lanterna em uma mão e a carta em outra, ela se esgueirou pelas sombras, em direção à sala. A porta estava entreaberta. Ela espiou. Um homem estava parado de costas para ela, olhando para a lareira apagada. Ele era alto, vestia roupas escuras, e seu porte físico era imponente. Ele se virou lentamente, e Mariana ofegou.

Era Ricardo.

Ele a encarou, seus olhos escuros estudando-a com uma intensidade desconcertante. Não havia surpresa em seu olhar, apenas uma resignação sombria.

"Eu sabia que você encontraria", disse ele, sua voz baixa e rouca. "Sua avó era teimosa. E você, Mariana, herdou a teimosia dela."

Mariana sentiu o estômago revirar. "Você sabia?", perguntou ela, a voz embargada. "Você sabia sobre Isadora? Sobre você ser o filho dela? Sobre tudo isso?"

Ricardo deu um sorriso amargo. "Eu sabia que havia algo. A minha mãe... ela nunca me contou tudo. Falava em um amor que não pôde ser. Em sacrifícios. Mas o nome Isadora, a rosa de cristal... isso era dela. Ela guardava tudo com ela." Ele apontou para o ateliê. "Eu sempre senti que aquele lugar escondia algo. Mas a porta estava sempre trancada."

"E você estava aqui agora?", Mariana perguntou, desconfiada. "Por quê? Veio pegar algo? Para impedir que eu descobrisse a verdade?"

Ricardo suspirou, um som carregado de dor. "Eu voltei porque senti que ela estava morrendo. Senti que precisava estar aqui. E eu sabia que você viria atrás das respostas. Eu só queria... eu não sei o que eu queria. Talvez apenas entender. Entender por que o amor dela, o amor da minha mãe, foi tão atormentado." Ele olhou para a carta nas mãos de Mariana. "E você encontrou."

"Você é o filho de Dona Aurora", Mariana disse, a voz ainda trêmula, mas com uma ponta de determinação. "E você é o neto de Isadora. E eu... eu sou a sua prima, mas também sou sua prima por parte de mãe. Somos todos parte dessa história."

Ricardo deu um passo em direção a ela. "E o homem que amou Isadora e Dona Aurora?", ele perguntou. "Quem era ele? O meu pai? O pai do meu tio... o pai do meu pai?"

Mariana pensou na carta. Dona Aurora não revelara o nome. Mas um detalhe a intrigava. Ela mencionara que Isadora era sua irmã mais velha, dada para adoção quando criança. Se Isadora era a irmã mais velha, e se seu pai era o filho de Isadora, então o homem que amou Isadora, e também Dona Aurora, era o mesmo homem.

"Eu não sei o nome dele", Mariana admitiu. "Dona Aurora não o mencionou. Mas ele amou Isadora, e depois amou minha avó. E ele é o pai biológico de Isadora que amou o homem que a deixou grávida. Isso não faz sentido. O homem que amou Isadora, e depois amou Dona Aurora, foi o pai biológico do pai do meu pai? Ou o homem que amou Isadora e a engravidou, também amou Dona Aurora?"

Ricardo franziu a testa, confuso. "A carta diz que Isadora se apaixonou por um homem que pertencia a outro mundo, a outro destino. E que o meu pai foi levado. Depois sua avó fala em 'o meu filho com o homem que te deu a rosa'. Isso significa que o homem que amou Isadora, e a deixou grávida, foi o mesmo homem que amou Dona Aurora e teve você? E que esse homem é o pai de Isadora?"

"Não, não é isso", Mariana tentou explicar, a cabeça girando com a complexidade da situação. "A carta é confusa. Dona Aurora era a irmã de Isadora. Ela se apaixonou pelo homem que Isadora amava? Ou ela se apaixonou pelo mesmo homem que Isadora teve um filho? E esse homem era o pai de Isadora?"

De repente, um barulho de carro se aproximando fez os dois sobressaltarem. Luzes fortes iluminaram a frente da casa, e sons de passos se aproximaram da porta principal.

"Quem é?", sussurrou Mariana, o medo voltando com força total.

Ricardo olhou pela janela. "Eu não sei. Mas não estamos sozinhos. E eu não quero que eles descubram isso." Ele pegou a rosa de cristal da mesa. "Isso precisa ficar seguro. E nós também."

Ele olhou para Mariana, seus olhos escuros transmitindo uma urgência desesperada. "Precisamos ir. Agora. Antes que seja tarde demais."

Antes que Mariana pudesse responder, Ricardo a puxou pela mão. Eles correram para os fundos da casa, para o jardim, enquanto os sons na frente se intensificavam. Alguém estava tentando entrar. O guardião? Quem quer que fosse, não parecia amigável.

Eles se esgueiraram pelo jardim escuro, correndo em direção ao antigo portão dos fundos. As luzes fortes da casa inundavam o quintal, tornando-os alvos fáceis. O som de uma porta sendo arrombada ecoou na noite.

"Para o carro!", Ricardo disse, apontando para um carro discreto estacionado na rua lateral. "Não podemos ficar aqui."

Mariana hesitou. A casa amarela, seu refúgio, seu lar, estava sendo invadida. Seus segredos estavam expostos. Mas Ricardo tinha razão. Eles precisavam fugir.

Entraram no carro e Ricardo deu a partida, os pneus cantando no asfalto enquanto se afastavam rapidamente da casa amarela, deixando para trás os segredos desvendados e um mistério ainda maior: quem eram aquelas pessoas que invadiam a casa, e qual o seu papel no enigma do guardião e no destino da rosa de cristal? A fuga inesperada era apenas o começo de uma jornada mais perigosa do que jamais imaginaram.

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