Cap. 13 / 21

A Dama de Vermelho

Capítulo 13 — O Retorno à Fazenda e os Fantasmas do Passado

por Felipe Nascimento

Capítulo 13 — O Retorno à Fazenda e os Fantasmas do Passado

O motor do velho jipe de Elias roncou, ecoando nas montanhas silenciosas enquanto eles deixavam para trás o refúgio na serra. A cada quilômetro percorrido, o peso da missão se tornava mais palpável. Sofia, ao lado de Elias, olhava pela janela, a paisagem familiar agora tingida por uma aura de apreensão. A fazenda dos seus pais, um lugar outrora associado a memórias felizes de infância, agora se apresentava como um túmulo de segredos e um epicentro de perigos. As palavras do homem ferido na mata – "A fazenda... sangue... ele... ele é o monstro..." – ressoavam em sua mente, alimentando um medo crescente.

"Você tem certeza disso, Sofia?", Elias perguntou, a voz baixa, percebendo a tensão em seu corpo. "Podemos voltar. Podemos pensar em outra abordagem."

Sofia virou-se para ele, os olhos determinados. "Eu preciso ir, Elias. Aquelas foram as últimas palavras de alguém que claramente estava em perigo. E se ele estava indo para nós, para pedir ajuda, é porque ele sabia algo sobre aquela noite. Algo que nos liga à fazenda. Não posso fugir mais. Eu preciso enfrentar isso."

Elias assentiu, compreendendo a força que a impulsionava. Ele também sentia a urgência. A ameaça se tornava mais real a cada hora, e o medo de que alguém estivesse se antecipando a eles era um incentivo poderoso. "Tudo bem. Mas vamos com extrema cautela. Não sabemos quem está lá, ou o que nos espera."

Ao se aproximarem da entrada da fazenda, o cenário imponente da antiga residência surgiu à vista, majestoso, mas com um ar de decadência melancólica. Os portões de ferro forjado, antes abertos e acolhedores, agora pareciam guardiões de um segredo sombrio. A vegetação, outrora cuidadosamente cultivada, crescia desenfreada em alguns pontos, como se a própria natureza estivesse em luto.

"Não mudou muito", Sofia murmurou, um nó se formando em sua garganta. Lembrou-se de correr pelos jardins com seu pai, das tardes preguiçosas sob as árvores centenárias, do cheiro de jasmim que pairava no ar. Agora, tudo parecia empoeirado, como um sonho desbotado.

Elias estacionou o jipe em um local discreto, longe da visão direta da casa principal. Eles desceram, Elias com o atiçador em punho, e Sofia com o canivete em sua mão. A cada passo que davam em direção à casa, o silêncio parecia mais opressor, como se o próprio ar contivesse a respiração, aguardando algo.

"Vamos tentar entrar pela parte de trás", Elias sugeriu. "É menos provável que haja alguém observando."

Eles contornaram a casa, a sombra das árvores projetando figuras fantasmagóricas no chão. A porta dos fundos, desgastada pelo tempo, cedeu com um gemido quando Elias a forçou suavemente. O interior da casa estava escuro e empoeirado, o mobiliário coberto com lençóis brancos, como espectros silenciosos. O cheiro de mofo e abandono pairava no ar.

Sofia sentiu um arrepio. Ela reconhecia alguns dos móveis, as molduras das fotos empoeiradas nas paredes. Parecia que o tempo havia parado naquela noite fatídica. Eles se moveram com cautela, cada passo ecoando no silêncio sepulcral. Elias abriu a porta da sala de estar, onde as lembranças de Sofia eram mais vívidas.

"É aqui", Sofia sussurrou, a voz embargada pela emoção. Ela apontou para um grande sofá de couro, onde costumava se aninhar com seu pai para ler histórias. "Lembro-me de sentar aqui... meu pai sempre me dizia para não ter medo das sombras."

Elias observou a sala com atenção. Havia uma frieza ali, uma sensação de desordem reprimida. Ele notou algo no chão, perto da lareira: um pequeno pedaço de tecido vermelho, desbotado e rasgado. Ele o pegou com cuidado.

"Vermelho", Elias disse, olhando para Sofia. "O mesmo tom daquele vestido que você usava quando era criança. O vestido que você disse ter usado naquela noite."

Sofia sentiu um gelo correr em suas veias. Aquele pedaço de tecido era uma prova viva da presença dela naquela sala, naquela noite. Mas como ele foi parar ali, rasgado e abandonado? E por que o homem ferido na mata se referiu a "sangue"?

Eles continuaram a exploração, movendo-se em direção ao escritório do seu pai. A porta estava entreaberta. Elias a empurrou, revelando um cômodo que, para surpresa de Sofia, parecia menos empoeirado do que o resto da casa. Havia papéis espalhados sobre a mesa, alguns livros fora do lugar. E, no centro da mesa, um pequeno cofre.

"Um cofre", Elias murmurou. "Parece que seu pai guardava algo importante aqui."

Sofia se aproximou da mesa, examinando os papéis. Eram relatórios financeiros, documentos legais, e algo que parecia ser uma investigação. Eram anotações sobre transações suspeitas, nomes de empresas offshore, e uma série de datas que se alinhavam com os eventos que ela estava tentando desvendar.

"Meu pai estava investigando alguma coisa", Sofia disse, a voz cheia de espanto. "Ele descobriu alguma coisa sobre os negócios da família."

Elias tentou abrir o cofre, mas estava trancado. "Precisamos de uma chave. Ou de um código."

Enquanto Elias examinava o cofre, Sofia notou algo peculiar em uma das prateleiras. Um álbum de fotografias antigo, diferente dos outros. Ela o pegou. As fotos eram de sua família, momentos felizes, mas havia algo de estranho em algumas delas. Rostos que ela não reconhecia, inseridos em fotos antigas de forma sutil, quase imperceptível. Era como se alguém tivesse tentado alterar a história, reescrever o passado.

"Elias", ela chamou, a voz trêmula. "Olhe isso."

Elias se aproximou, observando as fotos com atenção. A cada imagem, a confusão aumentava. Havia pessoas que ele não conhecia, mas que pareciam ter uma ligação com a família de Sofia. Uma delas, um homem com um olhar frio e calculista, aparecia em várias fotos, em momentos que pareciam ter sido encenados.

"Quem é esse homem?", Elias perguntou.

"Eu não sei", Sofia respondeu, o coração disparado. "Eu nunca o vi antes. Mas ele está em todas essas fotos. Parece que ele sempre esteve por perto."

De repente, um barulho veio do andar de cima. Um rangido de assoalho. Elias e Sofia se entreolharam, os olhos arregalados. Eles não estavam sozinhos.

"Alguém está na casa", Elias sussurrou, colocando uma mão protetora sobre o ombro de Sofia. "Precisamos ser rápidos."

Ele tentou abrir o cofre novamente, com mais força, mas ele resistiu. Sofia, por sua vez, sentiu um impulso. Lembrou-se de uma caixa de música que seu pai guardava em seu escritório, um presente de aniversário que ela adorava. A tampa da caixa, ela se lembrava, tinha um pequeno compartimento secreto.

"A caixa de música!", ela exclamou. "Meu pai guardava coisas importantes nela!"

Eles correram para a mesa onde a caixa de música repousava, coberta por uma fina camada de poeira. Sofia a abriu, e lá estava: um pequeno compartimento escondido. Dentro, uma chave de bronze ornamentada.

"Essa é a chave!", Sofia disse, pegando-a com mãos trêmulas.

Elias rapidamente inseriu a chave no cofre. Com um clique suave, ele se abriu. Dentro, havia um envelope lacrado e um pequeno diário de capa preta. Elias pegou o envelope. Estava endereçado a ele.

"Para Elias", ele leu em voz alta, a surpresa em sua voz. "Se você está lendo isto, significa que eu não consegui te proteger. Mas espero que a verdade que está aqui dentro te dê a força para continuar. Cuidado com o corvo. Ele vê tudo."

"O corvo?", Sofia repetiu, confusa.

Antes que Elias pudesse responder, um grito agudo ecoou do andar de cima. Alguém havia os descoberto.

"Temos que sair daqui, agora!", Elias disse, pegando o diário e o envelope. Ele olhou para Sofia, a urgência em seus olhos. "Eles sabem que estamos aqui."

Eles se viraram para a porta, prontos para fugir, mas o caminho estava bloqueado. Um homem alto e corpulento, com um olhar duro e frio, estava parado ali, segurando uma espingarda. Era o homem das fotografias.

"Vocês não deviam estar aqui", ele disse, a voz rouca e ameaçadora. "Esta propriedade não pertence mais a vocês."

Sofia sentiu o sangue gelar em suas veias. Era ele. O homem que assombrava as fotos, o "monstro" a que o homem ferido se referiu? As peças começavam a se encaixar, de uma forma horripilante. Elias se colocou à frente de Sofia, protegendo-a. A adrenalina pulsava em suas veias. O confronto que eles temiam estava prestes a acontecer, nas ruínas de um passado que se recusava a ficar enterrado.

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