Cap. 19 / 21

A Dama de Vermelho

Capítulo 19 — A Armadilha na Cidade e o Cerco Implacável

por Felipe Nascimento

Capítulo 19 — A Armadilha na Cidade e o Cerco Implacável

A cidade, com seu pulsar incessante e suas luzes ofuscantes, era um cenário radicalmente diferente da pacata Fazenda das Acácias. Ana sentia-se como um peixe fora d'água, a bolsa com os documentos do seu pai pesando em suas mãos e em sua consciência. A decisão de não fugir com o avião havia sido difícil, mas a necessidade de expor o Corvo, de honrar a memória de sua mãe e de confrontar o legado sombrio de seu pai era mais forte. Miguel, com sua discrição habitual, era seu escudo, e o Sr. Antunes, com seu conhecimento da vida secreta de Eduardo, o guia nesta perigosa jornada.

"Precisamos de um lugar seguro para analisar esses documentos com calma", Miguel disse, enquanto guiavam Ana por ruas movimentadas, a sensação de estarem sendo observados crescendo a cada quarteirão.

"E um lugar onde possamos contactar alguém que confie em nós", Ana acrescentou, a voz tensa. "Alguém que possa nos ajudar a expor o Corvo sem que ele nos impeça."

Foi o Sr. Antunes quem sugeriu um antigo apartamento que Eduardo alugava em seu nome, um local discreto na cidade, raramente usado. "Ele o usava para reuniões rápidas, longe dos olhos curiosos. Ninguém sabe que ele existe."

O apartamento era pequeno, mas limpo e funcional. Uma vez lá dentro, Ana abriu a bolsa e espalhou os documentos sobre a mesa. A cada papel, a cada foto, a história sombria de Eduardo se desdobrava. Havia registros de transações financeiras obscuras, nomes de contatos internacionais, e detalhadas rotas de contrabando. A participação do Corvo era inegável, não apenas como um parceiro, mas como o cérebro por trás de muitas das operações.

"Ele não era apenas um parceiro", Ana murmurou, sua voz embargada pela emoção. "Ele era o mestre. E meu pai, o executor."

Miguel examinou um mapa, marcado com diversos pontos. "Estas rotas... parecem ser de transporte de mercadorias. A fazenda era um ponto de partida, mas o Corvo operava em larga escala."

Enquanto Ana e Miguel mergulhavam nos documentos, o Sr. Antunes, com sua habitual cautela, observava a rua pela janela. A cidade, que parecia um refúgio, agora se tornava uma armadilha potencial.

"Ana, Miguel", ele chamou, sua voz baixa e urgente. "Há um carro estacionado do outro lado da rua. Um sedã preto. Está ali há um tempo. E está observando este prédio."

Um arrepio percorreu a espinha de Ana. O Corvo. Ele os havia encontrado.

"Não podemos ficar aqui", Miguel disse, já recolhendo os documentos. "Eles sabem onde estamos."

Ana olhou para a rua, a determinação endurecendo seu olhar. "Não. Não vamos fugir de novo. Vamos usá-los. Vamos armar uma armadilha."

Miguel a olhou, surpreso. "Uma armadilha? Ana, eles são perigosos."

"E nós temos as provas", Ana retrucou. "Se fugirmos, eles ganham. Precisamos de alguém de confiança. Alguém que possa nos ajudar a expor tudo isso. Um jornalista, talvez. Alguém que possa publicar isso imediatamente."

O Sr. Antunes sugeriu o nome de um jornalista investigativo que ele conhecia, um homem conhecido por sua coragem e integridade, que já havia desvendado escândalos de corrupção no passado.

"Ele mora a poucas quadras daqui", Antunes disse. "Podemos levá-la até ele. Mas precisaremos de uma distração."

A ideia de Ana era arriscada. Eles fariam o Corvo pensar que haviam deixado os documentos com o jornalista. Criariam uma falsa sensação de segurança, enquanto, na verdade, eles tentariam atrair o Corvo para um local onde pudessem confrontá-lo com mais segurança, talvez com a ajuda das autoridades, se conseguissem contatar alguém confiável.

"Miguel, você leva os documentos até o jornalista. Use as rotas de fuga que o Sr. Antunes conhece. Eu e o Sr. Antunes criaremos a distração. Faremos o Corvo pensar que estamos fugindo para o sul, em direção ao porto."

Miguel hesitou. "Ana, não podemos nos separar. É muito arriscado."

"É a nossa única chance, Miguel", Ana insistiu, sua voz carregada de convicção. "Você confia em mim?"

Miguel olhou nos olhos dela, vendo a força que emanava dela. Ele sabia que ela estava certa. "Confio."

O plano foi posto em ação. Miguel, com os documentos essenciais escondidos em um compartimento secreto em sua bolsa, partiu em direção ao jornalista, guiado pelo Sr. Antunes por um labirinto de becos e passagens estreitas. Ana e Antunes, por outro lado, saíram do apartamento e se dirigiram em direção oposta, fazendo um barulho calculado para atrair a atenção.

Eles caminharam em direção ao centro da cidade, onde o movimento era intenso. Ana sabia que o Corvo não agiria abertamente. Ele usaria seus capangas. E era exatamente isso que ela esperava.

Eles não precisaram esperar muito. Ao atravessarem uma praça movimentada, dois homens com feições duras e olhares ameaçadores começaram a segui-los de perto. Eram os homens do Corvo.

"Agora, Sr. Antunes", Ana sussurrou, disfarçando o nervo.

Eles aumentaram o passo, entrando em um shopping center. O movimento e a multidão eram seus aliados. Os capangas os seguiam de perto, seus olhos fixos em Ana, como predadores em busca de sua presa.

"Onde está o jornalista?", um dos capangas gritou, sua voz abafada pelo burburinho do shopping.

"Ele não está mais com você, não é?", Ana respondeu, parando e se virando para enfrentá-los, o coração batendo forte no peito. "Ele já entregou o que vocês queriam."

O outro capanga sorriu, um sorriso cruel. "Você é tola se pensa que vamos acreditar em você. O chefe sabe que você tem o que é nosso."

Eles começaram a avançar em direção a Ana e Antunes. Mas, naquele exato momento, sirenes começaram a soar. Carros de polícia, discretos, mas numerosos, começaram a cercar o shopping. Era a polícia, alertada por um contato anônimo que Miguel havia feito.

O Corvo, percebendo a armadilha que se fechava sobre ele, ordenou a seus homens que recuassem. Mas era tarde demais. Os capangas foram cercados e detidos.

Ana sentiu um alívio temporário. Mas ela sabia que o Corvo, o verdadeiro cérebro por trás de tudo, ainda estava à solta.

Enquanto os policiais levavam os capangas, Miguel apareceu, seus olhos encontrando os de Ana. Ele estava acompanhado do jornalista, um homem de meia-idade com um olhar penetrante, segurando uma pasta.

"Consegui. Ele publicará tudo. Amanhã de manhã, o Brasil saberá a verdade sobre Eduardo e o Corvo", o jornalista disse, com um sorriso de satisfação.

Ana sentiu um misto de alívio e apreensão. A verdade estava prestes a vir à tona. Mas o Corvo, um homem implacável e astuto, certamente não desistiria.

"Ele vai tentar de tudo para nos parar", Ana disse, olhando para Miguel e o Sr. Antunes. "Precisamos estar preparados."

Naquela noite, enquanto o jornal se preparava para publicar a história que abalaria o país, Ana, Miguel e o Sr. Antunes se abrigaram em um local seguro, fornecido pelo jornalista. A cidade, antes um refúgio, agora era um campo de batalha. O cerco implacável do Corvo estava apenas começando. Ana sabia que a luta pela verdade seria longa e perigosa, mas ela estava determinada a não ceder, a não permitir que o legado de seu pai fosse manchado pela impunidade. O amanhecer prometia a exposição da verdade, mas também o confronto final com o monstro que assombrava sua vida.

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