A Dama de Vermelho

Capítulo 7 — O Fio Solto de Vargas e a Verdade nas Sombras

por Felipe Nascimento

Capítulo 7 — O Fio Solto de Vargas e a Verdade nas Sombras

A madrugada no Rio de Janeiro parecia se recusar a trazer a calma. A chuva, agora uma garoa persistente, refrescava o ar, mas não dissipava a tensão que pairava sobre Helena. Ela estava na casa de praia de Elias, um refúgio que, ironicamente, se tornava um palco para o desenrolar de perigos inimagináveis. O beijo de Elias, ainda pulsando em seus lábios, era um lembrete constante da complexidade da situação. Ele era seu protetor, mas também um enigma envolto em sombras, cujas intenções ela ainda lutava para decifrar.

Elias, com uma energia incansável, passava horas debruçado sobre documentos, fotografias e mapas, buscando qualquer pista que pudesse ligar Vargas ao passado de seu avô e, consequentemente, à Dama de Vermelho. Helena o observava, fascinada pela sua dedicação, pela forma como seus olhos, antes cheios de melancolia, agora brilhavam com um propósito feroz.

"Ele está se aproximando, Helena", Elias disse, a voz baixa, sem tirar os olhos de um velho jornal. "Vargas não é um homem de esperar. Ele age. E suas ações recentes indicam que ele está impaciente."

Helena se aproximou, curiosa. O jornal era de décadas atrás, com uma fotografia desbotada de uma inauguração de luxo. "O que isso tem a ver com Vargas?"

"Esta é a mansão dos Montenegro", Elias explicou, apontando para o edifício imponente na foto. "Seu avô era conhecido por suas coleções de arte e sua generosidade em eventos beneficentes. Vargas, naquela época, era um jovem ambicioso, buscando ascensão social. Ele frequentava esses círculos, observava, aprendia."

"Mas meu avô nunca mencionou Vargas como alguém de seu círculo social", Helena franziu a testa, tentando conectar os pontos.

"É aí que está a sutileza de Vargas", Elias respondeu, um leve sorriso irônico nos lábios. "Ele não era um convidado, era um observador. Um fantasma que se infiltrava, aprendia os segredos, os pontos fracos. Ele era um mestre em se tornar invisível, em ganhar a confiança sem nunca revelá-la completamente."

Helena sentiu um calafrio. A ideia de Vargas se movendo nas sombras de sua família por tanto tempo era perturbadora. "E a Dama de Vermelho? Ele a conheceu nessa época?"

Elias hesitou, e um véu de incerteza cruzou seus olhos. "É provável. A Dama de Vermelho era a joia da coroa dos Montenegro. Uma figura lendária, envolta em mistério e poder. Vargas certamente a teria notado. E talvez, até mesmo cobiçado."

Ele se virou para ela, o olhar penetrante. "Seu avô sabia que Vargas era uma ameaça. Por isso, ele a protegeu. Criou essa teia de segredos, essa biblioteca... tudo para que você pudesse encontrar a verdade quando chegasse a hora."

De repente, Elias pegou uma pequena caixa de madeira que estava sobre a mesa. Era a mesma caixa que Helena havia encontrado na biblioteca de seu avô, com a carta escondida. Ele a abriu com cuidado. Dentro, havia um pequeno medalhão antigo, com um brasão que Helena não reconheceu.

"Este medalhão", Elias começou, "pertencia a um dos antigos sócios do seu avô. Um homem chamado Dr. Alberto Salles. Ele desapareceu misteriosamente anos atrás, poucos meses após um acordo comercial que ele e seu avô fizeram com uma empresa estrangeira."

"Quem era Dr. Salles?", Helena perguntou, intrigada.

"Um homem brilhante, um químico", Elias respondeu. "Ele trabalhava em algo revolucionário, algo que poderia mudar o mundo. Algo que, dizem os rumores, Vargas também cobiçava."

Helena pegou o medalhão, sentindo o peso frio do metal em sua mão. "Você acha que Vargas teve algo a ver com o desaparecimento dele?"

"É uma forte possibilidade", Elias admitiu. "E se Vargas conseguiu colocar as mãos na pesquisa de Salles, ele teria um poder imensurável. Um poder que ele usaria para seus próprios fins."

Naquele momento, o celular de Elias tocou, tirando-os de sua introspecção. Ele atendeu, a expressão séria. A conversa foi curta e em voz baixa, mas Helena percebeu a mudança em sua postura.

"Era um informante", Elias disse, desligando o telefone. "Vargas fez um novo movimento. Ele adquiriu um antigo armazém na zona portuária. Um lugar que, segundo meus contatos, ele usava para atividades suspeitas há muitos anos."

Helena sentiu um frio na espinha. "Você acha que ele está escondendo algo lá?"

"Ou fazendo algo", Elias corrigiu, o olhar determinado. "É um risco, mas precisamos investigar. Se Vargas está envolvido com a pesquisa de Salles, ou com qualquer outra coisa relacionada aos Montenegro, o armazém pode ser a chave."

O sol já começava a pintar o céu com tons de laranja e rosa quando Elias e Helena deixaram a casa de praia. A garoa havia cessado, mas o ar ainda estava úmido e o cheiro de maresia pairava no ar. A atmosfera dentro do carro era diferente daquela da noite anterior. A paixão do beijo havia dado lugar a uma urgência sombria, a uma missão que os unia de uma forma perigosa.

Chegaram à zona portuária, um labirinto de contêineres empilhados, guindastes silenciosos e armazéns abandonados. O armazém que Vargas havia adquirido era um gigante de concreto cinzento, com janelas escuras e grades enferrujadas. Uma aura de decadência e mistério emanava da estrutura.

Elias parou o carro em uma rua paralela, observando o local. "Precisamos ser cuidadosos. Vargas não é conhecido por sua hospitalidade."

Helena concordou, seu coração batendo acelerado. A adrenalina começava a fluir em suas veias, uma mistura de medo e excitação. Ela sabia que estava entrando no território de Vargas, um lugar onde as sombras eram mais densas e os perigos, mais reais.

Eles desceram do carro, movendo-se com cautela, escondidos pelas sombras dos contêineres. Elias, com sua agilidade impressionante, encontrou uma brecha na cerca, por onde puderam se infiltrar no terreno do armazém. O silêncio era quase total, quebrado apenas pelo som distante das ondas batendo contra o cais.

"Tem alguém aqui", Elias sussurrou, a mão em seu braço, impedindo-a de avançar.

Helena se agachou ao lado dele, observando a entrada principal do armazém. Dois homens corpulentos, vestidos de preto, estavam parados ali, aparentemente em guarda.

"Não podemos simplesmente entrar", Helena murmurou.

"Precisamos de um plano B", Elias respondeu. Ele vasculhou a área com os olhos, e então apontou para uma janela lateral, parcialmente quebrada. "Aquela pode ser a nossa entrada."

Moveram-se em direção à janela, cada passo calculado, cada respiração contida. Elias, com uma ferramenta que tirou do bolso, conseguiu abrir a janela com um ruído mínimo. Ele entrou primeiro, e depois ajudou Helena a subir.

Dentro do armazém, o cheiro de mofo e de algo químico, pungente e desagradável, invadia suas narinas. A escuridão era quase total, apenas alguns feixes de luz fraca penetravam pelas janelas sujas, revelando pilhas de caixas e maquinários enferrujados.

Elias sacou uma pequena lanterna, iluminando o ambiente. Eles se moviam com cautela, os sentidos aguçados, atentos a qualquer som. Cada ranger de metal, cada barulho distante, os deixava em alerta máximo.

"O que você acha que ele está escondendo aqui?", Helena sussurrou, a voz embargada pelo medo.

"Algo que ele não quer que ninguém veja", Elias respondeu, a voz tensa. "E que pode nos dar a resposta que procuramos."

Enquanto se aprofundavam no armazém, chegaram a uma área onde os cheiros químicos se tornavam mais intensos. Havia equipamentos de laboratório, recipientes de vidro e um leve brilho em um canto escuro. Elias iluminou a área com a lanterna.

Eles encontraram o que parecia ser um laboratório improvisado. Havia equipamentos sofisticados, tubos de ensaio com líquidos coloridos e, em uma bancada, um caderno aberto. Elias o pegou com cuidado.

"Este caderno...", ele começou, a voz embargada de surpresa. "Pertencia ao Dr. Salles."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A verdade estava ali, nas sombras, nas mãos de Vargas. O desaparecimento do Dr. Salles, a pesquisa revolucionária, a ligação com Vargas... tudo começava a se encaixar em um quadro sombrio e perigoso.

Eles sabiam que estavam no limiar de uma descoberta que poderia mudar tudo, a verdade que o avô de Helena tentou proteger, a verdade que Vargas tentava desesperadamente esconder. A Dama de Vermelho estava prestes a ter suas sombras reveladas.

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