O Sussurro do Abismo

Capítulo 13 — A Caçada na Mata Fechada: O Eco dos Passos Inimigos

por Felipe Nascimento

Capítulo 13 — A Caçada na Mata Fechada: O Eco dos Passos Inimigos

A luz filtrada pelas copas densas das árvores criava um jogo de sombras e luzes na mata fechada, tornando a orientação um desafio constante. A brisa, antes reconfortante, agora parecia carregar um prenúncio de perigo, sussurrando entre as folhas com uma melodia sinistra. Helena e Elias avançavam cautelosamente, cada passo medido, cada ruído amplificado pelo silêncio opressor da floresta. O mapa rudimentar do professor, agora mais uma esperança do que um guia confiável, era constantemente consultado, comparado com as formações rochosas e os cursos de riachos que cruzavam seu caminho.

Elias, com sua habilidade inata de leitura de terreno, liderava o caminho. Seus olhos perscrutavam a mata com uma intensidade que Helena admirava e temia. Ele não era apenas um homem em fuga; era um predador caçado, e em seus movimentos, podia-se vislumbrar o treinamento de uma vida inteira, mesmo que ele tentasse negar. Helena, por sua vez, mantinha-se alerta, seus sentidos aguçados pela adrenalina e pela consciência da ameaça iminente. O artefato, a Ordem da Aurora Eterna, o guardião na Cruz de Ouro – todos eram fios de uma teia perigosa que se fechava ao redor deles.

"O professor mencionou algo sobre um desfiladeiro antes da Cruz de Ouro", Helena disse, a voz baixa para não alertar potenciais ouvintes. "Uma passagem estreita, guardada por 'olhos que veem além do véu'."

Elias assentiu, o rosto sério. "Ele acreditava que esses locais de poder eram naturalmente protegidos. Talvez não por guardiões literais, mas por ilusões, por caminhos que se desorientam. Ou talvez ele estivesse falando de algo mais literal."

A menção de "olhos que veem além do véu" fez Helena lembrar-se das descrições do professor sobre os poderes psíquicos que a Ordem da Aurora Eterna buscava desenvolver. Era possível que não estivessem sozinhos naquela mata? Que fossem observados por olhos que não pertenciam a este mundo?

De repente, Elias parou abruptamente, levantando a mão em sinal de silêncio. Helena congelou, o coração disparado. O som de galhos quebrando ao longe. Passos. Não os seus.

"Eles estão nos seguindo", Elias sibilou, os olhos estreitados. "Eu senti. Uma vibração diferente no ar. Eles são bons."

A percepção atingiu Helena com a força de um golpe. A fuga não havia terminado. A Garganta do Diabo fora apenas um respiro. A caçada havia se intensificado. A Ordem da Aurora Eterna sabia que eles estavam indo para a Cruz de Ouro.

"Quantos?", Helena sussurrou, a mão buscando o canivete que Elias havia lhe dado.

"Não sei. Mas parecem experientes. Sabem como se mover na mata sem serem notados", Elias respondeu, a voz tensa. Ele olhou ao redor, avaliando as opções. "Precisamos nos separar temporariamente. Criar confusão. Um de nós pode atraí-los, enquanto o outro avança."

Helena sentiu um aperto no peito. A ideia de se separarem era arriscada, mas talvez fosse a única maneira de despistá-los. "Eu posso ir. Eles não sabem que eu sei tanto quanto você sobre o artefato. Podem me subestimar."

Elias a olhou nos olhos, uma mistura de preocupação e admiração. "Você é corajosa, Helena. Mas eles não subestimam ninguém. São implacáveis. Vamos juntos. Usaremos a mata a nosso favor."

Ele apontou para uma trilha mais densa, quase imperceptível. "Por aqui. Se conseguirmos chegar a uma área mais aberta, podemos tentar despistá-los com uma distração."

Eles avançaram, a velocidade aumentada, mas a cautela redobrada. O som dos passos inimigos parecia se aproximar, um tambor incessante que ressoava em seus ouvidos. Helena sentia a adrenalina inundar seu corpo, cada nervo à flor da pele. O medo era real, mas a determinação de proteger Elias e o segredo que carregavam era ainda maior.

De repente, um grito ecoou pela mata, próximo demais. Um grito de dor. Não de um dos perseguidores, mas de um deles.

"O que foi isso?", Helena ofegou.

Elias parou, o corpo tenso. "Não foi um deles. Parece... um grito de animal. Mas estranho."

Eles se esgueiraram até a beira de uma clareira pequena e sombria. No centro, um homem estava caído no chão, a mão pressionando o peito. Sua roupa era escura, idêntica às que eles haviam visto nos homens que os perseguiram. Mas ele estava sozinho. E parecia ferido.

Ao lado dele, no chão, estava uma pequena caixa metálica, aberta. Dentro, um dispositivo que emitia uma luz fraca e pulsante.

"É um dos artefatos deles", Elias sussurrou, reconhecendo o objeto das anotações do professor. "Um localizador. Ele deve ter acionado um alarme quando se feriu."

O homem ferido gemeu de dor. E então, Helena viu. Atrás dele, emergindo das sombras das árvores, outras figuras começaram a surgir. Olhos frios e calculistas, armas em punho. A Ordem da Aurora Eterna.

"Eles chegaram", Elias disse, a voz baixa e perigosa. "Eles encontraram o ponto de convergência."

O homem ferido, vendo seus companheiros, tentou se levantar, mas a dor o venceu. Os outros se aproximaram dele, um deles pegando o dispositivo de localização. Seus olhares varreram a clareira, e então, fixaram-se em Helena e Elias, escondidos na orla da mata.

"Achamos vocês", disse um dos homens, a voz fria e sem emoção. Ele era o líder do grupo, seus olhos azuis penetrantes como lascas de gelo.

Não havia mais tempo para fugir. A caçada havia chegado ao seu ápice naquela pequena clareira. A Cruz de Ouro, o destino final, estava perto, mas agora um obstáculo intransponível se apresentava.

"O que fazemos?", Helena perguntou, a voz firme, mas o coração martelando contra as costelas.

Elias deu um passo à frente, colocando-se entre Helena e os agressores. A exaustão de sua jornada parecia ter desaparecido, substituída por uma determinação feroz. Seus olhos, antes turvos pela dor e pela dúvida, agora brilhavam com uma força ancestral.

"Nós lutamos", Elias disse, a voz grave. "Nós lutamos pelo que é nosso. Pelo que o professor nos deixou."

Ele tirou uma faca de sua bota, a lâmina refletindo a pouca luz da clareira. Helena, sentindo a coragem que Elias emanava, desembainhou o canivete. A batalha pela Cruz de Ouro, e pelo destino do mundo, estava prestes a começar. A mata fechada, que antes parecia apenas um obstáculo, agora se tornava o palco de um confronto violento e decisivo. O eco dos passos inimigos se transformou no som de armas sendo preparadas, e o sussurro do abismo se intensificou, anunciando o clímax iminente.

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