O Sussurro do Abismo

Capítulo 9 — A Fuga pela Garganta do Diabo

por Felipe Nascimento

Capítulo 9 — A Fuga pela Garganta do Diabo

O som de metal raspando em pedra se tornava mais alto, mais próximo. A escuridão da mina, antes apenas um cenário, agora parecia conspirar contra eles, tornando cada sombra um potencial esconderijo para seus perseguidores. Clara apertou o Orbe das Sombras em suas mãos, sentindo sua energia fria e pulsante, um contraponto assustador à Pedra Ancestral. Elias, com a agilidade surpreendente que desmentia sua idade, já se posicionava perto da entrada do túnel, sua expressão séria.

"Eles são rápidos", disse Elias, sua voz baixa e controlada, mas com um tom de urgência. "Seu avô certamente deixou pistas que eles seguiram. Precisamos sair daqui, e rápido."

Clara sentiu um nó na garganta. A mina, que ela imaginara como um local de descoberta, agora se tornava uma armadilha. As paredes úmidas pareciam se fechar ao redor deles, a cada segundo de silêncio amplificando o medo.

"Para onde vamos?", perguntou Clara, olhando para o túnel escuro de onde vinha o som ameaçador.

"Há outra saída. Uma passagem de emergência que o Professor Armando mencionou em seu diário. Era usada pelos mineiros em caso de desmoronamento. Fica em uma ravina próxima, conhecida como a 'Garganta do Diabo'. É perigosa, mas é a nossa única chance."

O som se aproximava. Passos rápidos e decididos ecoavam no túnel. Clara podia sentir a respiração fria dos Guardiões em suas costas. Eles não eram amadores; eram caçadores experientes.

"Vamos!", Elias a puxou pelo braço, impulsionando-a para o túnel principal, de volta para a área onde haviam começado a escavação. A luz fraca do sol, que antes parecia um alívio, agora era um guia para os seus perseguidores.

Eles correram em direção à saída principal da mina, o ar fresco da montanha sendo um alívio temporário para seus pulmões. Mas a calma durou pouco. Ao emergirem da escuridão, avistaram três figuras paradas perto da entrada, bloqueando o caminho. Vestiam roupas escuras e imponentes, seus rostos sombreados por capuzes. A aura de perigo que emanava deles era palpável.

"A pedra e o orbe. Entreguem-nos, e talvez vocês saiam daqui ilesos", disse uma das figuras, sua voz grave e sem emoção, como um comando frio.

Clara sentiu um tremor percorrer seu corpo. A frieza na voz do homem era mais assustadora do que qualquer ameaça direta. Elias se pôs à frente dela, protegendo-a.

"Eles não vão se entregar facilmente", murmurou Elias, olhando para a ravina à direita, a Garganta do Diabo. "Precisamos ganhar tempo."

Elias, com um movimento rápido, pegou uma marreta enferrujada próxima. "Corra, Clara! Vá para a ravina! Eu os distraio!"

"Não! Elias, não me deixe!", Clara implorou, o pânico tomando conta dela.

"Confie em mim, Clara! É a única maneira!", ele gritou, antes de se lançar contra os Guardiões.

Clara não hesitou mais. O medo de perder Elias, de ser capturada, a impulsionou. Ela correu em direção à ravina, o Orbe das Sombras seguro em sua mão. A Garganta do Diabo era uma fenda estreita e íngreme, com rochas soltas e vegetação rasteira que dificultavam a passagem. O vento uivava entre as pedras, criando um som fantasmagórico.

Ela descia com dificuldade, seus pés escorregando nas pedras. A cada momento, ela esperava ouvir os passos de seus perseguidores em sua cola. O som da luta na mina se misturava ao uivo do vento, criando uma cacofonia de perigo.

Quando estava a meio caminho da ravina, ouviu um grito de Elias. Um grito de dor que fez seu coração parar. Ela parou, olhando para trás, mas a entrada da mina estava distante e obscurecida pela vegetação.

"Elias!", ela gritou, mas apenas o uivo do vento respondeu.

Uma onda de desespero a atingiu, mas ela a reprimiu com força. Ela precisava honrar o sacrifício de Elias. Precisava chegar à saída, levar o orbe para um lugar seguro. Ela continuou descendo, com mais determinação do que nunca.

A ravina era traiçoeira. Em um ponto, uma pedra solta cedeu sob seu pé, e ela rolou por alguns metros, sentindo a dor aguda em seus tornozelos e braços. O Orbe das Sombras escapou de sua mão, caindo em uma moita espinhosa.

"Não!", ela exclamou, lutando para se levantar. A dor era intensa, mas o medo de perder o artefato era maior. Ela se arrastou até a moita, afastando os espinhos com as mãos feridas, e finalmente o encontrou. O cristal negro parecia vibrar em sua mão, um eco da energia que emanava.

Enquanto lutava para se levantar, ouviu vozes vindo do topo da ravina. Eles a haviam encontrado. Clara sentiu um último fio de esperança se romper. Ela estava cercada, ferida, com os Guardiões se aproximando.

Desesperada, ela olhou para o orbe em sua mão. Lembrou-se do que seu avô escreveu sobre ele: "absorver e direcionar energias negativas". Seria possível?

Com um último esforço, Clara ergueu o Orbe das Sombras. Fechou os olhos, concentrando toda a sua dor, todo o seu medo, toda a sua raiva. Ela imaginou a energia sombria dos Guardiões, o perigo que eles representavam, e direcionou tudo isso para o orbe.

Um brilho escuro emanou do cristal. Uma onda de energia fria se espalhou pela ravina, fazendo as rochas tremerem e a vegetação murchar. Os gritos dos Guardiões se misturaram ao som da energia liberada.

Clara sentiu uma força invisível empurrá-la para trás. Quando abriu os olhos, viu os três Guardiões em pé, cambaleando, seus rostos contorcidos de dor e surpresa. A energia do orbe parecia ter os desorientado, mas não os detido.

Com uma última olhada para trás, para a entrada da mina onde Elias lutara bravamente, Clara se virou e continuou descendo a ravina. Agora, com a ajuda da energia do orbe, a descida parecia menos perigosa. As pedras pareciam se ajustar sob seus pés, e o vento parecia guiá-la.

Ela alcançou o fundo da ravina, onde um pequeno riacho corria. A água era fria e cristalina, e ela mergulhou o rosto para beber. A adrenalina começava a diminuir, e a dor em seu corpo se tornava mais intensa. Mas ela estava viva. E com o Orbe das Sombras em mãos.

Ao se levantar, viu, a poucos metros dali, uma entrada discreta em uma formação rochosa, quase oculta pela vegetação. Era a passagem que Elias mencionara. A saída.

Com um último olhar para as alturas da Garganta do Diabo, Clara se dirigiu para a saída. O suspiro de alívio que escapou de seus lábios foi abafado pelo uivo do vento. Elias estava ferido, talvez em perigo, mas ela havia conseguido. O primeiro artefato estava em seu poder. A caça havia se tornado uma fuga desesperada, e ela estava apenas começando a sentir o verdadeiro peso do abismo.

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