Labirinto de Sombras no Sertão

Capítulo 17 — O Sussurro do Passado na Casa Abandonada

por Felipe Nascimento

Capítulo 17 — O Sussurro do Passado na Casa Abandonada

A chegada da polícia ao pequeno vilarejo foi um acontecimento que quebrou a rotina pacata, mas também trouxe um ar de apreensão. O Delegado Almeida, um homem de semblante sério e olhar perspicaz, chegou acompanhado de sua equipe. A cena do crime na cachoeira seca, apesar de já ter sido desfeita pela ação do tempo e pelo calor, ainda guardava vestígios que a perícia se apressou em coletar.

Isabela e Samuel foram os primeiros a serem chamados para depor. Sentados em cadeiras desconfortáveis na pequena delegacia local, as perguntas do delegado pareciam perfurar suas almas. Almeida era metódico, sua voz calma, mas cada palavra era pesada, carregada de um profissionalismo que não deixava espaço para rodeios.

“Senhorita Isabela, o senhor Juvêncio lhe disse algo que pudesse indicar um inimigo, uma ameaça?”, perguntou o delegado, analisando a expressão da jovem.

Isabela hesitou por um instante, lembrando-se das palavras de Seu Juvêncio sobre o segredo antigo. Ela sabia que aquilo era crucial, mas também sabia que soaria como lenda para um homem da cidade. “Ele estava preocupado, delegado. Falava sobre um segredo… algo antigo que não deveria ser revelado. Ele disse que algumas pessoas não queriam que ele viesse à luz.”

Almeida anotou em seu bloco, o olhar fixo em Isabela. “Segredo antigo… Revelado… A senhora se refere a algum objeto, algum lugar específico?”

“Sim”, respondeu Isabela, sentindo a urgência de ser clara. “Estávamos procurando por um artefato indígena. Ele achava que era muito importante. E que sua descoberta poderia… incomodar alguém.”

Enquanto isso, Samuel descrevia os últimos momentos que viu Seu Juvêncio vivo. Sua voz era firme, mas a dor em seus olhos era palpável. “Ele estava animado, delegado. Como sempre, quando falava sobre as histórias da terra. Ele me mostrou um mapa antigo, que ele disse ter encontrado há muito tempo. Falava sobre um lugar especial… a cachoeira seca.”

O delegado ouviu atentamente, o cenho franzido em concentração. O mapa antigo… o artefato indígena… o segredo… tudo começava a formar um quadro, ainda que nebuloso. “Um mapa? Poderia nos mostrar esse mapa, senhor Samuel?”

Samuel assentiu. “Ficava na casa de Seu Juvêncio. Pensei em ir buscá-lo, mas… com tudo isso…”

“Precisamos de tudo o que puder nos ajudar, senhor Samuel. A casa de Seu Juvêncio está sob nossa guarda. Vamos até lá”, determinou o delegado.

A casa de Seu Juvêncio, pequena e simples, cheirava a terra seca e a lembranças. Cada objeto ali parecia contar uma história, cada móvel era um vestígio de uma vida dedicada ao sertão. A tristeza pairava no ar, mas a necessidade de encontrar respostas era mais forte. No quarto do velho, escondida em um velho baú de madeira, encontraram o mapa. Era feito de um couro curtido, com desenhos rudimentares que pareciam indicar trilhas e pontos de referência.

Enquanto a equipe de perícia examinava a casa em busca de pistas, Isabela e Samuel observavam o mapa com atenção redobrada. O desenho da cachoeira seca era claro, mas havia outros símbolos, alguns que eles não conseguiam decifrar.

“Olha, Samuel”, disse Isabela, apontando para uma marca no canto do mapa. “Parece uma casa… abandonada?”

Samuel se aproximou, seus olhos arregalados. “Sim! Lembro de ter visto uma construção antiga, em ruínas, quando íamos para a cachoeira, mas nunca demos importância.”

O delegado Almeida observou o mapa com interesse. “Uma casa abandonada… pode ser um ponto de partida. Alguém que quisesse manter um segredo, poderia ter um esconderijo como esse.”

O interesse de Almeida, no entanto, não se limitava apenas ao artefato ou ao segredo. A natureza brutal do crime, o fato de Seu Juvêncio ter sido morto com tamanha frieza, indicava algo mais. Havia uma crueldade que ia além da simples disputa por um tesouro.

“Seu Juvêncio tinha algum desafeto? Alguém que o invejasse?”, perguntou Almeida, enquanto examinava um caderno de anotações do velho, cheio de desenhos de plantas e observações sobre a natureza.

Isabela e Samuel trocaram olhares. A vida de Seu Juvêncio era simples, dedicada ao trabalho na terra e ao estudo do sertão. Mas o sertão também tinha suas rivalidades, suas disputas veladas.

“Havia um homem, delegado”, disse Samuel, com a voz embargada. “Um homem que sempre quis comprar a terra de Seu Juvêncio. Ele dizia que a terra dele tinha potencial para algo maior… algum tipo de mineração, eu acho. Seu Juvêncio sempre recusou.”

“Qual o nome dele?”, perguntou Almeida, com a ponta de um graveto, traçando uma linha imaginária no mapa.

“Seu Romildo. Ele mora no vilarejo vizinho. É um homem rico, de poucas palavras, mas com muita influência.”

“Riqueza e influência… e o desejo de obter a terra de Seu Juvêncio. Isso é um motivo, com certeza”, refletiu o delegado. “Precisamos investigar Seu Romildo.”

Enquanto a polícia se preparava para ir até o vilarejo vizinho, Isabela sentiu um calafrio. A casa abandonada no mapa… a menção a Seu Romildo… tudo parecia se conectar de forma sinistra. Ela sabia que Seu Juvêncio não era apenas um velho contador de histórias. Ele guardava um conhecimento profundo sobre a terra, sobre seus segredos ancestrais. E esse conhecimento, agora, estava manchado de sangue.

De volta à casa de Seu Juvêncio, enquanto a polícia vasculhava cada canto, Isabela se permitiu um momento para sentir a presença do velho. Ela fechou os olhos, imaginando-o ali, sorrindo, com seu olhar sábio e acolhedor. As lembranças de suas conversas na beira da cachoeira seca voltaram com força. Ele havia tentado protegê-la, alertá-la.

“O segredo é mais antigo que o tempo…”, sussurrou ela para si mesma.

A casa abandonada no mapa. Aquela construção esquecida pelo tempo, onde as sombras se alongavam e os ventos uivavam, parecia ser a próxima peça do quebra-cabeça. Era um lugar que inspira medo, mas que, para Isabela e Samuel, agora representava a esperança de encontrar a verdade por trás da morte de Seu Juvêncio e do mistério do artefato indígena. O passado, guardado em segredo naquela casa esquecida, estava prestes a se revelar, e com ele, talvez, a identidade do assassino. O labirinto de sombras se adensava, e cada passo em falso poderia ser fatal.

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