Labirinto de Sombras no Sertão

Capítulo 19 — O Encontro Sombrio na Casa Abandonada

por Felipe Nascimento

Capítulo 19 — O Encontro Sombrio na Casa Abandonada

O sol começava a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e avermelhados, um espetáculo de beleza que contrastava com o medo que pairava no ar. Escondidos na gruta rochosa, Isabela e Samuel sentiam o frio da noite sertaneja começar a se instalar. A preocupação com o Delegado Almeida era imensa, mas a necessidade de seguir em frente, de não deixar que a emboscada os detivesse, falava mais alto.

“Precisamos ir até a casa abandonada, Samuel”, disse Isabela, a voz decidida, apesar do cansaço. “É a única pista que temos. Se Seu Romildo está envolvido, talvez ele use aquele lugar para algo.”

Samuel assentiu, o olhar determinado. A morte de Seu Juvêncio e a emboscada na estrada haviam solidificado sua convicção: era preciso ir até o fim. “Eu conheço um caminho para lá. É um pouco mais distante, mas mais seguro do que a estrada principal.”

Guiados pela memória de Samuel e pelas estrelas que começavam a pontilhar o céu escuro, eles caminharam pela caatinga. Cada passo era cauteloso, cada som um motivo de alerta. A noite no sertão era um manto de escuridão pontuado por ruídos de animais noturnos e o uivo distante do vento.

Após horas de caminhada, a silhueta sombria da casa abandonada surgiu na escuridão. Era uma construção antiga, de paredes descascadas e telhado desmoronado, cercada por um matagal denso. As janelas quebradas pareciam olhos vazios, observando o mundo com uma melancolia sinistra. Um ar de desolação e mistério emanava do lugar, como se os segredos ali guardados fossem pesados demais para suportar a luz do dia.

“É aqui”, sussurrou Samuel, parando a uma certa distância. “Dizem que ninguém mora aqui há décadas. Que é assombrada.”

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não era apenas medo do sobrenatural. Era a sensação de que estavam pisando em um terreno perigoso, onde a verdade, por mais sombria que fosse, aguardava para ser revelada. Ela pensou em Seu Juvêncio, em sua sabedoria e em sua coragem.

“Vamos com cuidado”, disse ela, pegando um pedaço de madeira caído no chão como arma improvisada.

Eles se aproximaram da casa, o silêncio quebrado apenas pelo crepitar de galhos secos sob seus pés. A porta principal estava entreaberta, rangendo suavemente com o vento, convidando-os para o interior escuro. Ao entrarem, o cheiro de mofo, poeira e umidade os atingiu. A luz fraca da lua, filtrada pelas janelas quebradas, criava sombras dançantes que transformavam objetos comuns em figuras fantasmagóricas.

O interior da casa era um cenário de abandono e decadência. Móveis antigos cobertos por lençóis brancos, teias de aranha cobrindo os cantos, e um piso de madeira que rangia a cada passo. No centro da sala principal, havia uma mesa rudimentar. Sobre ela, iluminada pela luz de uma lamparina fraca, uma figura estava sentada.

Era um homem. Ele se virou lentamente ao ouvir o som dos passos de Isabela e Samuel. Era Seu Romildo. Seu rosto, iluminado pela luz trêmula da lamparina, parecia ainda mais severo e calculista do que se recordavam. Ele não demonstrava surpresa ao vê-los, apenas um olhar frio e avaliador.

“Eu sabia que viriam”, disse ele, a voz rouca e calma, um contraste perturbador com a situação.

Isabela e Samuel se entreolharam, apreensivos. A presença de Seu Romildo ali, naquela casa abandonada, parecia confirmar suas suspeitas.

“Onde está o Delegado Almeida?”, perguntou Samuel, a voz firme, mantendo uma distância segura.

Seu Romildo deu uma risada seca, sem humor. “O delegado? Ah, ele está bem. Por enquanto. Mas creio que vocês não deveriam ter vindo aqui.”

“Sabíamos que algo estava errado”, disse Isabela, dando um passo à frente. “Seu Juvêncio foi assassinado. Ele sabia sobre o artefato, não sabia? E você não queria que ele o encontrasse.”

Seu Romildo se levantou da cadeira, revelando sua estatura imponente. Ele caminhou lentamente em direção a eles, seus olhos fixos nos deles. “Seu Juvêncio era um velho teimoso. Apegado a lendas e histórias. Ele não entendia o valor do que realmente importava.”

“E o que importa para o senhor, Seu Romildo?”, perguntou Samuel, sentindo a tensão aumentar. “A terra? Dinheiro?”

“Importa o poder, meu jovem”, respondeu Seu Romildo, um brilho sinistro em seus olhos. “O poder de controlar. De moldar o destino. Seu Juvêncio estava no caminho. Ele sabia demais sobre a história deste lugar, sobre o que está escondido aqui.”

“O artefato indígena?”, insistiu Isabela.

“O artefato é apenas uma chave”, disse Seu Romildo, aproximando-se da mesa. Ele pegou um objeto envolto em um pano escuro. Desdobrou-o lentamente, revelando uma peça de cerâmica antiga, com entalhes intrincados e um brilho estranho à luz da lamparina. “Mas não é apenas um objeto de museu, senhorita. É um símbolo. Um símbolo de uma força que este sertão guarda há séculos. Uma força que eu pretendo usar.”

Enquanto Seu Romildo falava, Isabela percebeu algo mais na mesa. Um mapa. Era o mesmo mapa que Seu Juvêncio havia mostrado a Samuel, mas agora estava completo, com anotações adicionais. E, próximo à marca da casa abandonada, havia um novo símbolo, um círculo com um X dentro.

“Você matou Seu Juvêncio, não foi?”, acusou Isabela, a voz embargada pela raiva.

Seu Romildo sorriu, um sorriso cruel. “Ele não me deixou escolha. E vocês… vocês também estão se tornando um problema.”

No momento em que ele disse isso, as sombras na casa pareceram ganhar vida. Vultos surgiram das portas e janelas, homens armados, os mesmos que atacaram o jipe do delegado. A emboscada não havia sido um acaso. Eles haviam sido atraídos para a casa abandonada.

“Vocês acharam que poderiam me desmascarar?”, disse Seu Romildo, gesticulando para seus homens. “Tolos.”

Samuel e Isabela estavam encurralados. O medo era palpável, mas também a raiva e a determinação de não se curvar. Eles haviam chegado até ali, enfrentado perigos, e não iriam desistir agora. O segredo antigo de Seu Juvêncio, a força que ele mencionou, estava mais perto do que imaginavam, e Seu Romildo estava determinado a controlá-la. A noite na casa abandonada prometia ser longa e sombria, o labirinto de sombras se fechando sobre eles.

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