O Colecionador de Ossos

Capítulo 8 — A Caçada no Museu

por Thiago Barbosa

Capítulo 8 — A Caçada no Museu

O museu arqueológico, um colosso de pedra e vidro em meio à escuridão da cidade, era um santuário de história, um lugar onde o tempo parecia ter parado. Mas naquela noite, a quietude foi profanada. Sirenes uivavam ao longe, se aproximando, enquanto Ricardo e Clara corriam em direção à entrada principal.

Ao chegarem, foram recebidos por uma cena de caos. Vidros quebrados espalhados pelo chão, vitrines reviradas e objetos históricos espalhados como brinquedos descartados. Os poucos seguranças que haviam conseguido conter o intruso estavam pálidos e assustados, as mãos tremendo.

"Ele estava aqui", disse um dos seguranças, a voz embargada pelo medo. "Um homem... magro, silencioso. Ele sabia exatamente onde ir. Não parecia um ladrão comum. Ele... ele parecia estar procurando algo específico."

Ricardo e Clara trocaram olhares. "Ele veio pelo tesouro de Davi", disse Ricardo, referindo-se aos papéis originais da pesquisa de Drummond.

Eles se dirigiram à sala de exposições principais, onde ficava a seção dedicada às escavações que Drummond e Davi haviam realizado anos atrás. O local estava em desordem, mas uma vitrine específica, que continha documentos antigos e artefatos daquela época, parecia ter sido o foco do intruso. A porta de vidro estava aberta, e os papéis dentro estavam espalhados.

"Ele os encontrou", disse Clara, com a voz tensa. "Mas por que ele se daria ao trabalho de vir até aqui, se já tinha os ossos das vítimas? O que ele buscava nos documentos?"

Ricardo examinou os papéis espalhados. Havia mapas antigos, fotografias desbotadas, e o que pareciam ser anotações de campo. Ele pegou uma das fotografias. Era uma imagem de uma escavação, e no centro, um objeto circular de pedra, com inscrições intrincadas.

"Isso!", exclamou Ricardo. "Isso é o que ele procurava! Davi mencionou nos seus escritos que Drummond suprimiu a descoberta de um artefato que poderia mudar a história. Esse deve ser ele."

Clara pegou outro documento, um relatório datilografado com as anotações de Drummond. "Aqui está. Drummond descreve o artefato como 'sem significado', 'uma mera curiosidade'. Ele minimiza a importância da descoberta, mas suas anotações pessoais, escritas à mão nas margens, mostram que ele sabia o real valor."

"Ele sabia que era a prova do roubo", disse Ricardo. "E Davi, em sua obsessão, acreditou que recuperar esse artefato e a documentação original o faria ter justiça. Mas ele foi longe demais. Ele se tornou o monstro que ele tanto odiava."

De repente, um ruído vindo do andar superior chamou a atenção deles. Um arrastar pesado, como se algo estivesse sendo movido.

"Ele ainda está aqui", sussurrou Clara.

Eles subiram as escadas com cautela, as armas em punho. O andar superior abrigava uma sala de armazenamento, repleta de caixas e artefatos empilhados. A luz era fraca, criando sombras longas e dançantes.

Em um canto escuro, eles viram Davi Lemos. Ele estava agachado ao lado de uma grande caixa de madeira, exalando um suor frio e desesperado. Em suas mãos, ele segurava uma pequena caixa de veludo, idêntica à que haviam encontrado em seu apartamento. Mas esta continha algo diferente. Não eram ossos. Eram joias antigas, anéis, colares e um broche em forma de serpente, cravejado de pedras preciosas.

"O que você está fazendo, Davi?", perguntou Ricardo, a voz firme, mas com um tom de tristeza.

Davi se virou abruptamente, os olhos arregalados de pânico. Ele parecia ainda mais magro e pálido do que nas fotos que tinham visto. O suor escorria por seu rosto, misturando-se com as lágrimas.

"Vocês não entendem", ele balbuciou, a voz trêmula. "Ele me tirou tudo. Ele não apenas roubou meu trabalho, ele roubou o meu futuro. Essas joias... eram parte da descoberta. Drummond as escondeu, disse que eram falsas, para desacreditar a importância do achado. Mas elas são reais. Elas provam tudo."

"E os ossos, Davi?", perguntou Clara, a voz suave, mas firme. "Por que você os colecionou? Por que você tirou a vida de pessoas inocentes?"

Os olhos de Davi se encheram de dor. "Eu... eu precisava. Eu precisava de algo para me dar força. Para me dar o controle que ele tirou de mim. Eu pensava que, ao colecionar os ossos deles, eu estava me aproximando da verdade. Eu estava me vingando dele, tirando dele o que ele mais prezava: a reputação, a vida que ele construiu sobre minhas ruínas." Ele soluçou. "Eu me tornei aquilo que eu mais odiava. Eu me tornei o monstro."

Ricardo baixou a arma lentamente. Ele viu em Davi não apenas um assassino, mas uma vítima da ambição desmedida de outro homem. Um homem que agora estava morto, incapaz de responder por seus crimes.

"Drummond está morto, Davi", disse Ricardo. "A vingança não vai trazer de volta o que você perdeu. Ela só vai te consumir."

Davi olhou para as joias em sua mão, depois para os ossos em sua caixa. A loucura em seus olhos começou a dar lugar a um vazio profundo. Ele largou a caixa de joias e a caixa de ossos no chão. Eles se espalharam, os ossos rolando pelo chão empoeirado, misturando-se com os fragmentos de vidro e as peças de cerâmica antiga.

"Eu... eu não sei mais o que fazer", ele murmurou, a voz um fio.

Clara se aproximou dele, com cautela. "Você vai vir conosco, Davi. Você vai ter que responder por seus atos. Mas talvez, apenas talvez, você ainda possa encontrar um caminho de volta. Um caminho que não envolva a morte e a destruição."

Davi Lemos, o Colecionador de Ossos, não ofereceu resistência quando Clara o algemou. Ele parecia derrotado, um fantasma de si mesmo, preso no labirinto de sua própria dor e obsessão. Enquanto eles o levavam para fora do museu, Ricardo olhou para os ossos espalhados pelo chão, um testemunho silencioso da tragédia que havia se desenrolado. A caçada havia terminado, mas as cicatrizes que ela deixaria em todos eles seriam profundas e duradouras.

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