A Última Confissão de Clara

Capítulo 12 — A Armadilha do Delegado

por Felipe Nascimento

Capítulo 12 — A Armadilha do Delegado

O casarão, agora despojado de seu manto de mistério e mergulhado na luz fria da madrugada, parecia ainda mais sinistro. Clara e Elias, com os documentos secretos cuidadosamente guardados, deixaram o local com a mesma discrição com que haviam entrado. O peso da verdade recém-descoberta era esmagador, mas também trazia um fio de esperança, uma direção em meio ao caos que havia dominado sua vida.

De volta à segurança relativa da cabana nas montanhas, Clara folheava os papéis freneticamente, como se pudesse encontrar em cada linha a resposta para a pergunta mais urgente: como usar essa informação contra aqueles que a perseguiam? O diário de seu avô era uma confissão arrepiante de seus crimes, mas também uma ameaça velada ao seu próprio futuro. As palavras “silêncio eterno” ecoavam em sua mente como um presságio.

“Elias”, ela disse, a voz rouca de cansaço e emoção. “O Delegado Silva não é apenas cúmplice. Ele é parte da teia desde o início. Meu avô pagava o juiz, mas quem garante que ele mantinha tudo em segredo para o Delegado? Ou será que o Delegado sempre soube e se beneficiou disso?”

Elias a observava, a preocupação em seus olhos azuis. “É difícil dizer com certeza. Mas o juiz era o elo principal na fraude original. O Delegado Silva provavelmente se envolveu mais tarde, quando a necessidade de encobrir se tornou mais urgente. Talvez ele tenha se aproveitado da situação para extorquir seu avô, ou para garantir sua própria impunidade.”

“Mas por que ele agiu tão violentamente contra mim? Por que me mandou prender se sabia que eu não tinha culpa? Ele queria me tirar do caminho, não é? Para que eu não me tornasse uma ameaça ao plano dele e do juiz.” Clara sentiu uma onda de raiva percorrer seu corpo. A traição de seu próprio sangue, a corrupção que a cercava, era nauseante.

“Exatamente. Ele precisava ter certeza de que você não falaria, e que nenhuma prova fosse encontrada. A sua ‘prisão’ foi uma forma de te neutralizar, de te desacreditar. E quando você escapou… o desespero dele só aumentou.” Elias suspirou, passando a mão pelos cabelos. “Mas agora temos essas provas, Clara. Temos o diário, as escrituras, os comprovantes de pagamento. Isso é forte o suficiente.”

“Mas como entregamos isso? Se o Delegado Silva tem controle sobre a polícia local, qualquer prova que eu apresente a ele será destruída. Ele vai me incriminar ainda mais, vai dizer que falsifiquei tudo para incriminá-lo.” Clara sentia o peso da realidade cair sobre seus ombros. Eles estavam em desvantagem, lutando contra um sistema corrupto.

Elias se aproximou dela, o olhar firme. “Precisamos sair desta cidade. Levar essas provas para a capital. Há um jornal lá, um jornalista investigativo conhecido por não ter medo de expor a verdade. Se conseguirmos chegar até ele, teremos uma chance.”

A ideia de fugir novamente era assustadora, mas também a única saída lógica. “Mas como? Eles estarão nos procurando. O Delegado Silva não vai desistir facilmente.”

“Eu conheço um caminho. Uma rota pela serra que nos levará para longe da cidade sem sermos vistos. Levarei você até lá. E, a partir dali, você seguirá sozinha. Eu não posso ir com você até a capital. Se for pego, tudo estará perdido. Mas garanto que você chegará a um lugar seguro.” A voz de Elias era firme, mas Clara sentiu a dor da despedida em seu tom.

“Não!”, exclamou Clara, agarrando seu braço. “Eu não vou sozinha. Eu não posso. Você se arriscou por mim. Você me salvou. Não vou te deixar para trás.”

Elias a abraçou, o cheiro de pinho e terra impregnado em suas roupas. “Clara, você precisa entender. Se eu for pego com você, ambos seremos silenciados. Eu tenho contatos na capital que podem ajudar você a encontrar o jornalista. Mas eu mesmo… não posso arriscar.”

“Mas…”, Clara começou, a voz embargada.

“Não há ‘mas’, meu amor”, disse Elias, tocando-lhe o rosto com ternura. “Eu te amo. E é por isso que preciso garantir que você esteja segura. Você é a minha prioridade. E a verdade sobre seu avô e sobre essa corrupção… essa verdade precisa ser exposta. Por você. Por todos que foram prejudicados.”

Enquanto discutiam seus planos, um barulho repentino na mata, um som de galhos sendo pisados, fez com que ambos se calassem. Elias agarrou Clara, puxando-a para o chão, protegendo-a com seu corpo. Seus olhos varriam a escuridão, a mão instintivamente buscando uma arma improvisada.

“Alguém está vindo”, sussurrou Elias.

O som se aproximava, mais rápido do que esperavam. Não era um animal. Eram passos humanos. Eram muitos.

“Eles nos encontraram!”, ofegou Clara, o pânico voltando com toda a força.

Elias a empurrou para trás de uma árvore grossa. “Corra, Clara! Vá para o lado leste da cabana, para a trilha estreita que leva ao precipício. Eles não vão esperar que você desça por ali.”

“Mas você?”, perguntou Clara, o desespero em sua voz.

“Eu vou distraí-los. Dê o fora daqui! Agora!” A voz de Elias era um comando, sua determinação inabalável.

Clara hesitou por um instante, o coração partido pela ideia de deixá-lo para trás. Mas a urgência em seus olhos, a percepção do perigo iminente, a forçou a obedecer. Ela correu, o coração martelando contra as costelas, os pulmões queimando. Ouvia os gritos e os disparos atrás de si, e, por um momento terrível, temeu que Elias tivesse sido pego.

Ela correu desesperadamente pela mata, tropeçando em raízes e pedras, sentindo o medo como um animal selvagem em seu peito. A trilha para o precipício era traiçoeira, estreita e escura. Ela não conseguia ver o fundo, mas sabia que era a única chance de escapar.

De repente, uma figura surgiu à sua frente, bloqueando o caminho. Clara parou bruscamente, um grito preso na garganta. Era o Delegado Silva. Seus olhos escuros brilhavam com uma fúria fria sob a luz fraca da lua.

“Achou que poderia fugir, mocinha?”, disse ele, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Ninguém foge do Delegado Silva.”

Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela estava encurralada. Mas, naquele momento, um som familiar ecoou pela mata. Elias. Ele estava lutando. Ele estava dando a ela uma chance.

Com um impulso de coragem desesperada, Clara desviou do Delegado e correu para a lateral da trilha, deslizando pela encosta escarpada. Ela se agarrava a arbustos e raízes, o corpo arranhado e machucado, a adrenalina a impulsionando. Ouviu o Delegado gritar ordens e disparos de arma ecoando atrás dela, mas não parou. Ela não podia parar.

Enquanto deslizava pela escuridão, Clara sentiu um puxão forte em seu braço. Elias. Ele havia conseguido alcançá-la. Ele a puxou para um caminho escondido, uma ravina estreita que se abria na rocha.

“Eu disse para você correr!”, ofegou Elias, a respiração ofegante, o rosto sujo de terra e sangue.

“Eu não ia sem você!”, respondeu Clara, a voz embargada.

Eles se esconderam na ravina, o som da perseguição se afastando gradualmente. Estavam feridos, exaustos, mas vivos. E juntos. Aquele momento de fuga desesperada, de luta pela sobrevivência, selou ainda mais o laço entre eles.

“Precisamos sair daqui”, disse Elias, olhando para trás, para a escuridão. “Eles não vão parar de nos procurar. Mas ainda temos os documentos. Eles são a nossa salvação.”

Clara assentiu, o corpo tremendo. A armadilha do Delegado Silva havia sido cruel e bem planejada, mas, no final, a coragem e o amor de Elias haviam lhes dado uma nova chance. A luta estava longe de terminar, mas agora, mais do que nunca, Clara sabia que não estava sozinha.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%