A Última Confissão de Clara

Capítulo 14 — O Jogo Duplo de Elias e a Verdade Crua

por Felipe Nascimento

Capítulo 14 — O Jogo Duplo de Elias e a Verdade Crua

A névoa densa pairava sobre o mar, envolvendo o pequeno barco de Joaquim e o barco maior, imponente e ameaçador, que agora bloqueava a passagem. As luzes fortes do barco do Delegado Silva ofuscavam a visão, mas não a clareza aterrorizante do que estava acontecendo. Clara sentiu o chão sumir sob seus pés quando reconheceu o Delegado e o juiz em seu convés. A traição, pensou, era um veneno lento que corroía a alma.

Joaquim, com um tremor visível, abaixou o motor e largou as mãos no volante, o rosto uma máscara de desespero. “Eu… eu sinto muito, Clara. Elias… ele disse que era a única maneira de te manter segura. Que eles o forçaram a isso. Ele me disse para te entregar a eles, mas para que você soubesse que ele não te traiu.”

As palavras de Joaquim caíram como pedras no coração já aflito de Clara. Elias. Aquele que lutou com ela, que a protegeu, que lhe jurou amor… estava envolvido nisso? A ideia era insuportável, mas a realidade era implacável.

“Como… como eles o forçaram?”, perguntou Clara, a voz embargada, olhando para o juiz, cujo sorriso calculista era um insulto à sua dor.

“Elias tem um passado”, explicou Joaquim, baixando a voz. “Um passado que o Delegado e o juiz conhecem. Eles têm algo contra ele. Algo que o obriga a cooperar. Ele disse que era a única forma de proteger você. Que se ele não te entregasse, eles iriam atrás de você de qualquer maneira, e ele não poderia te defender.”

Clara sentiu as lágrimas rolarem livremente pelo rosto. A crueldade do Delegado Silva era infinita. Ele usava as pessoas, manipulava suas vidas, transformava amor em arma. Elias havia lutado por ela. Ele a salvou da cabana. Ele a trouxe até aqui. Mas, por quê? Por que essa tortura adicional?

“O que vocês querem de mim?”, perguntou Clara, dirigindo-se aos homens no outro barco, a voz firme, apesar do tremor.

O Delegado Silva sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Ora, querida Clara. Só queremos conversar. E recuperar o que é nosso.” Ele olhou para os papéis que Clara trazia consigo. “Acho que você tem algo que nos pertence, não é mesmo?”

Enquanto isso, em outro ponto da costa, longe da névoa e do mar agitado, Elias se movia com a agilidade de um fantasma. Ele havia se despedido de Clara com o coração partido, sabendo que o jogo que estava prestes a jogar era o mais perigoso de sua vida. Ele sabia que o Delegado Silva e o juiz o estavam usando para chegar a Clara, para recuperar os documentos que provariam seus crimes.

Ele sabia que eles haviam interceptado uma comunicação – uma que ele, de forma calculada, deixou que eles ouvissem – sobre uma rota de fuga pela costa, culminando em um encontro com um velho amigo pescador. Era uma armadilha, sim, mas também era a sua única chance de contra-atacar.

Elias sabia que Joaquim era leal e discreto, e que ele confiaria em Elias o suficiente para seguir suas instruções. A missão de Elias era clara: entregar Clara em um local onde ela estivesse fisicamente segura, mas onde ele pudesse, ao mesmo tempo, atrair o Delegado e o juiz para uma armadilha.

Ele se esgueirou pelas sombras, o corpo ágil e silencioso. Seus contatos na capital haviam lhe dado informações valiosas sobre as operações clandestinas do juiz e do Delegado. Eles estavam envolvidos em tráfico de influência, extorsão e, possivelmente, até em desaparecimentos. Os documentos que Clara possuía eram a prova irrefutável de tudo isso.

Elias sabia que precisava recuperar esses documentos, não para si, mas para garantir que eles chegassem às mãos certas. E ele sabia que a única maneira de fazer isso era atrair o Delegado e o juiz para um confronto onde ele pudesse ter alguma vantagem.

Ele chegou a um antigo armazém abandonado, um lugar que ele e seus antigos contatos usavam para encontros secretos. Ali, ele havia preparado sua própria armadilha. Havia escondido algumas armas, explosivos improvisados, e um plano meticuloso.

Enquanto esperava, Elias repassava mentalmente a história de sua vida, o peso de seus erros. Ele havia cometido crimes no passado, sim. Havia se envolvido com pessoas perigosas. Mas tudo o que fizera fora para sobrevúmulo. E agora, ele estava lutando por uma causa justa, para proteger a mulher que amava e para expor a corrupção que assolava aquela região.

Ele sabia que o Delegado Silva o subestimava. Ele pensava que Elias era apenas um criminoso comum, facilmente manipulável. Mas Elias era mais do que isso. Ele era um sobrevivente.

De volta ao barco, Clara observava o Delegado Silva e o juiz com um misto de medo e desprezo. Eles a haviam encurralado. E Elias… Elias havia se tornado parte daquela teia sombria.

“Entregue os documentos, Clara”, disse o juiz, a voz suave, mas fria como gelo. “Não queremos machucar você. Apenas queremos as provas que foram roubadas.”

Clara hesitou. O diário de seu avô, as escrituras, os comprovantes de pagamento… eram a única coisa que ela tinha para provar a verdade. Eram sua arma. E a única coisa que a ligava a Elias, de alguma forma.

“Elias disse que eu deveria confiar em você”, mentiu Clara, a voz embargada. Ela sabia que era uma aposta arriscada, mas precisava ganhar tempo. “Ele disse que você… que você me ajudaria a expor meu avô.”

O Delegado Silva soltou uma gargalhada seca. “Elias? Aquele canalha? Ele não passa de um ladrão e de um traidor. Ele está fazendo um favor para nós, entregando você. Ele não se importa com você.”

As palavras do Delegado atingiram Clara como um raio. Traidor. Aquele era o preço da fuga. Elias estava sendo forçado a escolher entre ela e sua própria liberdade, sua própria vida.

“Isso é mentira!”, gritou Clara, a voz trêmula. “Ele me ama!”

O juiz se aproximou, seus olhos frios fixos nos dela. “Amor é um luxo que nem todos podem se dar, querida. Especialmente quando o perigo é tão real. Agora, os documentos. Ou as coisas vão ficar muito desagradáveis para todos nós.”

Clara sentiu o desespero crescendo. Ela olhou para Joaquim, que apenas balançava a cabeça, impotente. Ela olhou para o mar, para a névoa que a cercava, e para os homens que a haviam encurralado.

Nesse momento, um barulho distante ecoou no ar. Um som de explosão, abafado pela névoa. Os homens do Delegado Silva se sobressaltaram. O Delegado e o juiz trocaram olhares nervosos.

“O que foi isso?”, perguntou o Delegado, o sorriso sumindo de seu rosto.

“Não sei, mas não é um bom sinal”, respondeu o juiz, os olhos varrendo a névoa com desconfiança.

Era a chance de Clara. Em um movimento rápido, ela se jogou para a frente, empurrando Joaquim e o barco para o lado. Ela não tinha para onde ir, mas precisava criar uma distração. Ela agarrou a bolsa com os documentos e se lançou na água fria.

“Peguem-na!”, gritou o Delegado Silva, o pânico em sua voz.

Os homens no barco começaram a se mover, mas Joaquim, aproveitando a confusão, deu um impulso no motor e se afastou rapidamente, navegando para o lado oposto da explosão.

Clara nadou com toda a força que lhe restava, a água gelada queimando seus pulmões. Ela sabia que não podia ficar ali. Ela sabia que precisava desaparecer.

Enquanto nadava, ela pensou em Elias. Ele havia orquestrado tudo? Ele sabia que ela se jogaria na água? Era um risco calculado, ou apenas um ato de desespero? A verdade sobre o jogo duplo de Elias, sobre suas verdadeiras intenções, permanecia um mistério cruel.

Ela sentiu um puxão em seu braço. Não era um dos homens do Delegado. Era uma mão forte e familiar. Elias. Ele a havia resgatado.

“Eu sabia que você faria isso”, sussurrou ele, puxando-a para um pequeno bote escondido entre as rochas, um bote que só ele conhecia. “Eu sabia que você seria corajosa o suficiente para fugir. Mas eu não podia estar aqui para te pegar. Teria sido muito óbvio.”

Clara o olhou, os olhos marejados, a confusão e o alívio lutando em seu peito. “Elias… você… você não me traiu?”

“Nunca, Clara”, disse ele, a voz rouca de emoção. “Eu fiz tudo isso para te proteger. Para atrair eles para uma armadilha, para ter uma chance de recuperar o que eles roubaram. E para garantir que você chegasse a um lugar seguro.”

Ele apontou para o bote. “Precisamos ir. Rápido. Eles vão perceber que você sumiu e vão voltar. Mas agora, estamos um passo à frente.”

Clara olhou para os papéis que ainda segurava. Ela havia sobrevivido. E Elias estava com ela. A verdade sobre o amor dele ainda era complexa, sombreada por suas escolhas passadas, mas naquele momento, em meio à escuridão e à incerteza, ela sentiu um lampejo de esperança.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%