A Última Confissão de Clara

Capítulo 17 — A Sombra de Elias e a Fúria de Júlia

por Felipe Nascimento

Capítulo 17 — A Sombra de Elias e a Fúria de Júlia

O raiar do dia trouxe consigo uma luz pálida e fria, que lutava para romper a névoa persistente que pairava sobre a cidade. Clara, encolhida em um banco de praça deserto, sentia a umidade do orvalho infiltrar-se em suas roupas, um lembrete constante da noite de desespero que acabara de viver. Cada raio de sol era um aguilhão de culpa, lembrando-a da verdade que confessara, das mentiras que desvendara e da confiança que Elias havia desmantelado.

O rosto de Elias, com seus olhos penetrantes e aquele sorriso que prometia cumplicidade, mas entregava manipulação, era uma imagem que a assombrava. Ele sabia. Ele tinha as peças do quebra-cabeça macabro, e Clara não tinha dúvidas de que ele as usaria para seus próprios interesses. A sensação de impotência era um nó apertado em sua garganta. Ela havia buscado um fim para seu tormento, mas parecia ter apenas criado novas armadilhas.

Enquanto o sol ganhava força, banhando as ruas em uma luz mais clara, a preocupação de Clara se deslocou para a inevitável confrontação que a esperava. Júlia. A irmã de Clara, a rocha inabalável em sua vida, era a única pessoa com quem ela esperava poder contar. Mas o peso da verdade que Elias agora possuía lançava uma sombra assustadora sobre essa esperança.

O celular vibrou em seu bolso, fazendo-a saltar de susto. Era Júlia. Um nó se formou em seu estômago. Como ela explicaria tudo? Como contaria sobre a confissão, sobre a traição velada de Elias? A coragem parecia esvair-se de seu corpo, deixando-a frágil e hesitante.

"Clara? Onde você está? Eu te liguei a noite toda!" A voz de Júlia, geralmente calma e firme, transbordava de preocupação.

Clara tentou formular uma resposta coerente, mas as palavras não vinham. "Eu... eu tive um problema, Júlia. Preciso te encontrar."

"Um problema? Que problema, Clara? Você parece... diferente. O que aconteceu? Elias disse que vocês tiveram um desentendimento no armazém." A menção de Elias fez o coração de Clara disparar. Ele já havia começado a tecer sua narrativa?

"Não foi um desentendimento, Júlia. Foi... foi uma confissão." A palavra saiu em um sussurro, carregada de toda a dor e arrependimento que Clara sentia.

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha, um silêncio carregado de apreensão. "Confissão? Clara, do que você está falando? Você está me assustando."

"Eu preciso te contar tudo, Júlia. Mas não por telefone. Pode vir me encontrar? Na praça perto da antiga fábrica?"

Outra pausa. Clara podia sentir a hesitação de Júlia, a mistura de preocupação e desconfiança. "Estou indo. Mas você vai me explicar tudo, Clara. Sem mais segredos."

O coração de Clara afundou. A última coisa que ela queria era mais mágoa nos olhos de sua irmã. Mas ela sabia que a verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho.

Enquanto esperava, Clara observava as poucas pessoas que começavam a circular pela praça. Cães passeando com seus donos, trabalhadores apressados a caminho de seus empregos, a vida seguindo seu curso normal, alheia ao turbilhão que a envolvia. Ela se sentia como uma estranha em seu próprio mundo.

Pouco depois, o carro de Júlia surgiu na esquina. O rosto dela, quando desceu do veículo, era uma mistura de alívio e apreensão. Clara levantou-se, sentindo o peso de todos os olhares, reais ou imaginários.

"Clara!" Júlia correu até ela, seus olhos percorrendo o corpo da irmã, buscando sinais de agressão ou ferimentos. "Você está bem? O que aconteceu com você? E o Elias..."

Clara a interrompeu suavemente. "Vamos sentar um pouco, Júlia. Preciso te contar tudo. E... é sobre Elias também."

Elas se sentaram no banco frio, o ar carregado de uma tensão palpável. Clara respirou fundo, reunindo a coragem que lhe restava. Começou a falar, sua voz trêmula no início, mas ganhando força à medida que liberava o fardo que a consumia. Contou sobre a noite no armazém, sobre a confissão de seu envolvimento no acidente que tirara a vida de Maria, a mãe de Elias. Descreveu a astúcia do delegado, a manipulação de Elias, a sensação de ter sido usada.

Enquanto Clara falava, o rosto de Júlia mudava. A preocupação inicial deu lugar à incredulidade, depois à raiva. Seus punhos se cerraram, e seus olhos, antes cheios de ternura, agora brilhavam com uma fúria contida.

"Não... não pode ser", murmurou Júlia, a voz embargada. "Elias? Ele sabia? E ele te usou? Ele te entregou?"

Clara assentiu, as lágrimas voltando a molhar seu rosto. "Ele me disse que queria a verdade. Mas eu acho que ele só queria algo para me incriminar, para se vingar."

A fúria nos olhos de Júlia explodiu. Ela levantou-se abruptamente, o corpo tremendo de indignação. "Não, Clara. Isso eu não vou permitir. Elias vai pagar por isso. Ele vai pagar por brincar com você, por brincar com a verdade!"

"Júlia, por favor", implorou Clara, segurando o braço da irmã. "Não faça nada precipitado. Ele é perigoso."

"Perigoso?", Júlia riu, uma risada amarga e cheia de desprezo. "O perigo agora é para ele. Você me contou a verdade, Clara. E eu não vou deixar que ninguém, nem mesmo o Elias, destrua sua vida. Eu vou atrás dele. Eu vou descobrir o que ele realmente planeja."

Clara olhou para a irmã, para a determinação feroz em seus olhos, e um novo tipo de medo a invadiu. O medo não mais de sua própria queda, mas do potencial de Júlia em se machucar em sua busca por justiça. A sombra de Elias pairava sobre elas, e a fúria de Júlia, por mais justificável que fosse, poderia ser um caminho ainda mais perigoso do que a própria confissão de Clara.

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