A Última Confissão de Clara

Capítulo 18 — A Revelação de Daniel e o Plano de Fuga

por Felipe Nascimento

Capítulo 18 — A Revelação de Daniel e o Plano de Fuga

O sol já estava alto no céu, mas a praça parecia ainda imersa em uma penumbra de angústia. Clara observava Júlia, a irmã que sempre fora seu porto seguro, agora consumida por uma fúria que Clara nunca vira antes. A determinação em seus olhos era um espelho perturbador da própria desgraça de Clara. Sabia que Júlia, com seu espírito indomável, não hesitaria em confrontar Elias.

"Júlia, por favor, pense bem", Clara implorou, sua voz embargada. "Elias é imprevisível. Ele não é alguém com quem se deva brincar."

Júlia balançou a cabeça, seus olhos fixos em um ponto distante, como se já estivesse traçando seu curso de ação. "Previsível? A única coisa previsível nele é sua sede de vingança. Mas ele não vai se sair impune, Clara. Não desta vez."

"Eu sei que você quer me proteger", Clara continuou, buscando um tom mais conciliador. "E eu sou eternamente grata por isso. Mas a minha confissão... foi a primeira vez que falei a verdade sobre tudo. Talvez seja um começo. Talvez o delegado... ele tenha que me prender, e aí tudo se resolve."

"Prender você?", Júlia soltou uma risada curta e amarga. "E o Elias? O que ele ganha com isso? Ele é esperto, Clara. Ele não vai te entregar sem ter certeza de que você vai para o fundo do poço e ele, de alguma maneira, sairá ileso, ou até mesmo beneficiado."

O celular de Júlia tocou, tirando as duas mulheres de seu impasse sombrio. Era Daniel. O amigo leal, o confidente de Clara, o homem que, em meio a todo o caos, representava um fio de esperança e sanidade.

"Alô?", Júlia atendeu, sua voz ainda tensa.

Clara observava o rosto de Júlia enquanto ela ouvia. A incredulidade inicial deu lugar a um choque profundo, e depois a uma preocupação crescente. Parecia que Daniel também tinha algo perturbador para revelar.

"O quê? Você tem certeza, Daniel?", Júlia perguntou, sua voz baixando para um murmúrio. "Como você sabe disso?"

Enquanto Júlia conversava, Clara sentiu um aperto no peito. Elias estava se movendo mais rápido do que ela imaginava. Ela tinha certeza de que ele já estaria em contato com o delegado, manipulando a informação que ela lhe dera.

Júlia desligou o telefone, o rosto pálido. "Clara, Daniel acabou de me ligar. Ele... ele foi ao escritório do delegado hoje cedo. Ele ouviu a conversa do delegado com Elias. Elias estava pressionando o delegado para acelerar o processo contra você. Ele disse que tem provas irrefutáveis, que sua confissão é apenas a ponta do iceberg."

O estômago de Clara se revirou. A confirmação de seus piores medos. Elias não estava jogando limpo. Ele estava arquitetando sua ruína com precisão cirúrgica.

"Mas tem mais", Júlia continuou, sua voz agora carregada de uma urgência renovada. "Daniel também ouviu o delegado mencionar um acordo. Elias prometeu entregar informações sobre outros esquemas de lavagem de dinheiro que ele tem conhecimento, em troca de uma pena reduzida para você. E o delegado, ao que parece, está mordendo a isca."

Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. Um acordo? Para reduzir sua pena? Mas isso não fazia sentido. Elias queria vingança, não justiça. O que ele estava escondendo? Que outras informações ele possuía?

"Isso não é um acordo, Júlia", Clara disse, a voz fraca. "Isso é uma armadilha. Elias não quer que eu tenha uma pena reduzida. Ele quer me ver destruída. Ele tem algo maior em jogo."

Daniel, que chegara discretamente e ouvira a conversa, interveio. "O que Elias quer é controle. Ele se livrou de Maria, tirou a vida dela indiretamente, e agora quer se livrar de você também. Mas ele precisa de um bode expiatório. Ele quer parecer o homem que trouxe a justiça à tona, mesmo que isso signifique te sacrificar."

As palavras de Daniel ecoaram na mente de Clara. Era verdade. Elias era um mestre da manipulação. Ele não estava buscando justiça, estava buscando poder e impunidade.

"Então o que nós fazemos?", Júlia perguntou, olhando para Clara com a esperança de uma resposta.

Clara sentiu uma onda de clareza percorrer seu corpo, uma determinação fria que contrastava com o desespero da noite anterior. Ela não podia mais ser uma vítima. Ela tinha que lutar.

"Nós não podemos confiar em ninguém", Clara disse, sua voz ganhando firmeza. "Nem no delegado, nem no Elias. Se Elias está tentando um acordo, é porque ele tem medo. Medo de que eu revele a verdade sobre o papel dele na morte de Maria. E medo de que eu o denuncie por outras coisas."

"Mas se ele tem provas...", começou Júlia.

"Ele não tem provas definitivas contra mim", Clara a interrompeu. "Ele tem a minha confissão, sim. Mas eu confessei um acidente, Júlia. Um acidente que, sim, eu fui negligente em não relatar, mas não um assassinato premeditado."

Daniel assentiu. "Clara tem razão. Elias quer pintar você como a única culpada. Mas se conseguirmos provar que ele estava envolvido na morte de Maria, ou que ele sabia e não fez nada para impedir, o jogo muda completamente."

Uma ideia perigosa começou a se formar na mente de Clara. Uma ideia que exigiria coragem, astúcia e a ajuda de seus amigos mais leais.

"Eu preciso fugir", Clara declarou, olhando para Júlia e Daniel. "Se Elias está tentando me prender antes que eu possa falar, eu preciso desaparecer. Pelo menos por um tempo. Preciso encontrar uma maneira de provar o envolvimento de Elias. Daniel, você disse que ele está lavando dinheiro, certo? Talvez haja registros, transações que possamos usar contra ele."

Daniel concordou com a cabeça. "É arriscado. Ele é um homem poderoso. Mas eu posso tentar vasculhar alguns contatos meus. Pode levar tempo, mas se houver alguma brecha, eu a encontrarei."

"E eu", Júlia disse, sua voz firme como aço, "vou ficar de olho no Elias. Vou descobrir o que ele está planejando, quem ele está contatando. Se ele acha que pode me enganar, ele está muito enganado."

Clara sentiu um fio de esperança se reacender em seu peito. Ela não estava mais sozinha. Tinha Júlia, tinha Daniel. Juntos, eles poderiam enfrentar a escuridão que Elias havia criado.

"Então é isso", Clara disse, levantando-se. "Preciso ir para um lugar seguro. Um lugar onde Elias não me encontre. Daniel, você pode me ajudar com isso? Júlia, tome cuidado. E me mantenha informada de qualquer coisa que você descobrir."

O plano era audacioso, perigoso e provavelmente louco. Mas, pela primeira vez desde que a verdade sobre Maria viera à tona, Clara sentia que tinha um vislumbre de controle sobre seu próprio destino. A fuga era a única opção. E ela estava determinada a fazer valer a pena cada risco.

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