Cap. 14 / 25

O Beijo do Diabo

Capítulo 14 — A Queda do Imperador e o Preço da Paz

por Felipe Nascimento

Capítulo 14 — A Queda do Imperador e o Preço da Paz

O ar dentro do casarão abandonado parecia rarefeito, carregado com a tensão do confronto iminente. O canto da sereia que atraíra Mariana para o centro da armadilha se misturava ao som de seus próprios batimentos cardíacos, frenéticos e desesperados. Osvaldo, algemado à cadeira, emanava uma aura de desafio, enquanto o Doutor Almeida, com um sorriso cínico nos lábios, parecia saborear o caos que se instalara.

“Que cena patética”, Almeida zombou, observando Rodrigo e seus homens cercarem Osvaldo. “Um detetive de quinta categoria com seus capangas, achando que pode desmantelar o império de Osvaldo. Que inocência.”

Rodrigo, mantendo a calma sob pressão, respondeu: “O império dele vai cair, Almeida. E você vai junto.”

“Iludido”, Almeida cuspiu as palavras. Ele olhou para Mariana, que permanecia firme, a determinação em seus olhos ofuscando o medo. “Você, garota, é a prova de como Osvaldo é implacável. E você, Lucas, é uma aberração que não deveria ter retornado para atrapalhar os planos.”

Lucas, ao lado de Mariana, sentiu uma onda de raiva subir. Ele sabia que a frieza de Osvaldo e a crueldade de Almeida eram frutos de anos de manipulação e poder corrompido. Mas ele também sabia que o amor que sentia por Mariana era a sua força.

“O império dele é construído sobre mentiras e dor, Almeida”, Lucas disse, a voz firme. “E as mentiras têm um fim. A dor também.”

Nesse instante, Osvaldo, com um esforço surpreendente, conseguiu soltar um dos pulsos da algema. Seus olhos brilhavam com uma malícia renovada. “Vocês acham que acabou? Que me pegaram? Eu sempre tenho um plano B. E vocês… vocês são apenas peças descartáveis.”

Com um movimento rápido, ele agarrou um vaso de cerâmica que estava próximo e o arremessou contra a cabeça de um dos homens de Rodrigo, derrubando-o no chão. O caos se instalou. Os outros homens de Rodrigo tentaram contê-lo, mas a surpresa e a violência do ataque de Osvaldo criaram uma brecha.

Almeida aproveitou a confusão. Ele puxou uma pequena seringa do bolso, a agulha brilhando sob a pouca luz. Seu alvo: Lucas.

“Desculpe, garoto”, Almeida disse, o sorriso sumindo de seu rosto. “Mas você se tornou um incômodo.”

Antes que Mariana pudesse reagir, Lucas a empurrou para longe, protegendo-a do ataque de Almeida. A agulha penetrou em seu braço, e Lucas sentiu uma tontura imediata.

“Lucas!”, Mariana gritou, o pânico tomando conta de si.

Rodrigo, percebendo o perigo, avançou sobre Almeida. Uma luta corpo a corpo se iniciou, violenta e desesperada. Os homens de Rodrigo, recuperados do ataque de Osvaldo, tentavam contê-lo, mas a ferocidade do homem que os subestimara era surpreendente.

Mariana correu até Lucas, que cambaleava, a visão turva. “Lucas, o que ele fez?”

“Veneno… acho”, Lucas ofegou, o corpo fraco. “Preciso… preciso de ajuda.”

Enquanto isso, Rodrigo conseguiu dominar Almeida, desarmando-o e prendendo-o. Mas Osvaldo, com uma força desesperada, conseguiu se libertar completamente das algemas. Ele se lançou contra Rodrigo, em uma luta final e brutal.

A cena era caótica. Gritos, golpes, o som de metal batendo em carne. Mariana, com o coração partido, via Lucas desfalecer em seus braços, enquanto Rodrigo lutava bravamente contra Osvaldo. A paz que ela tanto almejava parecia mais distante do que nunca.

De repente, um grito agudo ecoou pelo casarão. Era um dos homens de Rodrigo, que havia sido deixado para vigiar a entrada. “Polícia! Eles chegaram!”

A notícia trouxe um alívio momentâneo, mas a luta entre Rodrigo e Osvaldo continuava. A força de Osvaldo parecia inesgotável, alimentada pela fúria e pelo desespero. Mas Rodrigo, com a experiência de anos de combate, sabia como usar a força do adversário contra ele.

Em um movimento calculado, Rodrigo atraiu Osvaldo para perto de uma das janelas quebradas. Com um golpe certeiro, ele desequilibrou Osvaldo, que caiu para fora, em direção ao precipício que se abria na mata densa. O grito de Osvaldo se perdeu no vento, e o silêncio que se seguiu foi pesado, definitivo.

A queda do imperador.

Mariana, atordoada, sentiu Lucas desmaiar completamente em seus braços. A adrenalina que a impulsionara até então começou a se esvair, deixando-a exausta e aterrorizada. Os policiais chegaram, e logo o casarão se encheu de atividade. Almeida e os homens de Osvaldo foram levados sob custódia.

Rodrigo, ferido, mas vivo, aproximou-se de Mariana. Ele olhou para o precipício onde Osvaldo desaparecera, um misto de alívio e tristeza em seus olhos. “Acabou, Mariana. Ele se foi.”

Mariana não respondeu. Ela apenas apertou Lucas em seus braços, o corpo dele mole e sem vida. O preço da paz era alto demais. A liberdade que ela tanto buscara vinha acompanhada de uma dor insuportável.

Nas semanas que se seguiram, a vida de Mariana se resumiu a um ciclo de esperança e desespero. Lucas estava em coma, a luta pela sua vida ainda não havia terminado. Os médicos eram evasivos, as notícias, inconclusivas. Mariana passava horas ao seu lado no hospital, sussurrando palavras de amor e encorajamento, implorando para que ele voltasse para ela.

Rodrigo, recuperado de seus ferimentos, a apoiou incondicionalmente. Ele a ajudou a lidar com a burocracia, com a mídia que tentava incessantemente desenterrar os detalhes chocantes do caso Osvaldo Soares. A história do império corrupto, da morte forjada, do sequestro e da emboscada fatal, chocou o país.

A verdade, enfim, havia vindo à tona, mas o custo era devastador. O amor que fora a força motriz para desvendar o crime, agora a mantinha presa em uma angústia torturante. Ela se perguntava se o beijo do diabo havia realmente chegado ao fim, ou se era apenas o prenúncio de uma escuridão ainda maior, uma escuridão que a consumia enquanto ela esperava, em agonia, pelo despertar de Lucas. A paz, quando chegasse, seria amarga, manchada pela perda e pela incerteza.

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