Cap. 4 / 25

O Beijo do Diabo

Capítulo 4 — O Sussurro das Máscaras e o Preço da Verdade

por Felipe Nascimento

Capítulo 4 — O Sussurro das Máscaras e o Preço da Verdade

O funeral de Isabella foi um evento sombrio, marcado por uma chuva fina e persistente que parecia lavar a cidade de sua hipocrisia. A elite compareceu em peso, rostos pálidos e vestes escuras escondendo a verdadeira natureza de suas emoções. Ricardo, com os olhos vermelhos e a voz embargada, parecia genuinamente abalado, um espetáculo de vulnerabilidade que Helena achava difícil de acreditar. Daniel, ao seu lado, exibia a compostura de um futuro líder, um ombro forte para o pai. Sofia, mais distante, observava tudo com um ar de desdém.

Helena, sentada na primeira fila, sentia-se um fantasma em sua própria vida. O luto da família Montenegro era uma farsa, uma cortina de fumaça para esconder as verdadeiras intenções. Ela apertava o medalhão de Aurora Montenegro em seu bolso, a frieza do metal um lembrete constante do segredo que ela estava desvendando.

O Detetive Silva observava Helena do outro lado do cemitério. Ele a via como uma peça chave no quebra-cabeça, uma mulher que sabia mais do que demonstrava. Havia algo em sua impassividade, em seu silêncio calculado, que o intrigava e o desconfiava. Ela era a viúva que não chorava, a esposa que parecia alheia à tragédia.

Após o funeral, a família se reuniu na mansão para o que Ricardo chamou de “um momento de união familiar”. Era a reunião habitual após um evento importante, onde os assuntos de negócios e as ambições eram discutidos sob o véu do luto.

“Precisamos discutir o futuro dos negócios”, Daniel disse, sua voz firme, assumindo o controle da conversa. “Com Isabella fora do quadro, as coisas ficam mais complicadas. Mas eu estou preparado para assumir a liderança.”

Ricardo suspirou, um som arrastado de exaustão. “Daniel, meu filho… o controle dos negócios… não é algo que se possa simplesmente assumir. Há muito em jogo.”

“Pai, a sua saúde não é mais a mesma”, Daniel insistiu, um toque de impaciência em sua voz. “E a morte de Isabella… isso adiciona uma camada de complicação que não podemos ignorar. Precisamos de alguém forte no comando.”

Helena observava a interação, um sorriso irônico brincando em seus lábios. A ganância de Daniel era tão palpável quanto o cheiro de mofo nos tapetes antigos. Ela sabia que ele não estava preocupado com a saúde de Ricardo, mas sim com o seu próprio enriquecimento.

“A força, Daniel”, Helena interveio, sua voz soando clara e calma, “nem sempre se encontra na liderança aparente. Às vezes, ela reside naqueles que foram subestimados, naqueles que observam das sombras.”

Daniel a encarou, seus olhos escuros faiscando. “E você, Helena, se considera uma dessas pessoas? A sombra que observa?”

“Eu sou aquela que desenterra as verdades”, Helena respondeu, seus olhos fixos nos dele. “E a verdade sobre Isabella… ela é mais complexa do que parece. E a sua conexão com o passado da família Montenegro… é ainda mais sombria.”

O silêncio caiu sobre a sala. Ricardo olhou para Helena, confuso. Daniel manteve um olhar fixo, uma mistura de raiva e apreensão. Sofia, pela primeira vez, parecia genuinamente intrigada.

Helena, sentindo o momento oportuno, continuou. “O medalhão que eu encontrei no escritório de Ricardo… pertence a Aurora Montenegro. Mas por que Isabella estava interessada nele? Por que Ricardo o guardava em segredo? E por que a morte de Isabella parece estar tão ligada a esse objeto?”

Ricardo empalideceu. “Helena… você não deveria se meter nisso. São assuntos antigos, que não lhe dizem respeito.”

“Não me dizem respeito?”, Helena riu, um som seco e sem alegria. “Eu sou a esposa deste homem, Ricardo. E tudo que o afeta, me afeta. E a sua amante foi assassinada em nossa casa. Isso me diz respeito.”

Daniel interveio, tentando acalmar a situação. “Talvez possamos discutir isso mais tarde, Helena. Em particular. Não acho que este seja o momento.”

“O momento”, Helena declarou, levantando-se, “é sempre o momento certo para desvendar a verdade. E eu estou prestes a desvendá-la. E quando eu o fizer, a verdade sobre Isabella, sobre o passado de Aurora, e sobre seus próprios segredos, Daniel, será exposta.”

Enquanto Helena falava, a porta se abriu e o Detetive Silva entrou, sua presença imponente em meio à tensão familiar. “Com licença, Sr. Montenegro. Preciso fazer algumas perguntas adicionais. Sobre um pequeno objeto que encontramos na cena do crime. Um medalhão.”

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que a verdade estava prestes a vir à tona, mas temia as consequências. A verdade, ela percebeu, tinha um preço. E o preço a pagar por desvendar os segredos da família Montenegro poderia ser mais alto do que ela imaginava.

O Detetive Silva olhou para Helena, depois para Ricardo, e finalmente para Daniel. “O medalhão de Aurora Montenegro. Onde ele está?”

Ricardo, pálido e trêmulo, apontou para Helena. “Ela… ela o encontrou.”

Daniel lançou um olhar de ódio para Helena. Ela havia antecipado suas jogadas, desvendado seus segredos.

Helena estendeu a mão para o bolso, pronta para entregar o medalhão. Mas antes que ela pudesse fazê-lo, um vulto escuro irrompeu do corredor. Era um homem mascarado, com uma faca brilhante em punho. Ele avançou em direção a Helena, seu objetivo claro: silenciá-la para sempre.

Um grito ecoou pela mansão. A dança das sombras havia se transformado em um pesadelo real. O preço da verdade estava sendo cobrado em sangue.

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