Cap. 6 / 25

O Beijo do Diabo

Com certeza! Aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Beijo do Diabo", seguindo suas especificações:

por Felipe Nascimento

Com certeza! Aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Beijo do Diabo", seguindo suas especificações:

O Beijo do Diabo Autor: Felipe Nascimento

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Capítulo 6 — O Eco do Sussurro na Escuridão

A noite em Vila Velha parecia ter se apropriado da alma de Helena. Não era apenas a falta de luz, mas uma escuridão que se infiltrava pelos poros, um frio que não vinha do vento atlântico, mas do abismo que se abria em seu peito. Desde o desaparecimento de seu irmão, Miguel, e a descoberta da verdade sombria que envolvia a herança dos Vasconcelos, a vida da jovem se tornara um campo minado de desconfianças e perigos iminentes.

Ela estava sentada na biblioteca da mansão, um cômodo que antes representava segurança e conhecimento, mas que agora transpirava um ar fúnebre. A luz fraca de um abajur antigo dançava sobre as prateleiras empoeiradas, projetando sombras que ganhavam vida própria em sua mente atormentada. Em suas mãos, um pequeno diário de capa de couro desgastado, a caligrafia elegante e familiar de sua mãe, Dona Aurora, era um fantasma que a assombrava com segredos não revelados.

"Mãe...", Helena sussurrou para o vazio, a voz embargada. "O que você sabia? Que segredos você carregava em seu coração para nos deixar com tamanha dor?"

As páginas do diário contavam uma história diferente daquela que lhe fora apresentada. Não apenas as alegrias e as tristezas de uma vida dedicada à família, mas vislumbres de uma vida paralela, repleta de encontros clandestinos e medos velados. Dona Aurora falava de um homem, um amor proibido, e de um segredo que poderia destruir tudo o que ela construíra. Um segredo que parecia estar intrinsecamente ligado à riqueza e ao destino da família Vasconcelos.

De repente, um barulho sutil a fez sobressaltar. Um arrastar de pés no corredor lá fora. Helena congelou, o coração disparado contra as costelas. Ela não estava sozinha na mansão. Quem mais estaria ali, naquela hora tardia, movendo-se nas sombras como um espectro?

Ela fechou o diário com um clique suave e o escondeu sob uma almofada no sofá. Apagou a luz do abajur, mergulhando o cômodo em uma escuridão ainda mais profunda. A cada batida de seu coração, o silêncio parecia gritar. Era o medo, um animal selvagem que agora habitava cada canto de sua existência.

A porta da biblioteca rangeu, abrindo-se lentamente. Uma figura esguia surgiu na fresta, contornada pela pouca luz que vinha do corredor. Helena prendeu a respiração, tentando decifrar a silhueta.

"Quem está aí?", ela finalmente conseguiu articular, a voz tremendo.

A figura hesitou por um momento, e então avançou. Era Dr. Armando, o médico da família, um homem que sempre lhe pareceu um pilar de serenidade, mas que agora, na penumbra, parecia um invasor sinistro.

"Helena? O que faz acordada a essa hora?", perguntou ele, a voz rouca, mas tentando soar natural. Seus olhos, porém, varriam o cômodo com uma intensidade que a deixou desconfortável.

"Eu não conseguia dormir", respondeu Helena, forçando um sorriso fraco. "Estava revisando alguns documentos antigos."

Dr. Armando se aproximou, seus passos ecoando na madeira polida. Ele parou a uma distância respeitosa, mas sua presença parecia sufocá-la. "Documentos antigos? Nesta hora? Tudo bem com você, minha cara?"

Havia algo em seu olhar, uma preocupação que parecia mais disfarce do que sentimento genuíno. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que Dr. Armando tinha um conhecimento íntimo da família Vasconcelos, um conhecimento que ia além do que um médico normalmente teria. Ele era um confidente de seu pai, o falecido Sr. Ricardo, e, aparentemente, também um amigo próximo de Dona Aurora.

"Estou bem, doutor. Apenas... pensando no passado. Nas coisas que minha mãe deixou."

Dr. Armando fez um gesto vago com a mão. "A Sra. Aurora era uma mulher complexa. Tantos segredos guardava em seu peito." Ele se aproximou um pouco mais, seus olhos fixos nos dela. "Você tem procurado por respostas, não é? Sobre Miguel, sobre tudo isso."

Helena assentiu lentamente, sentindo a teia de mentiras se apertar ao seu redor. Ela não sabia se podia confiar em Dr. Armando. Aquele homem que oferecia palavras de consolo parecia carregar um peso oculto, um conhecimento que ele não compartilhava.

"Eu só quero entender o que aconteceu, doutor. E encontrar meu irmão."

"Entendo. E você encontrará. Mas tenha cuidado, Helena. A verdade, às vezes, é um fardo pesado demais para carregar. E há pessoas que não querem que você a descubra." Ele fez uma pausa, seus olhos percorrendo novamente a sala, como se procurasse algo. "Estas paredes guardam muitos ecos. Sussurros que podem enlouquecer uma pessoa."

Helena sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele estava falando sobre o que ela sentia? Sobre a atmosfera opressiva da mansão? Ou era um aviso velado?

"Que tipo de pessoas, doutor?", perguntou ela, tentando manter a voz firme.

Dr. Armando deu um sorriso sutil, que não alcançou seus olhos. "Pessoas que se beneficiam do silêncio. Pessoas que temem que a verdade exponha seus próprios pecados." Ele deu um passo para trás, em direção à porta. "Descanse, Helena. O amanhã trará novas luzes, mas também novas sombras."

Com essas palavras enigmáticas, Dr. Armando se retirou, fechando a porta com um clique suave. Helena permaneceu imóvel na escuridão, o coração ainda acelerado. A conversa com o médico a deixou mais perturbada do que antes. Ele sabia de algo. Ele estava a alertando. Mas sobre o quê? E quem eram essas pessoas que ele mencionara?

Ela se levantou e caminhou até a janela, afastando as pesadas cortinas. A luz da lua banhava o jardim em um brilho prateado, transformando as árvores em silhuetas fantasmagóricas. A brisa do mar, antes um consolo, agora parecia um lamento distante.

O diário de sua mãe jazia esquecido sob a almofada. Helena sabia que precisava lê-lo, desvendar cada palavra, cada anotação, por mais doloroso que fosse. Os segredos de Dona Aurora eram a única pista que ela tinha para encontrar Miguel e para entender a teia sinistra que envolvia a todos.

Mas o aviso de Dr. Armando ecoava em sua mente: "Há pessoas que não querem que você a descubra."

Quem eram elas? E como ela poderia encontrar Miguel se sua própria casa se tornara um ninho de intrigas e perigos? A noite em Vila Velha ainda era longa, e as sombras da mansão Vasconcelos pareciam apenas começar a revelar seus verdadeiros rostos. Helena sentiu um calafrio, não mais de medo, mas de uma determinação fria que começava a nascer em meio à escuridão. Ela não seria silenciada. Ela não seria detida. O beijo do diabo, que parecia ter marcado sua família por gerações, agora a chamava para uma luta que ela não podia mais evitar.

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