Segredos da Rua Augusta

Capítulo 14 — O Labirinto do Tempo e a Ameaça Velada

por Bruno Martins

Capítulo 14 — O Labirinto do Tempo e a Ameaça Velada

O antigo Museu de Arte Popular, em ruínas e esquecido pela cidade vibrante de São Paulo, era um lugar onde o tempo parecia ter parado. As paredes descascadas contavam histórias de glória passada, os pisos de madeira rangiam sob os pés de Ísis e Arthur, e o cheiro de mofo e poeira pairava no ar como um fantasma. A luz fraca que entrava pelas janelas quebradas criava sombras dançantes, transformando cada corredor em um labirinto de incertezas.

"É aqui?", Ísis sussurrou, olhando ao redor com um misto de fascínio e apreensão.

Arthur assentiu, segurando o livro antigo em suas mãos. "Sim. Meu pai escreveu sobre este lugar. Sobre como ele era um guardião dos fragmentos. Escondidos em obras de arte, em objetos antigos. Lugares que pareciam insignificantes para os olhos de quem não sabia procurar."

Eles se moveram com cautela pelos corredores escuros, Ísis sentindo a energia do lugar, a ressonância das histórias que ali repousavam. Cada objeto, cada pintura desbotada, parecia sussurrar segredos. Ela sentia a presença do fragmento que procuravam, uma energia sutil que a guiava, como um fio invisível.

"O livro diz que o primeiro fragmento está escondido em uma obra que representa a união entre a terra e o céu", Arthur murmurou, percorrendo as páginas com os dedos. "Algo que une o terreno ao divino."

Eles caminharam por salas repletas de arte popular, de esculturas rústicas, de tecelagens vibrantes. Ísis sentia a conexão com a arte, com a expressão genuína do povo, e uma saudade da sua própria liberdade criativa apertou seu coração. Ela tocou delicadamente em uma cerâmica antiga, imaginando as mãos que a moldaram, as histórias que ela carregava.

De repente, em uma sala pouco iluminada, ela parou. Em um pedestal central, repousava uma escultura de madeira intrincada. Representava um pássaro com asas abertas, prestes a alçar voo, com raízes profundas que se entrelaçavam na base da escultura, conectando-o à terra.

"É isso!", Ísis exclamou, apontando para a obra. "A terra e o céu. As raízes e as asas."

Arthur se aproximou, seus olhos brilhando de reconhecimento. "Sim, é isso. Meu pai descreveu essa peça. Disse que era um portal para as memórias."

Com cuidado, Ísis examinou a escultura. Sentiu a energia vibrar em suas mãos. Havia algo escondido ali, algo que apenas a sua sensibilidade artística poderia desvendar. Ela tocou em cada detalhe, sentindo a textura da madeira, as entranhas da escultura. E então, em uma das raízes, sentiu uma pequena irregularidade, uma emenda sutil.

Arthur pegou uma das ferramentas antigas da caixa. Com precisão, ele trabalhou na emenda, abrindo um pequeno compartimento secreto na base da escultura. Dentro, enrolado em um pedaço de seda desbotada, estava um pequeno pergaminho.

Ísis o pegou com as mãos trêmulas e o desenrolou. Não era uma pintura, mas sim um conjunto de símbolos complexos, semelhantes aos que ela vira no livro de Arthur. No centro, um desenho estilizado que lembrava um olho, cercado por um padrão labiríntico.

"O que é isso?", ela perguntou.

"É um fragmento de memória", Arthur respondeu, sua voz cheia de admiração. "Uma visão. Uma lembrança que foi coletada e escondida para protegê-la. Este olho… é o símbolo do Colecionador. Ele está marcando o que é seu."

Enquanto Ísis absorvia a informação, um ruído estranho ecoou do lado de fora do museu. Um barulho metálico, seguido pelo som de passos apressados. O instinto de Ísis gritou perigo.

"Alguém está aqui", ela sussurrou, pegando a escultura com o fragmento escondido.

Arthur olhou para a porta, seu rosto tenso. "Thorne. Ele nos seguiu. Ou talvez… talvez ele saiba sobre este lugar."

Eles se apressaram para a saída, mas era tarde demais. Na entrada principal, iluminados pela pouca luz do dia, estavam Thorne e dois de seus capangas. Thorne sorria, um sorriso cruel que revelava seus dentes brancos em contraste com sua pele pálida.

"Onde você pensa que vai, Ísis?", Thorne perguntou, sua voz fria e arrogante. "Você achou que poderia fugir de mim? Que poderia roubar o que é meu?"

Ísis apertou o fragmento em suas mãos, o coração disparado. Ela não estava mais com medo. A coragem ancestral que Arthur mencionara agora a preenchia.

"Isso não é seu, Thorne", ela disse, sua voz firme. "Isso pertence ao passado. E eu vou protegê-lo."

Thorne riu, um som desagradável. "Proteger? Você é apenas uma criança brincando de ser forte. Você não entende com quem está lidando. O Colecionador quer isso. E ele o terá. E você… você será punida por sua insolência."

Um dos capangas avançou, mas Arthur se colocou na frente de Ísis. "Deixe-a em paz, Thorne. Você não vai conseguir o que quer."

"Você!", Thorne rosnou, seu olhar fixo em Arthur. "O rato que voltou ao esgoto. Pensei que estivesse escondido. Mas parece que você tem uma nova protegida. Patético."

A tensão no ar era palpável. Ísis sabia que não poderiam lutar contra Thorne e seus homens. Precisavam fugir, mas como?

De repente, Ísis teve uma ideia. Ela olhou para o fragmento em suas mãos, para os símbolos que representavam o olho do Colecionador. A arte era sua arma, sua forma de comunicação.

"Você quer o que é meu?", ela gritou para Thorne, erguendo o fragmento. "Você quer me controlar? Você não entende. A arte não pode ser possuída. As memórias não podem ser roubadas. Elas vivem em nós!"

Enquanto falava, ela concentrou toda a sua energia, toda a sua raiva e determinação, no fragmento. Ela visualizou o olho do Colecionador, não como um símbolo de poder, mas como um ponto fraco, uma vulnerabilidade. Ela imaginou os símbolos se retorcendo, se desfazendo, a energia contida no fragmento se libertando.

O pergaminho começou a brilhar com uma luz fraca e pulsante. Os símbolos pareceram se mover, se contorcer, como se ganhassem vida. Thorne e seus capangas recuaram, confusos e assustados.

"O que você está fazendo?", Thorne gritou, o pânico começando a tomar conta de sua voz.

Ísis não respondeu. Ela sentiu uma onda de energia percorrer seu corpo, uma conexão profunda com as memórias que o fragmento representava. Ela não estava apenas vendo o passado, estava sentindo-o.

De repente, o brilho do pergaminho se intensificou, cegando a todos por um instante. Quando a luz diminuiu, o pergaminho estava intacto, mas algo havia mudado. Os símbolos pareciam mais nítidos, o olho do Colecionador parecia tremer.

Thorne, recuperado do choque, tentou avançar novamente, mas Ísis o encarou, seus olhos brilhando com uma determinação feroz.

"Você não vai nos pegar", ela disse, sua voz ecoando no silêncio do museu abandonado. "Nós temos a verdade. E a verdade é mais forte do que qualquer sombra."

Arthur aproveitou a distração e puxou Ísis para um corredor lateral. Eles correram, deixando Thorne e seus homens para trás, a confusão e o medo espalhados como sementes. Ísis olhou para o fragmento em suas mãos. Ela havia conseguido. Ela havia usado a arte para se defender, para lutar. Mas ela sabia que essa era apenas a primeira batalha. A ameaça do Colecionador era real, e a jornada para desvendar os segredos do passado estava apenas começando.

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