Segredos da Rua Augusta

Capítulo 15 — O Sussurro das Ruas e a Encruzilhada de Thorne

por Bruno Martins

Capítulo 15 — O Sussurro das Ruas e a Encruzilhada de Thorne

A noite em São Paulo, após o confronto no museu abandonado, desceu sobre a cidade como um véu pesado, denso com a umidade e o burburinho incessante. Ísis e Arthur haviam conseguido escapar, a adrenalina ainda pulsando em suas veias, o fragmento de memória guardado com cuidado. Mas o encontro com Thorne deixara marcas. A ameaça não era mais uma sombra distante, mas uma presença palpável, um perigo iminente que os seguia de perto.

De volta à casa segura na periferia, o silêncio parecia mais opressor do que antes. Ísis segurava o fragmento de memória, os símbolos gravados em sua mente. Ela sentia a energia que emanava dele, uma mistura de antigas lembranças e um alerta sombrio.

"Ele nos encontrou rápido demais", Arthur disse, a voz baixa e preocupada. Ele observava a rua escura através da janela, seus olhos atentos a qualquer movimento suspeito. "Thorne deve ter algum tipo de rastreador. Ou talvez… talvez ele tenha informantes por toda parte."

"O que você acha que ele quis dizer com 'o Colecionador o terá'?", Ísis perguntou, virando o fragmento em suas mãos. "Ele parecia… assustado. Como se ele também fosse uma vítima."

Arthur suspirou, esfregando as têmporas. "Thorne é um homem ambicioso, Ísis. Ele busca poder e reconhecimento. Mas ele está subestimando o Colecionador. Ele pensa que está no controle, mas é apenas uma peça no jogo. E quando a peça se torna um fardo, o jogador a descarta. Thorne está em uma encruzilhada. Ele pode continuar servindo ao Colecionador, correndo o risco de ser eliminado, ou pode tentar se libertar. Mas a liberdade… para alguém como ele, é uma sentença de morte."

Enquanto conversavam, um carro escuro e sem placa parou na rua em frente à casa. As luzes apagadas, o motor silenciado. A tensão tomou conta de Ísis e Arthur.

"Thorne?", Ísis sussurrou.

Arthur balançou a cabeça. "Não sei. Mas não gosto disso. Precisamos nos mover."

Eles pegaram o essencial, o livro de Arthur e a pintura de seu avô. O fragmento de memória foi cuidadosamente guardado. Ao saírem pela porta dos fundos, Ísis sentiu um aperto no coração. Aquele lugar, que fora seu refúgio, agora se tornava um ponto de perigo.

Enquanto se esgueiravam pelas vielas escuras, Ísis pensou em Thorne. Ele era um vilão, um homem cruel e manipulador. Mas, no fundo, ela sentiu que ele também era um prisioneiro. Um prisioneiro do Colecionador, assim como ela.

Eles chegaram a um ponto de encontro com um contato de Arthur, um motorista discreto que os levaria para outro esconderijo. O carro, um Opala antigo e reluzente, estava estacionado em uma rua movimentada, mas em um ponto cego.

Quando se aproximaram, Ísis viu Thorne saindo do carro escuro que estava parado em frente à sua antiga casa. Ele parecia sozinho, a expressão indecifrável sob a luz fraca de um poste. Ele olhou na direção deles por um instante, e Ísis sentiu um arrepio. Havia algo em seu olhar que não era apenas ameaça, mas também… hesitação.

"Ele está nos esperando", Arthur murmurou. "Ou ele está nos dando uma chance."

O motorista, um homem calado e de poucas palavras, abriu a porta do Opala para eles. "Subam. Rápido."

Enquanto Ísis e Arthur entravam no carro, Ísis não conseguia tirar os olhos de Thorne. Ele permaneceu parado na rua, um vulto solitário na noite paulistana. Ela sentiu uma onda de compaixão inesperada. Ele era uma vítima, assim como ela. Mas sua natureza o impedia de buscar a mesma salvação.

"O que você acha que ele vai fazer?", Ísis perguntou ao motorista, sua voz tensa.

O motorista deu um sorriso enigmático. "Thorne? Ele está em um labirinto. E a saída… nem sempre é a que ele espera."

O Opala acelerou, deixando para trás a rua onde o perigo os aguardava. Ísis olhou para trás, para a figura de Thorne se perdendo na escuridão. Ela não sabia se ele escolheria o caminho da redenção ou da destruição. Mas ela sabia que sua própria jornada estava longe de terminar.

O fragmento de memória em sua posse era apenas o começo. Havia outros fragmentos, outras memórias, esperando para serem descobertas. E enquanto São Paulo pulsava ao seu redor, cheia de segredos e perigos, Ísis sentia a força da sua arte e a coragem ancestral de seus antepassados a guiando. Ela estava determinada a desvendar a verdade, a proteger o legado de sua família e a confrontar o Colecionador, não importa o preço. A encruzilhada de Thorne era um reflexo da sua própria jornada. E ela estava pronta para seguir em frente, mesmo que o caminho fosse repleto de sombras.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%