Segredos da Rua Augusta

Capítulo 5 — O Santuário e a Verdade Revelada

por Bruno Martins

Capítulo 5 — O Santuário e a Verdade Revelada

O ar na Zona Leste era denso, carregado com o cheiro de abandono e de metal enferrujado. Prédios dilapidados, esqueletos de indústrias que um dia pulsaram com vida, formavam um cenário desolador sob a luz pálida da lua. Marina e Sofia se moviam com cautela pelas ruas desertas, cada passo ecoando no silêncio opressor. A discrição era fundamental. O Círculo, com sua rede de vigilância e seus recursos ilimitados, poderia estar em qualquer lugar.

"Segundo o mapa de Felipe, a entrada principal para o complexo subterrâneo fica sob o antigo galpão da 'Metalúrgica Aurora'", Sofia sussurrou, consultando um tablet disfarçado. "O lugar está completamente desativado há décadas. Perfeito para esconder algo assim."

O galpão era uma estrutura imensa, com janelas quebradas e um teto parcialmente desmoronado, parecendo um gigante adormecido na escuridão. A entrada que Felipe havia mapeado, segundo Elias, era um alçapão disfarçado em um porão esquecido, acessível por uma porta lateral precária.

Com a ajuda de um pequeno dispositivo fornecido por Elias, que emitia um pulso eletromagnético, eles desabilitaram momentaneamente os sensores de movimento que Elias suspeitava que o Círculo pudesse ter instalado na área. O alçapão rangeu sob a força combinada de Marina e Sofia, revelando uma escada metálica que descia para a escuridão.

"Este é o momento, Marina. Felipe implantou o vírus. Devemos ter cerca de uma hora antes que os sistemas se reconfigurem", Elias disse através do comunicador de pulso, sua voz soando distante, mas clara. "Estou monitorando a rede externa. Se algo sair do controle, eu tentarei criar uma distração."

Marina respirou fundo, o cheiro de mofo e umidade subindo pela escada. "Obrigada, Elias. Sofia, pronta?"

Sofia assentiu, um brilho determinado em seus olhos. "Sempre."

Eles desceram para a escuridão. A escada levava a um corredor de concreto frio, iluminado por luzes de emergência fracas que projetavam sombras dançantes. O silêncio era quase total, quebrado apenas pelo gotejar constante de água e pelo som de seus próprios passos cautelosos. O Santuário.

O complexo era maior do que imaginavam, um labirinto de corredores e salas. Elias havia fornecido um mapa digital baseado nas informações de Felipe, mas a navegação era desafiadora. A arquitetura era funcional e brutalista, projetada para a eficiência e o sigilo.

"Precisamos encontrar os arquivos principais. É lá que Felipe provavelmente estaria se ele foi capturado", disse Marina, o medo lutando contra a urgência.

Eles seguiram o mapa, passando por salas que pareciam centros de controle, laboratórios estéreis e escritórios sombrios. Em uma das salas, encontraram um grande servidor de dados, piscando com luzes azuis e verdes.

"Este deve ser o coração do Santuário", Sofia sussurrou, seus olhos brilhando com a perspectiva de expor a verdade. "Felipe mencionou que o 'lugar inexpugnável' era onde eles guardavam tudo."

Enquanto Sofia tentava acessar os dados, Marina sentiu um arrepio. Uma sensação de estar sendo observada. "Sofia, acho que não estamos sozinhas."

De repente, as luzes de emergência piscaram violentamente e se apagaram, mergulhando o corredor em completa escuridão. Um alarme começou a soar, um som agudo e penetrante que rasgou o silêncio.

"Merda! Elias, o que está acontecendo?", Sofia gritou no comunicador.

"Eles detectaram a intrusão! A brecha de Felipe está se fechando! Corram!", a voz de Elias soou tensa.

No escuro, sons de passos apressados podiam ser ouvidos se aproximando. Homens. Vários deles.

"Marina, para cá! Os arquivos!", Sofia puxou Marina em direção à sala do servidor.

Enquanto Sofia tentava baixar o máximo de dados possível em um dispositivo portátil, Marina sentiu uma presença forte atrás dela. Ela se virou bruscamente e, na penumbra momentânea das luzes que voltavam a piscar, viu uma figura alta e musculosa se aproximando, com uma arma em punho.

Era um dos homens do Círculo.

Antes que Marina pudesse reagir, a porta da sala se abriu com violência e um vulto saltou para dentro, derrubando o homem do Círculo com um golpe certeiro.

Marina e Sofia olharam, chocadas. O homem que as havia salvado estava em pé, o rosto em uma máscara de fúria, mas os olhos... eram os olhos de Felipe.

"Felipe!", Marina gritou, um misto de alívio e choque.

Ele estava magro, com o rosto ferido e a roupa rasgada, mas estava vivo. "Eu sabia que viriam", ele disse, a voz rouca, mas firme. "Eu sabia que vocês não me deixariam para trás."

Ele olhou para Sofia. "Você é a jornalista. Felipe me disse que você seria crucial."

"Estamos aqui para ajudar", Sofia respondeu, ainda atordoada. "Pegamos os dados. Mas precisamos sair daqui. Agora."

"Eles já fecharam a brecha. Estamos presos aqui", Felipe disse, um olhar sombrio em seu rosto. "Eles sabem que estamos aqui. Sabem que temos a prova."

O som de mais passos se aproximava, agora vindo de todas as direções. O alarme continuava a soar.

"Não estamos presos", Marina disse, pegando a mão de Felipe. Aquele toque, após tanto tempo de ausência e incerteza, trouxe de volta todas as emoções que ela havia tentado reprimir. "Elias vai nos ajudar. Ele nos disse que criaria uma distração."

De repente, as luzes do complexo se apagaram completamente, e um estrondo distante ecoou, seguido por sirenes de polícia.

"A distração de Elias", Felipe percebeu, um lampejo de esperança em seus olhos. "Agora! Temos que correr!"

Guiados pelo conhecimento de Felipe sobre os túneis de serviço do Santuário, e pela distração sonora que Elias criara, o trio correu pelos corredores escuros. O som de tiros e gritos indicava que o Círculo estava em pânico, tentando conter a invasão e as autoridades.

Eles emergiram em um beco úmido e escuro, a alguns quarteirões de distância do galpão abandonado, o ar da cidade parecendo mais limpo e seguro do que o ar viciado do Santuário. A polícia já cercava a área.

Marina olhou para Felipe, a adrenalina ainda correndo em suas veias, o amor e a dor misturados em seu olhar. "Você está bem?"

Felipe a olhou, um sorriso cansado, mas genuíno, em seu rosto. "Graças a você, eu estou. Você não desistiu de mim."

Sofia, com o dispositivo portátil em mãos, olhou para eles, um misto de alívio e determinação. "Temos a prova. Agora, o Círculo vai cair."

A batalha pela verdade na Rua Augusta havia apenas começado. E Marina, ao lado de Felipe e Sofia, estava pronta para enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente. Os segredos sombrios da cidade estavam prestes a vir à tona.

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